Antes da nova semana de trabalho ou de estudos começar, a equipa VideoGamer Portugal dedica alguns parágrafos a três sugestões além dos videojogos para os vossos ecrãs. Como é habitual, há três propostas díspares, tanto em géneros como em data de produção.

O primeiro texto que podem ler é de Pedro Martins, que continua a revisitar clássicos de tempos idos. Depois de na semana passada ter assistido a Matilda na Netflix, este domingo escreve sobre Querida, Eu Encolhi os Miúdos!. É provável que tenham assistido ao filme de Joe Johnston durante as últimas décadas, mas é sempre uma obra que se presta sessões dominicais.

De seguida estão os parágrafos assinados por Marco Gomes, que este domingo dedica a sua participação a Posto Avançado do Progresso. Estamos perante uma obra portuguesa assinada por Hugo Vieira da Silva que conta no seu elenco com Nuno Lopes. Ainda assim, o Marco avisa que “no espectador fica a frustração de um trabalho desconjunto”.

A terminar esta edição d’O que andamos a ver ficam os pensamentos de Filipe Urriça sobre Street Fighter - A Batalha Final. Se Pedro Martins escreveu sobre 1989, o Filipe não versa sobre algo muito mais contemporâneo, uma vez que a obra protagonizada por Van Damme estreou em 1994. Tal como Querida, Eu Encolhi os Miúdos!, é provável que já tenham visto a película de Steven E. de Souza, mas não deixem de ler sobre esta revisitação.

Pedro Martins, Querida, Eu Encolhi os Miúdos! (Disney+)

Querida, Eu Encolhi os Miúdos! fará certamente parte da infância de muitos leitores e agora está novamente disponível para ser descoberto no Disney+. A carismática película assinada por Joe Johnston chegou originalmente ao grande em ecrã em 1989, sendo uma suave - e rápida - viagem por memórias aquecidas pela nostalgia.

Wayne Szalinski (Rick Moranis) começa a obra a desenvolver uma máquina que deveria, em teoria, encolher os objetos. Em vez disso, tentativa falhada após tentativa falhada, o desfecho das experiências é invariavelmente a explosão dos itens. Até que uma bola de basebol quebra o raio laser, evita que a máquina sobreaqueça e o resultado é elevado a sucesso.

Infelizmente, nesse preciso momento entram no sótão os quatro filhos das famílias Szalinski e Thompson, que passam a ter um tamanho microscópico. É aproximadamente vinte minutos depois de começar que Querida, Eu Encolhi os Miúdos! verdadeiramente arranca, contando a aventura destas quatro crianças que têm que encontrar o caminho de regresso a casa, maioritariamente conquistando o relvado da casa dos Szalinski.

Quando o foco são os quatro filhos tudo muda de perspectiva: uma formiga passa a ser uma aliada, um escorpião uma ameaça mortífera, uma peça LEGO ganha qualidades de hotel improvisado. As gotas são explosões de água e um corta-relva nada menos do que uma armadilha mortal em movimento. Tudo está imbuído num evidente filtro nostálgico, mesmo os efeitos e as cenas geradas por computador que, naturalmente, não envelheceram graciosamente.

Com uma hora e trinta e três minutos, Querida, Eu Encolhi os Miúdos! tem uma mensagem a passar. Não apenas a reunião das famílias - seja entre Wayne e Diane Szalinski (Marcia Strassman) ou entre os pais e os filhos do clã Thompson - mas também a união de esforços entre os miúdos feitos aventureiros. Às vezes, sabe bem matar saudades da infância criando novas memórias para o resto da vida.

Marco Gomes, Posto Avançado do Progresso (DVD)

Uma reflexão profunda é inconciliável com o espaço que a rubrica habituou a cada texto, além que, não será o autor deste o mais capacitado dos seres para o fazer, servirá então a tentativa superficial de compreensão do mistério sobre o crescente protagonismo do continente africano na criação cinematográfica nacional.

Porventura tratamos de um fenómeno mais lato abrangendo outros pontos cardeais tendo a História como denominador comum, até porque, ao falarmos de África delimitamos em grossa medida ao acrónimo PALOP, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. A pergunta é, porquê de um tempo a esta parte? Porque não antes?

O período temporal para a estabilização política e social dos povos a isso muito responde, também ele necessário para se fazer adulta a estrutura que sustenta a produção fílmica, da formação pessoal e técnica, ao processo logístico e mecanismos de financiamento. Contudo, uma razão parece mais fundamental que as demais, o ponto confortável de distanciamento para com a era do colonialismo.

A adaptação, se não é abuso utilizar o termo perante a desafeiçoada empreitada, que Hugo Vieira da Silva faz de An Outpost of Progress de Joseph Conrad, publicado originalmente em 1896, é sua achega para produzir debate, e que ele ajude a pacificar os espíritos. A descrição de Posto Avançado do Progresso (2016) pouco o terá almejado, impactando mais pela discussão de sua competência artística.

A quarta longa-metragem do realizador portuense demonstra o lado pernicioso da virtude em pertencer a um cinema cuja imaginação e rebeldia se foram entranhando no código genético, erguendo um filme-processo onde avantajado número de quadros surgiu do diálogo criativo com os dois atores centrais, Nuno Lopes e Ivo Alexandre, e de horas captadas de improvisação.

No espectador fica a frustração de um trabalho desconjunto, impregnado de excrescências, minar a louvável direção de fotografia, mas acima dela, como o diálogo com os animais da selva, a cena de animação ou o planeamento de uma sequência de ação nos moldes do cinema mudo, os momentos em que afirma pela liberdade não ser mais um filme sobre os fantasmas da História.

Filipe Urriça, Street Fighter - A Batalha Final (DVD)

Não sei aquilo que as adaptações de videojogos em filmes pretendem. Ou querem respeitar o material original e fazer algo bom, ou se querem só fazer render dinheiro com o nome que transportam para o grande ecrã. Street Fighter - A Última Batalha é um daqueles clássicos de adaptações que, além de ser protagonizado por Van Damme, ainda consegue ser cómico.

Nem todas produtoras que fazem jogos de luta conseguem contar uma boa narrativa, a Capcom é um bom exemplo disso: Street Fighter II é um excelente jogo, mas a história é totalmente descartável. Apesar da história não ter muito por onde pegar, foi feito um filme que a par de Super Mario Bros. é um marco na história de adaptações, não por ter sido um bom filme, mas por ter sido tão mau que se tornou em algo cómico.

Reconheci quase todas as personagens do filme e algumas têm origens estapafúrdias. Ken e Ryu, por exemplo, são traficantes de armas falsas e enganam criminosos pelo mundo todo. A sua mais recente tentativa de fazer dinheiro por este meio saiu-lhes mal, Sagat e Vega toparam logo as suas intenções. Enfim, acaba por ser hilariante estas interligações todas e qualquer que seja a profissão que tenham sabem todos artes marciais, ou não estivessem eles a representar personagens de um jogo de luta.

Pessoalmente, Bison é a melhor personagem que lá está e, tal como Guile, tem as melhores linhas de diálogo. Afinal, este é o grande vilão da história. Street Fighter não pode ser levado a sério, o argumento não tem peso suficiente para tal, por isso sobram as cenas de luta e a ação propriamente dita. Infelizmente, nem uma nem outra foram bem executadas. A única preocupação que houve foi em replicar os golpes típicos das personagens. Em suma, se quiserem rir da parvoíce de um filme, Street Fighter é uma excelente opção.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!