Com os votos de um excelente domingo, a equipa VideoGamer Portugal volta a reunir-se para partilhar as suas impressões sobre o entretenimento a que tem assistido durante os últimos dias, versando sobre três obras que podem fazer parte das vossas sessões de lazer durante as próximas horas ou dias.

Pedro Martins, como habitualmente, é o primeiro a colocar na página a sua opinião e este domingo o destaque escolhido é Her Smell. Película realizada por Alex Ross Perry e protagonizada por Elisabeth Moss, estamos perante uma espiral destrutiva de uma estrela do punk-rock. É uma obra de emoções densas, um afundar de quem não sabe parar.

A Janela (Maryalva Mix) é a obra destacada por Marco Gomes, o responsável pelas imagens dos artigos e das análises que são publicadas no site. A primeira longa-metragem realizada por Edgar Pêra leva o espectador até à Bica em Lisboa, não se escusando a edificar uma proposta burlesca e enraizada na cultura e nos modos portugueses.

Para terminar a leitura dominical podem ler as impressões que A Velha Guarda deixou em Filipe Urriça. É um dos grandes exclusivos Netflix do momento e o redator não perdeu a oportunidade para testemunhar a aventura realizada por Gina Prince-Bythewood e protagonizada por Charlize Theron. Podem ler a sua opinião no final do artigo.

Pedro Martins, Her Smell (TVCine Top)

Her Smell - A Música nas Veias é um filme implacável. Realizado por Alex Ross Perry, leva-nos ao que habitualmente não vemos das bandas punk-rock. Liderada por Becky Something (Elisabeth Moss), a banda passa por incontáveis momentos terríveis, quase todos associados aos excessos de Becky, que entra numa espiral destrutiva praticamente desde que o filme começa.

A protagonista tem uma personalidade que absorve todos os que estão na proximidade. A tensão aumenta diante dos nossos olhos, tanto a nível pessoal como criativo. É o desespero da criação aliado ao desespero da vida, uma combinação que Moss carrega com mestria. Perry faz um excelente trabalho a levar o espectador para aquele mundo, mas é a atriz que nos faz ficar lá, a sentir na pele a sua angústia crescente.

Sem nunca esquecer que Becky é uma artista, Her Smell coloca em evidência como a espiral destrutiva toca profundamente no lado familiar - a protagonista tem uma filha a viver os primeiros momentos da sua vida e um ex-marido, por exemplo, personagens que testemunham alguém que não faz distinções no momento de libertar os seus problemas através dos seus tentáculos.

Her Smell faz também um notável trabalho a inserir momentos pretéritos, revelando quando tudo estava aparentemente bem - ou melhor, pelo menos - e dando assim uma continuidade ao processo do que correu mal. É um filme que agarra o espectador e o mantém preso no seu campo magnético. É também um filme contido enquanto pode, quase como se fosse uma confissão de Becky em público.

Marco Gomes, A Janela - Maryalva Mix (DVD)

Ainda com o assento morno pela recente passagem na rubrica, a ela regressa o prolífico e desformatado cinema de Edgar Pêra, trocando desta feita os caminhos digitais pelo velhinho suporte físico em DVD.

À semelhança do autor da semana passada, também este tem o âmago de nosso povo como uma das áreas de exploração criativa, conquanto a abordagem das dinâmicas sociais e na relação com a tradição de João Canijo dê lugar a enfoque polarizado, numa das pontas o recurso ao expediente da designada “alta cultura”, na outra o pitoresco, chacoteiro até.

Dum título como A Janela - Maryalva Mix (2001) muito não será preciso escrutinar para perceber em qual dos dois se encaixa. Igualmente denunciado na presença do figurão Manuel João Vieira como mais exposto de seus atores masculinos, cada um interpretando uma faceta de António, Santynho, Xoramyngas, Anymal, Levezyto, Tanguysta, Sekretysta.

Marido, namorado, amante de outras tantas entidades do sexo oposto corporizadas por Lúcia Sigalho, num projeto organicamente construído da experimentação com atores a partir de investigação informal no terreno, moldando personagens ao relato dos fregueses de um dos postais ilustrados do Fado, o bairro da Bica.

Filipe Urriça, A Velha Guarda (Netflix)

A Netflix parecia ter em A Velha Guarda uma estreia interessante, sobretudo pela história que quer contar, visto inspirar-se numa banda desenhada com o mesmo nome. Charlize Theron e Chiwetel Ejiofor são os nomes mais conhecidos desta adaptação, porém o filme conta com sólidas interpretações. 

A narrativa apresenta-nos um grupo de quatro mercenários imortais, com a mesma capacidade regenerativa de Wolverine. Este grupo aceita missões para assassinar alvos com uma determinada importância e a sua eficácia é o seu ponto forte, visto terem mais do que uma oportunidade caso alguém os tente derrubar.

Infelizmente para estes mercenários imortais, o seu segredo foi exposto a um laboratório farmacêutico que vai fazer o que for necessário para replicar esta capacidade regenerativa aos seus clientes e comuns mortais. Esta é a parte menos interessante do filme.

O filme tem uma contradição muito grande: quer pintar estas personagens como sendo benfeitores, quando na primeira missão só têm de matar um indivíduo sem procurarem saber quem é. Uma grande parte deste exclusivo Netflix é passado com demasiada exposição das regras da sua condição e do passado das personagens.

Todavia, se vêm um filme deste género pela ação, aqui há bastante e boa, especialmente as cenas de luta que envolvem espadas. E é curioso saber que o filme tem confiança suficiente para terminar com uma cena final a partir da qual uma sequela poderá aproveitar para continuar com os eventos de A Velha Guarda. 

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!