por - Oct 17, 2021

O que andamos a ver, 17 de outubro, 2021

Depois de na semana passada termos destacado os fenómenos Squid Game e A Criada, este domingo a equipa VideoGamer Portugal regressa com um O que andamos a ver mais apostado em propostas que não estão a tomar a Internet de assalto. Como podem ler ao longo do artigo, são três resultados mistos.

Virando-se para o catálogo Disney+, o Pedro Martins teve oportunidade de assistir aos seis primeiros episódios de Y: O Último Homem. A premissa é interessante, mas a justificação do argumento eliminar todos os animais que não tenham cromossomas Y ainda não convence.

O Marco Gomes viu Hitler versus Picasso durante os últimos dias. Estamos perante um documentário assinado por Claudio Poli que versa sobre a forma como Hitler saqueou as expressões artísticas europeias. É um retrato que convenceu o responsável pelas imagens que aparecem nos artigos do VideoGamer Portugal.

A terminar O que andamos a ver este domingo, Filipe Urriça escreve sobre uma produção nacional, Pôr do Sol. É uma obra advinda do catálogo da RTP e escreve o redator que quem não assistir a esta produção está “a perder parte do melhor que se faz na televisão nacional”.

Pedro Martins, Y: O Último Homem (Disney+)

Y: O Último Homem começa com uma premissa pensada para agarrar o espectador. Subitamente, uma misteriosa praga assola a humanidade e mata todos os animais que não têm os cromossomas Y. Menos um homem, que misteriosamente não é afetado e torna-se o protagonista da trama.

A série é uma adaptação da novela visual assinada por Brian K. Vaughan e Pia Guerra, sendo um exclusivo Disney+ em Portugal. No momento em que este artigo é publicado, vi a totalidade dos seis episódios que estão disponíveis e tem sido uma experiência morna.

O último homem vivo, Yorick (Ben Schnetzer), ganha ainda mais relevância quando descobrimos que é filho da presidente dos Estados Unidos da América, Jennifer Brown (Diane Lane). Jennifer tem também uma filha, Hero (Olivia Thirlby), com a série a focar-se nos diferentes caminhos narrativos em simultâneo, uma vez que a maior parte das personagens estão separadas.

Yorick passa a maior parte destes episódios em viagem, sendo protegido pela Agent 355 (Ashley Romans). E há também um “acampamento” num enorme supermercado onde estão Nora (Marin Ireland) e a sua filha, Mackenzie (Quincy Kirkwood). Este local funciona como uma pequena sociedade, onde há proteção a custo de um automatismo que começa a roçar o culto.

Não estamos perante uma série terrível, mas Y: O Último Homem demora imenso tempo a dar-nos respostas. O que levou a este fenómeno está longe de ser justificado, com o espectador a ser convidado de uma viagem sem saber muito bem para onde. Pode ser que melhore na segunda parte da temporada, mas não precisam de largar o que estão a fazer para o testemunhar.

Marco Gomes, Hitler versus Picasso (DVD)

Uma das produtoras associadas de A Grande Arte no Cinema é a Nexo Digital Media, usá-lo-ei para fazer um petiz trocadilho. Aqui chegados perde nexo a primeira temporada da coleção (2018-2019) ao descartar inesperadamente a arte italiana do renascimento, até ali única representante temática em afirmação genérica, mais quando a ela retornará. Desconhecendo ser bizarria na ordenação de origem ou conferida no lançamento nacional.

Este salto temporal de cerca de quatro séculos e meio assinala senão o maior, um dos maiores saques de arte na história da humanidade, levado a cabo pelo Terceiro Reich durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e seu período incubatório. O subtítulo recebido na edição lusa, A Obsessão Nazi pela Arte, dá o ponto de partida para Hitler versus Picasso (2018), Hitler Contra Picasso e Gli Altri.

Na hierarquia nazi coube a Hermann Göring o papel de curador macabro, definindo e localizando, com ajuda totalmente desapegada de vários comerciantes em arte, os alvos a arrebanhar e posterior obtenção recorrendo à generosidade da força militar germânica. A paga de Göring era escolher para si dentre as obras que não cabiam no gosto de Adolfo.

O embate do título não é concreto, física ou verbal Adolfo e Pablo nunca andaram à bulha. Pese o relato antes dos créditos de fecho, também não é puramente simbólico. É sim reflexo de uma visão extremada da arte, saudando o ideal estético clássico e temáticas tradicionalistas, apoucando de “degeneradas” as novas correntes estéticas então aparecidas ou numa primeira fase de consolidação.

Realizado por Claudio Poli, apresenta por condutor, tanto na voz-off como em sequências filmadas de leitura de documentos ou narrando passagens de relevo, um dos mais respeitados atores italianos da atualidade, Toni Servillo. Em sua eficácia sóbria é largamente Hitler versus Picasso a mais conseguida das entradas no conjunto até ver.

Filipe Urriça, Pôr do Sol (RTP Play)

Em agosto, as redes sociais estavam a adorar ver Pôr do Sol, não é uma produção Netflix, nem a nova coqueluche da Amazon Prime Video, mas uma novela portuguesa que passou na RTP 1. Na verdade não era bem uma novela nos moldes tradicionais, mas uma sátira às novelas portuguesas. A minha timeline do Twitter estava inundada de pessoas a falarem bem daquela série e tenho de admitir que tinham razão.

Pôr do Sol é uma comédia satírica que goza com tudo o que faz parte das novelas, desde a narrativa, às personagens, passando pelos efeitos especiais, até à música. Eu que cresci com um agregado familiar a ver novelas como Jardins Proibidos, Todo o Tempo do Mundo e inúmeras novelas brasileiras. Adorei ver o que já testemunhei de Pôr do Sol.

O que há de melhor é o diálogo com piadas a roçar o non sense, as personagens que têm um olhar penetrante para a câmara depois de falarem quase para o público e as inúmeras peculiares situações em que se envolvem – a banda Jesus Quisto é algo de outro mundo, principalmente quando tem uma banda rival que se intitula de os Lordes da Mocada.

Enfim, se não viram esta comédia, que terá uma segunda temporada, estão a perder parte do melhor que se faz na televisão nacional. Até a novela Festa é Festa está a tentar ter a mesma piada que Pôr do Sol e obviamente está a falhar redondamente nesta tentativa.

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