por - Jul 18, 2021

O que andamos a ver, 18 de julho, 2021

Muito bem-vindos a mais uma edição da rubrica semanal onde a equipa VideoGamer Portugal destaca aquilo que tem andado a ver – e é uma semana dominada pelas propostas Disney, que conta com dois terços das escolhas dos membros da equipa.

Começando pelo Pedro Martins, o diretor de conteúdos teve oportunidade de ver os três episódios que estão disponíveis de Monsters at Work, o spin-off dos filmes da Pixar. Não é terrível, mas para já não consegue agarrar o espectador como o material original. É lento, mas há esperança que venha a ser mais com o avançar da temporada.

O Marco Gomes, continuando a calcorrear a sua coleção DVD, viu Singularidades de Uma Rapariga Loura, como podem ler no meio deste artigo. Escreve o Marco sobre a obra de Manoel de Oliveira que “a algumas acrescenta valia o barroquismo formal, outras implode-as, sendo este o caso de um projeto já de si pouco ambicioso”.

Finalmente e regressando ao catálogo do Disney+, o Filipe Urriça pagou o acesso premium para testemunhar os acontecimentos de Viúva Negra. Protagonizado por Scarlett Johansson, é um filme que, segundo o redator, “enriquece as personagens que já conhecemos e introduz-nos a outras que vão ser relevantes para o que Kevin Feige tem em mente”.

Pedro Martins, Monsters at Work (Disney+)

Monsters, Inc. é um dos filmes mais celebrados da Pixar, pelo que foi sem qualquer surpresa que Monsters at Work se afirmou como uma das séries mais aguardadas do Disney+. Agora que estão disponíveis os três primeiros episódios, as engrenagens da temporada de estreia começam a funcionar e há alguns momentos emperrados.

A série começa onde o filme termina, contudo, a Monstropolis descobriu que o riso é melhor do que os gritos das crianças para fornecer energia à cidade. Além disso, a empresa tem agora dois novos líderes que, como provavelmente adivinharam, são Sully (John Goodman) e Mike (Billy Crystal).

Contudo, a dupla dos filmes cede o lugar de protagonismo a Tylor Tuskmon (Ben Feldman), que acaba de se licenciar na Monsters University e é aceite na empresa, precisamente no momento em que os gritos dão lugar às gargalhadas. A desilusão de Tuskmon ganha ainda uma camada adicional quando os primeiros dias de trabalho são muito mais monótonos do que o jovem antevia e desejava.

Monsters at Work tem um ritmo lento neste arranque e fiquei com a sensação de que falta algo, com a chispa da Pixar a apresentar-se de forma bastante tímida. Naturalmente, as personagens não demoram a cair em situações caricatas que têm que ser resolvidas prontamente, ainda que de forma atabalhoada, mas o riso de quem vê não é para já rasgado.

Claro que não é justo sentenciar uma temporada quando ainda faltam ser publicados sete dos dez episódios, mas Monsters at Work precisa de ser mais do que um filme estendido para durar quase cinco horas. Não é uma completa desilusão, mas não consegue ser um spin-off condigno. Continuarei a ver, mas motivado mais pela esperança do que pela crença.

Marco Gomes, Singularidades de Uma Rapariga Loura (DVD)

Parece mas não é. Esta e as duas semanas que lhe seguem serão dedicadas a Manoel de Oliveira, em concreto seus três derradeiros trabalhos no formato longa-metragem. Parecendo renovado enfoque numa agregação editorial, em verdade foram adquiridos avulso, permitindo chegar a cerca de dois terços do material realizado pelo portuense em minha coleção DVD. As faltas são as do mercado, o grosso das curtas e obras icónicas indisponíveis para consumo caseiro como Acto da Primavera (1963) ou Amor de Perdição (1978/1979) – primeiro em mini-série e um ano após em filme.

A singularidade – recomenda a sensatez utilizar um sinónimo para evitar o trocadilho – inicial da obra trazida prende-se com a duração, sessenta e três minutos. Não existindo consenso pleno na classificação por tempo fílmico decorrido, equivale assim a uma média-metragem avantajada ou uma longa subnutrida.

Em outra vida da rúbrica o apontando, é Manoel de Oliveira um dos expoentes máximos da relação do cinema com a literatura, ou a bem da precisão, mais até o inverso. Disso não abdicando em seus últimos registos, da intimidade com autores portugueses clássicos surge em 2009 a adaptação de Singularidades de Uma Rapariga Loura, escrito por Eça de Queiroz em 1873, dado à estampa vinte e oito anos após.

Evitando o retrato de época é Singularidades de Uma Rapariga Loura em cinema conto sem tempo nem lugar. O espectro do momento presente afigura-se-nos estrangeiro, engavetado que está num moribundo ambiente pequeno-burguês. No campeonato de Oliveira mede-se o patamar pouco convincente da obra com um de seus traços identitários. A algumas acrescenta valia o barroquismo formal, outras implode-as, sendo este o caso de um projeto já de si pouco ambicioso.

Filipe Urriça, Viúva Negra (Disney+)

Como se sabe, todos os filmes e séries da Marvel Studios estão a pavimentar o caminho para a próxima fase do universo cinemático da Marvel, uns com mais influência do que outros. A Viúva Negra é o último filme com Natasha Romanoff, dado o infortúnio que teve quando teve de recuperar a Soul Stone para Tony Stark conseguir derrotar, finalmente, Thanos. Contudo, a passagem de testemunho para Yelena foi bem empregue, visto que temos aqui uma personagem igualmente interessante que terá um papel garantido, pelo menos, em mais uma produção da Marvel Studios.

Como Viúva Negra se passa entre Civil War e Infinity War, não era obrigatório o filme existir, mas ainda bem que existe, porque dá contexto para os próximos eventos da Marvel, assim como enriquece as personagens que já conhecemos e introduz-nos a outras que vão ser relevantes para o que Kevin Feige tem em mente. Por si só, Viúva Negra é um bom filme, não vão encontrar aqui uma obra de arte, mas um filme que diverte o suficiente para que que se faça uma nova maratona dos filmes e séries da Marvel por ordem cronológica.

Este filme vai às origens misteriosas de Natasha Romanoff, que foi treinada e psicologicamente manipulada para ser uma assassina profissional. O passado de Romanoff foi ter com ela e para que este fosse resolvido não há outra hipótese para além do confronto com as pessoas que fizeram o que ela é. Para conseguir colocar um ponto final com o que a atormenta, Natasha vai ter de se reunir com a família que a acolheu na sua infância.

Aqui destacam-se dois papéis: o de David Harbour que dá vida ao imprudente Alexei, assim como Florence Pugh que interpreta Yelena, uma outra vítima dos treinos para ser uma assassina implacável. Preferia ter visto isto no grande ecrã de uma sala de cinema perto da minha zona de residência, em vez de o ter visto em casa. Seja como for, vejam Viúva Negra que vale a pena.

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