VideoGamer Portugal por - Jun 19, 2022

O que andamos a ver, 19 de junho, 2022

O que andamos a ver regressa nesta manhã dominical com mais um trio de recomendações para os leitores do VideoGamer Portugal. A equipa versa sobre dois filmes bem diferentes e ainda sobre uma série que parece encontrar sempre maneiras para se superar quando chega ao catálogo do Prime Video.

A Cabeça da Aranha (Spiderhead) é um dos grandes destaques da semana para a Netflix. Assinado por Joseph Kosinski, estamos perante uma proposta de ficção científica que, mesmo não elevando o género com respostas capazes de deixar o espectador a contemplar existências, também não é uma desilusão. Isto segundo o Pedro Martins.

O Marco Gomes teve oportunidade de ver 45 Anos. Realizado por Andrew Haigh e lançado originalmente em 2015, continua a ser uma história avassaladora. “Charlotte Rampling com um desempenho à prova de mácula,” escreve o Marco sobre uma prestação que continua a ecoar indiferente à passagem do tempo.

Finalmente, encontramos as palavras de Filipe Urriça a encerrar este O que andamos a ver. O redator teve oportunidade de ver The Boys, a série que coloca o Prime Video nas notícias sempre que há uma nova temporada. “The Boys continua a ser obrigatório ver para quem tem uma subscrição na Amazon Prime Video,” afirma sem margem para grandes dúvidas.

Pedro Martins, A Cabeça da Aranha (Netflix)

A Cabeça da Aranha – ou Spiderhead na versão original – chegou recentemente ao catálogo da Netflix e, sem grande surpresa, é neste momento o filme mais visto na plataforma. Realizado por Joseph Kosinski, que recentemente assinou Top Gun: Maverick, é uma película inspirada num conto assinado por George Saunders e publicado na revista The New Yorker.

Spiderhead é também o nome de uma prisão e centro de pesquisa pouco comum. Aqui os prisioneiros servem como cobaias para testarem drogas experimentais que alteram a sua disposição. Quando administradas, são drogas que aumentam a libido, que melhoram a linguagem, ou que aterrorizam os pensamentos, por exemplo.

Kosinski entrega uma película, como provavelmente já adivinharam, que encaixa nos moldes de um thriller de ficção científica. No centro da trama está Steve Abnesti (Chris Hemsworth) como o responsável pelo estudo. É ajudado por Mark (Mark Paguio), que é assombrado por questões éticas.

Do outro lado da barricada, ou seja, como prisioneiros no centro estão duas personagens principais. Jeff (Miles Teller, que também marca presença em Top Gun) e Lizzy (Jurnee Smollett). Ficamos a saber mais sobre o seu passado, os motivos que os levaram a ser encarcerados; vamos testemunhando como é que as dúvidas são transformadas em revolta.

Não é um filme mau, ainda que tivesse gostado de mais contexto para a vida de Steve e para a sua empresa. Gostava, sobretudo, que as questões mais filosóficas – quem somos e o que são as linhas do livre-arbítrio, se é que existem – fossem abordadas durante esta viagem. Fica uma excelente prestação de Hemsworth, que demonstra um leque enorme de emoções, algumas das quais controladas pelo seu MobiPak.

Marco Gomes, 45 Anos (DVD)

A falta de equilíbrio é um dos mais democráticos defeitos em arte. A que aqui nos traz então rasga a eito, discriminando por esse critério sem tentativa de compartimentação, seja o épico milionário para público casual ou drama íntimo feito com fundos próprios e curto alcance mediático.

Revestindo-se de aparente injustiça não é sequer garantida a diferenciação por grau, dependendo do contexto poderá ser tão ou mais danosa por intrusão minimal como em estruturas de pornográfica incompetência.

45 Anos (2015), 45 Years, de Andrew Haigh é o espaço temporal da relação casamentária de Kate e Geoff Mercer, desenvolvendo-se o espectro narrativo na semana que antecede a comemoração. Um arrebate passional no outrora de Geoff ressuscita ciumeira na esposa pelo fantasma de outra mulher.

A abordagem elegante e sensível a uma estória íntima da possibilidade vivencial tem-se apunhalada pela, mesmo que parcialmente assumida na película, inverossimilidade no facto que reaviva a desconfiança do casal.

Mas também por um argumento de sustentação frívola, ou não tanto assim quando muitos realizadores evitam o recurso a atores cuja imagem está amplamente projetada. Charlotte Rampling com um desempenho à prova de mácula, entre outros atestado pelo galardão de melhor interpretação feminina no Festival de Berlim e Prémios Europeus de Cinema, fica refém da memória do espectador através do perfil maioritário de personagens levantadas em quase seis décadas de carreira.

Filipe Urriça, The Boys (Prime Video)

The Boys é uma excelente série e é produzida com o intuito de chocar audiências (ainda bem que o faz). O grande exclusivo da Amazon Prime Video continua tão hilariante como macabro, com uma violência gráfica tão grande que diverte de tão exagerada que é. Quando a Disney é incapaz de nos dar uma série da Marvel com este nível de exagero, com cabeças a explodir ou membros decepados, é bom termos uma Amazon Prime Video a adaptar bandas desenhadas que outros não têm coragem de adaptar.

Homelander ainda é aquele vilão fenomenal que aterroriza só com o seu olhar. Sinceramente, é a rivalidade entre Billy Butcher e Homelander que faz esta série ser tão boa. Por um lado, temos Billy que quer exterminar todos os heróis criados pela Vought. Por outro, temos Homelander que é essencialmente um Super-Homem sem um pingo de moralidade, que quer poder estar livre de fazer tudo o que quiser sem limitar os seus poderes.

Farto da impunidade de Homelander, que mata quando bem lhe apetece, Butcher quer pôr fim ao seu reinado de terror. Para isso vai ter que se aliar a indivíduos criminosos e arranjar formas menos convencionais para conseguir fazer o que quer. Há personagens muito cativantes e desenvolvimentos de personagens já conhecidas, como Frenchie, que tomam contornos muito interessantes. Francamente, The Boys continua a ser obrigatório ver para quem tem uma subscrição na Amazon Prime Video.

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