A equipa VideoGamer Portugal está novamente reunida este domingo de manhã para escrever sobre algumas das obras que passaram pelos seus ecrãs ao longo dos últimos dias. O Pedro Martins aproveitou esta semana para testemunhar os acontecimentos do episódio de estreia de I Know This Much Is True, destacando a performance de Mark Ruffalo.

O Marco Gomes assina a segunda participação neste artigo, versando sobre A Baleia Branca, Uma Ideia de Deus este domingo - entre várias recomendações para os próximos dias. Como terão oportunidade ler, estamos perante um documentário realizado por João Botelho sobre os bastidores da peça Moby Dick.

Na parte final do artigo está a opinião de Filipe Urriça sobre La Casa de Papel. Não é a primeira vez que o agora exclusivo Netflix marca presença nesta rubrica, contudo, o Filipe teve finalmente oportunidade de ver o arranque da quarta temporada enquanto já tem o seu olhar apontado a White Lines, obra também assinada por Álex Pina.

Pedro Martins, I Know This Much Is True (HBO Portugal)

Pelo que vi durante o episódio de estreia de I Know This Much Is True na HBO Portugal, é uma série marcada pela interpretação de Mark Ruffalo. A minissérie é inspirada pelo livro de Wally Lamb e parece edificada em redor das personagens que Ruffalo interpreta.

O ator empresta o seu talento a Dominick e também ao seu irmão esquizofrénico Thomas. É um drama que tem neste primeiro episódio alguns momentos marcantes: não só Thomas corta a sua mão como um sacrifício, como são ilustrados os momentos em que um membro da família fica doente e morre anos antes.

I Know This Much Is True promete versar sobre os enormes problemas que assolam esta família enquanto lida com os escombros daquela morte e com as complicações associadas a Dominick tomar conta de Thomas. Aliás, o primeiro episódio termina com um momento que aperta o coração quando Thomas regressa a uma instituição de saúde mental.

Ainda é muito cedo para compreender o que a série conseguirá realmente fazer durante os seis episódios. As performances são boas, mas Ruffalo está num nível só seu. Ver as duas personagens no ecrã, em diversos momentos ao mesmo tempo, é um atestado da sua arte. O ator dá vida e mantém personalidades e vivências diferentes, que conseguem roubar toda a atenção do espectador.

Marco Gomes, A Baleia Branca, Uma Ideia de Deus (Vimeo)

De forma expetável face à realidade epidemiológica do vírus COVID-19 no país, é cada vez menor e menos aliciante a oferta dos agentes ligados ao cinema português no auxílio do processo de recolhimento social. Não obstante, até pela multidisciplinaridade do que ainda se encontra, ficam estas propostas como exemplo.

Disponível nas plataformas RTP Ensina e RTP Play é Sophia, Na Primeira Pessoa (2019) documentário biográfico de Manuel Mozos profundamente explícito no título. Deduzindo-se desde logo ser Sophia de Mello Breyner Andresen a retratada, nos guia a própria pela vida e obra, pendendo mais para esta, com ilustração visual transversal ao corpo temático, o foco de interesse do registo.

Passando da poesia para a arquitetura temos Júlio Alves com A Casa (2012), documentário contemplativo sobre a construção da “Casa na Aldeia de Juso”, projeto do estúdio ARX Portugal assinado por José e Nuno Mateus com contributo de Stefano Riva.

No canal Vimeo da produtora Ar de Filmes regressamos às letras por intermédio da curta-metragem, menos de doze minutos de duração, A Que Chamas Pensar (2017). Realizada por Margarida Gil, assume-se como objeto curioso tendo por foco o diversificado plano de edições da Fundação Calouste Gulbenkian.  

Ainda nesse recanto encontramos Quatro Santos em Três Actos (2015), captação em vídeo da peça cómica de teatro baseada na ópera homónima de 1927 de Virgil Thomson (composição musical) e Gertrude Stein (libreto). Estreada no Teatro do Bairro, ficou a recriação lusitana a cargo de António Pires e Luísa Costa Gomes.

Encerrando com outra produção Ar de Filmes com ligação profunda ao teatro, o documentário de João Botelho, A Baleia Branca, Uma Ideia de Deus (2007). Não sendo concludentes as pistas do título, os primeiros dos cinquenta e cinco minutos que compõem o registo apartam dúvidas, ali se fala do mais afamado cetáceo albino, Moby Dick.

O pretexto é a adaptação do clássico da literatura mundial de Herman Melville ao teatro, em concreto, a peça levada à cena no São Luiz Teatro Municipal pela mão, à semelhança da anterior, António Pires. Destinando um terço da metragem ao processo criativo e dinâmica de bastidores, ficam os outros dois para a captação do espetáculo em si contando no elenco com nomes reconhecidos do grande público como Miguel Guilherme e Maria Rueff.

Filipe Urriça, La Casa de Papel (Netflix Portugal)

A quarta parte de La Casa de Papel estreou numa muito boa altura, mas infelizmente ainda só vi um único episódio. Rever esta série espanhola fez-me recordar do stressante que é, o que não faltam são situações com a tensão perto do seu máximo.

Arturito continua a ser a pessoa mais desprezável a aparecer numa série, é o perfeito exemplo de uma personagem que se adora odiar. Contudo, os problemas para os ladrões resolverem são tantos que esta personagem se torna frustrante.

O cliffhanger em que ficamos no encerramento da terceira parte deixou os protagonistas desta história entre a espada e a parede. É por isso que há situações como a que em que Marseille tenta apaziguar a mágoa de El Professor, contando uma história sobre o seu cão Pamuk.

Se Nairobi já estava em perigo de vida no último episódio da terceira parte, no fim do primeiro episódio da quarta, Nairobi está mesmo com a vida por um fio, visto que a polícia conseguiu intervir no processo cirúrgico que está a decorrer. Ainda não sei qual será o seu destino, mas é uma das minhas personagens favoritas.

Espero que La Casa de Papel ainda me consiga surpreender pela positiva, porque já ouvi em alguns podcasts que a série se arrasta muito até aos últimos dois episódios. Seja como for, fiquei curioso em conhecer o novo trabalho de Álex Pina, White Lines, que conta com Nuno Lopes no elenco.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!