Este domingo, a equipa VideoGamer Portugal versa novamente sobre um trio de propostas a que teve oportunidade de assistir durante os últimos dias. O Pedro Martins recorreu ao catálogo Disney+ para contemplar o primeiro episódio de Emoções da Terra. É um documentário da National Geographic que funciona melhor em segundo plano.

Pelo ecrã do Marco Gomes passou Roma, Cidade Aberta. Obra assinada por Roberto Rossellini e disponível desde 1945, é o “mais relevante do trio em sua condição de filme impressivo à época para público, crítica especializada e pares do transalpino no ofício”, segundo escreve o responsável pelas imagens que veem nos artigos e análises do VideoGamer Portugal.

No catálogo do Prime Video podemos encontrar Invincible e foi precisamente essa a obra de entretenimento escolhida por Filipe Urriça este domingo. Para quem ainda não travou conhecimento com a série, estamos perante uma proposta em desenho que conta a história de um filho de um super-herói que descobre o passado do seu pai.

Pedro Martins, Emoções da Terra (Disney+)

A Disney e a National Geographic criaram algo diferente para quem precisa de uma dose de tranquilidade durante estes dias. Com Emoções da Terra, o espectador é convidado a testemunhar diferentes cenários sem narração, apenas contemplando os aspectos visuais do planeta. São cinco episódios que ficaram disponíveis sexta-feira no catálogo do Disney+.

Tive oportunidade de assistir ao primeiro e tenho que reconhecer dois pontos: a qualidade das imagens e também as vicissitudes de uma proposta tão específica. O episódio de estreia é dedicado a paisagens geladas e Emoções da Terra funciona melhor como um complemento para o vosso dia, do que algo que veem ativamente.

Não há voz, não há texto, não há narração, não há pessoas. Há sim várias panorâmicas, ou seja, estarem a olhar para o ecrã durante mais de trinta minutos acaba por ser cansativo. É uma proposta bela, sim, mas como algo meditativo - algo sublinhado pela banda sonora. Não me recordo de todos os planos, mas sim de alguns momentos de “Calma Gelada” como se fossem destaques de uma sessão de meditação visual.

Há episódios dedicados à malha urbana, a cenários tropicais, às vistas desérticas e a “padrões serenos”. Emoções da Terra é uma proposta interessante e quero ver os restantes quatro episódios, mas enquanto o meu cérebro está ocupado com outras tarefas, nem que seja a sonhar acordado. É uma série que funciona bem enquanto exercício para despoletar a imaginação, para levar a massa cinzenta a passear pelo mundo enquanto pedem alguns minutos emprestados à realidade.

Marco Gomes, Roma, Cidade Aberta (DVD)

Editada no ano 2015 em Portugal pela Leopardo Filmes, contém a caixa DVD Trilogia da Guerra, passe a redundância na contagem, três registos essenciais à carreira de Roberto Rossellini, à compreensão do movimento neo-realista no filme e à própria história do cinema italiano. Tudo em versão digital restaurada, pedindo antes, ou paralelamente, lançamento em Blu-ray, algo que, era e continua a ser economicamente pouco viável no mercado nacional.

Cronologicamente o mais antigo, Roma, Cidade Aberta (1945), Roma, Citta Aperta, é exponencialmente o mais relevante do trio em sua condição de filme impressivo à época para público, crítica especializada e pares do transalpino no ofício.

Não sendo o ponto de partida da agenda neo-realista no meio, hoje atribuído a Obsessão (1943) de Luchino Visconti, é contudo o primeiro a garantir visibilidade significativa no exterior, e, por isso, a definir as diretrizes reconhecidas ao movimento, mas, muito também pelo que em seguida se escreve.

De uma das características identitárias da obra, ceder a trama expansivamente desenvolvida a um quadro narrativo sobre a resistência italiana durante a ocupação nazi do país, nasce o simbolismo da própria transcendência do cinema local, erguido das ruínas dos bombardeamentos pela força e coragem de quem as acalenta por si e pelos outros.

Filipe Urriça, Invincible (Prime Video)

Apesar de ter ido procurar uma outra série numa plataforma de streaming diferente, mantive-me no mesmo género. Então, fui ver desenhos animados na Amazon Prime Video, mas desta vez vi uns bem violentos. Vi a obra de Robert Kirkman, criador da banda desenhada e série televisiva The Walking Dead, com super-heróis na sua banda desenhada homónima, Invincible. Depois de me ter agarrado pelos colarinhos no cliffhanger do primeiro episódio, fiquei completamente fascinado cinco episódios após um grande arranque.

Esta série tem Mark como protagonista, um jovem que adquiriu recentemente poderes herdados do pai. Mark é um adolescente com os problemas habituais da sua idade e agora tem de lidar com a força sobre-humana, a capacidade de voar e correr a grandes velocidades. Isto são poderes que foram herdados do seu pai Nolan, vocalizado por J. K. Simmons, que é um viltrunita - no fundo, é um extraterrestre com uma fisionomia humana. Assim, Mark decide usar as suas capacidades para o bem da humanidade e proteger a Terra de diversas ameaças.

Mark é o protagonista de Invincible, até porque o nome da série é o seu nome de super-herói. Porém, o seu pai também uma peça importante da narrativa, ainda estamos por conhecer as suas verdadeiras intenções enquanto "homem mais forte do mundo". É óbvio que se podem tecer muitas comparações com o Super-Homem da DC Comics, contudo Nolan tem uma camada de complexidade bem maior do que o seu homólogo da DC.

Até agora, depois de ter visto seis dos oito episódios que já foram exibidos, fico bastante satisfeito com o rumo que a série está a tomar, porque consegue surpreender bastante, graças à personalidade das suas personagens, que não são sempre algo definido em preto no branco, há sempre uma área cinzenta onde mora a ambiguidade e que nos deixa a indagar e especular sobre os próximos episódios. Até agora não desiludiu, mas é provável que aconteça porque fechar o arco do primeiro episódio e desenvolver muitos outros que já foram abertos não será tarefa fácil.

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