VideoGamer Portugal por - Dec 19, 2021

O que andamos a ver, 19 de dezembro, 2021

Quando 2021 está quase a terminar, O que andamos a ver este domingo apresenta o que para Pedro Martins foi um dos melhores filmes que viu durante o ano. O diretor de conteúdos teve oportunidade de assistir a O Poder do Cão, um exclusivo Netflix que mostra uma Jane Campion em excelente forma e um Benedict Cumberbatch arrebatador.

O Marco Gomes mudou completamente de estilo. Depois de na semana passada ter assistido ao excelente Moonlight, este domingo versa sobre o filme Summer Wars. Estamos perante uma proposta anime que, segundo o próprio, é “ficção-científica que navega à vista”.

Podem também ler os parágrafos de Filipe Urriça sobre Era uma vez um Boneco de Neve, com o redator a continuar embrenhado no universo Disney – mais concretamente, no mundo de Frozen. É uma série de conteúdo que tem aproximado ainda mais pai e filha.

Pedro Martins, O Poder do Cão (Netflix)

O Poder do Cão é um dos melhores filmes que tive oportunidade de ver em 2021. Assinado por Jane Campion, são duas horas que nos levam até um rancho em Montana durante 1925. Durante estes minutos, a realizadora coloca no ecrã cenas deslumbrantes, que cortam a respiração no pormenor e nos grandes planos.

No centro está Phil Burbank (Benedict Cumberbatch), figura áspera e tantas vezes cruel, que evolui durante o filme revelando pormenores quase ternos. O argumento da adaptação a película também foi feito por Campion e começa a dar fôlego a Phil quando o seu irmão George (Jesse Plemons) casa com Rose (Kirsten Dunst).

Importa não esquecer que os irmãos têm um rancho e que fique acrescentado que Rose chega a este casamento já com um filho adolescente, Peter (Kodi Smit-McPhee). É um argumento espesso que nos faz questionar quais são as suas verdadeiras intenções e até onde conseguirão chegar estas personagens por amor e por ódio.

Se por um lado temos cenas gráficas – há em particular um momento com uma castração que tira o fôlego a qualquer um -, por outro há o amor e a sexualidade. Campion percorre esta linha com mestria, deixando o espectador com perguntas e respostas, mesmo que seja nos silêncios e nas porções destas vidas que decorrem fora do ecrã.

O filme foi inspirado no livro de Thomas Savage e que fique mencionado que apesar de ser relativamente longo, nunca é um Western demasiado lento. Quando o argumento é bom, a realização é excelente e as prestações são avassaladoras (especialmente Cumberbatch), o resultado é um filme que devem ver assim que tiverem oportunidade.

Marco Gomes, Summer Wars – O Filme (DVD)

Variadas foram as vezes que casquei na tradução portuguesa de títulos de fitas estrangeiras, com os motivos que o justificam a parecer infindos, como o caso hoje trazido.

Vendo aplicado o subtítulo “O Filme” à película de animação japonesa Summer Wars (2009) deduz-se linearmente ser adaptação para cinema de novela gráfica. Ela existe, repartida em três tomos, mas, a fazer fé na investigação prévia para a escrita deste texto, surgiu após a longa-metragem em vez do inverso. Encontrar problemas para soluções não é caminho.

Ficção-científica que navega à vista, tanto mais assim é que os acontecimentos premonizados na obra de Mamoru Hosoda em simulacros se fazem realidade, parecendo inevitável a tangente à escala de alarme retratada quando a falência de uma rede digital global de comunicação e suporte logístico torna caótico o funcionamento de serviços essenciais à sociedade.

A curiosidade em como balanceará Summer Wars as incidências do mundo virtual de OZ com a paisagem rural de Ueda numa reunião familiar para comemorar o aniversário da anciã, e os sentimentos extraídos da dinâmica entre os elementos da linhagem, gradualmente se transforma em desilusão percepcionando o fluxo dramático enquanto colagem aos lugares-comuns do anime.

Disso claro exemplo é o fenómeno de conveniência pela coincidência, manipulando de forma grosseira as leis da probabilidade para gerar o máximo impacto narrativo na circunscrição de suas premissas. Exposto à evidência na relação entre os personagens centrais, quando, mesmo em escala de risco planetário, os reúne dentro da mesma habitação o acaso.

Filipe Urriça, Era uma vez um Boneco de Neve (Disney+)

Em Frozen, Olaf é uma personagem que aparece do nada, não se percebe como é que se cruza com Anna, Kristoff e Sven, depois de ter sido criado por Elsa – enquanto cantava alegremente a contagiante música “Let it go”. Era Uma Vez Um Boneco de Neve é uma curta-metragem que responde a esta questão (o que fez Olaf até chegar a Anna) e, curiosamente, há uma música com um título parecido cantada pelas irmãs de Arendelle. A curta tem situações muito cómicas vividas pelo boneco de neve, por isso são cerca de dez minutos muito bem passados numa pequena aventura.

Justificar a existência de um boneco de neve que se comporta como um humano, num filme com o selo da Disney, basta dizer que é magia e o assunto fica resolvido. Porém, pode-se dar toda uma nova dimensão à personagem, nomeadamente filosófica quando o próprio Olaf questiona a sua existência, pelo facto de ter vida, minutos após ter sido criado.

Uma grande parte desta aventura leva Olaf à procura de um nariz, a tradicional cenoura que faz essa função. Curiosamente, Anna e Kristoff podiam ter conhecido o boneco de neve mais cedo, foi só uma questão de timing que os levou a desencontrar-se.

Adoro ver Frozen com a minha filha, já devo conhecê-lo de cor, tal como a minha filha sabe as músicas do filme. Ver pequenos incrementos à narrativa é sempre muito bom, porque não são só mais histórias e minutos transformados em horas (de tantas vezes que vejo as curtas), mas porque vê-se que continua a haver criatividade em contos da Disney, mesmo que estes só apareçam nestas pequenas adições.

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