Ocasionalmente, os videojogos marcam presença noutros meios de entretenimento. Este domingo, no final deste artigo podem precisamente contemplar a passagem de Tekken pelo cinema em 2010. Mais concretamente, podem ler a opinião de Filipe Urriça sobre a película assinada por Dwight Little, que se revelou ser uma perda de tempo para o redator.

Antes, contudo, ficam registadas as impressões de Pedro Martins sobre WandaVision, a nova série da Marvel que estreou há apenas alguns dias no catálogo do Disney+. Estão disponíveis dois episódios no momento em que este artigo é publicado, sendo um arranque que presta homenagem às sitcom clássicas num rasgão temporal que intriga, fascina e confunde.

Entre os parágrafos assinados pelo Pedro e pelo Filipe fica a contribuição do Marco Gomes. O responsável pelas imagens que ilustram os artigos e as análises do VideoGamer Portugal escreve sobre O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, obra de 2016 assinada por João Botelho. É um relato íntimo em tom de agradecimento sobre o realizador que faleceu em 2015 aos 106 anos.

Pedro Martins, WandaVision (Disney+)

WandaVision é uma das primeiras séries a agitar as águas da cultura popular em 2021. Disponível em exclusivo para os subscritores do Disney+, faz parte do universo cinemático da Marvel e entrega o centro do palco a duas personagens, Wanda e Vision, que tiveram uma presença efémera em Avengers. Vi os dois episódios que estão disponíveis e é um arranque assente em moldes originais.

Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) e Vision (Paul Bettany) passam a maior parte destes episódios inseridos numa sitcom a preto e branco. É uma estreia deliberada: os detalhes nos cenários e o ritmo das cenas, as faixas com gargalhadas e aplausos pré-gravados, até a forma como as personagens entram e saem das cenas, tudo é uma homenagem a programas como The Dick Van Dyke Show, The Brady Bunch e Bewitched. Séries que fazem parte das memórias nostálgicas dos americanos e que os europeus foram vendo retroativamente.

Há, contudo, uma certa estranheza, apontamentos que nos permitem compreender que as personagens são muito mais do que aparentam nestes minutos. Vemos Wanda a preparar uma refeição enquanto magicamente equilibra no ar vários itens e testemunhamos Vision a fazer itens passar pelo seu corpo, afirmando que não come e passando um mau bocado depois de ter acidentalmente engolido uma pastilha elástica (capaz de lançar o caos no interior da sua existência autómata).

Os episódios são bastante curtos e desprovidos de cor. Sem entrar nos campos minados de spoilers, a cor é usada precisamente para mostrar aos espectadores que WandaVision é - ou poderá ser - muito mais do que a espinha dorsal destes episódios. O humor é ligeiro, dependendo várias vezes dos trejeitos físicos das personagens (como a cena do jantar com o patrão de Vision ou o espetáculo de magia em que Vision participa completamente alterado pela mencionada pastilha elástica, levando Wanda a ter que improvisar e remediar o caos).

Será bastante interessante perceber em que direção é que os argumentistas vão levar a série durante os nove episódios que compõem a temporada de estreia. Pode-se adorar ou detestar este arranque, mas comparando-o com outras estreias de séries Marvel, não se pode dizer que estão a tentar repetir a fórmula. Se alguma crítica há a apontar, é que a ambiguidade é tamanha, que dois episódios depois, fica-se com a sensação que WandaVision guarda os seus trunfos junto ao seu peito, talvez demasiado.

Marco Gomes, O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu (DVD)

“O problema é só este: o país tem (inexplicavelmente) um cineasta demasiado grande para o tamanho que tem. E, portanto, das duas uma: ou alargam o território ou encurtam o cineasta.”

A declaração de João César Monteiro da qual João Botelho extraíra a última sentença para O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu (2016) reflete a impotência de um povo em valorizar o mais visionário de seus artífices na sétima arte, mas, ainda assim é curta em contundência. Ao legado do realizador de Cedofeita (Porto) igualmente o impacto internacional longe está de ter feito justiça.

A admiração de Botelho pelo amigo é a seiva da obra, alimentando-a mas cuidando em se não tornar numa cantata de laudas e distinções, antes pugnando na luta pelo reconhecimento da importância de Oliveira na história do meio, ao fim e ao cabo, sua história, nascido apenas treze anos depois da primeira projecção pública dos irmãos Lumière em 1895.

O relato da intimidade, não apenas na relação dos dois mas muito de episódios de bastidores no labor de Manoel de Oliveira, os quais pouco ou nada conhecidos do Grande Público, é o carburador de todo o registo, rematando com o mais belo dos agradecimentos, a encenação sumária de um dos muitos argumentos que a longa vida do mestre, 106 anos, não fora longa suficiente para levar da ideia à fita.

Filipe Urriça, Tekken (MEO Videoclube)

Tekken, o filme de 2010 realizado por Dwight Little, que é conhecido por filmes como Homicídio na Casa Branca e Operação Flecha Quebrada, não desilude minimamente. Já esperava que fosse um mau filme, assim como uma péssima adaptação de videojogo a filme, e não me enganei. Assim, não fiquei desapontado por saber que só perdi o meu tempo a ver Tekken.

Da série de videojogos criada pela Namco, que agora tem Katsushiro Harada no leme da produção dos títulos, joguei bastante Tekken 5: Dark Resurrection na PSP. Era um jogo fenomenal para a portátil da Sony, tinha uma quantidade assinalável de conteúdo e tinha uma jogabilidade bem divertida. Infelizmente, não posso elogiar o filme da mesma forma que fiz ao jogo.

Esta película é muito má, pois tem uma narrativa expectável do início ao fim, lutas absolutamente enfadonhas e erros de efeitos especiais que são impossíveis de não notar. A narrativa segue Jin Kazama que tenta entrar no torneio de Tekken, o Punho de Ferro. Nesta distopia são as grandes empresas que controlam o mundo, e Tekken, além de ser o nome de uma grande empresa corporativa, também é o nome de uma cidade onde se passa o filme. Isto foi pensado pelos produtores do filme para as pessoas não se esquecerem que estão a ver um filme de Tekken. É estranho, mas não é a escolha mais bizarra do filme.

Kazuya Mishima é o grande vilão do filme e Jin jurou vingança contra a morte da sua mãe, causada por Kazuya, o presidente da Tekken. O desenvolvimento desta jornada é um autêntico disparate. Quando Jin é qualificado para o torneio Punho de Ferro, apaixona-se loucamente por outra lutadora, quando existe uma hipótese de ambos terem de lutar até à morte. Enfim, adivinha-se facilmente o que vai acontecer neste filme, há tanto erro e uma má prestação de alguns atores que Tekken torna-se uma perda de tempo.

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