A equipa VideoGamer Portugal voltou a reunir-se para edificar uma nova versão da lista semanal com o conteúdo que anda a ver, publicando assim um novo lote de recomendações para os leitores que optarem por um domingo caseiro. E este domingo há dois filmes díspares e a série que continua a ser uma das coqueluches do Prime Video da Amazon.

O Pedro Martins aproveitou a chegada de Joker aos canais TVCine para finalmente assistir à obra realizada por Todd Phillips. Meses depois de a obra ter estado nas bocas do mundo, ficam as impressões de quem acompanhou as polémicas, os amores e os ódios a alguma distância. Sem grande surpresa, as palavras mais elogiosas são endereçadas à prestação de Joaquin Phoenix.

Posteriormente, a segunda participação é assinada por Marco Gomes. O responsável pelas imagens publicadas juntamente com as análises e os artigos do VideoGamer Portugal escreve esta semana sobre Os Fabulosos Irmãos Catita. São alguns parágrafos sobre o filme que regista um concerto no Ritz Club, em 1996, da banda que é sinónimo de Manuel João Vieira.

Por sua vez, este domingo o Filipe Urriça encerra este artigo com as suas palavras sobre Fleabag, série que tem duas temporadas disponíveis no Prime Video. Saída da mente de Phoebe Waller-Bridge, a série é um excelente exercício humorístico, cáustico e emocional sobre uma vida londrina sem preconceitos.

Pedro Martins, Joker (TVCine Top)

Depois de ter gerado uma enorme celeuma desde que chegou às salas de cinema em 2019, Joker estreou recentemente nos canais TVCine e finalmente tive oportunidade de ver a película assinada por Todd Phillips. É um filme pesado e uma obra que consigo finalmente compreender ter colocado tantos em posições extremadas, amando ou odiando aquilo a que assistiram.

Joker, o filme, faz bem a apresentação inicial da personagem, optando por sublinhar a vida de Arthur Fleck e como é que essa mesma vida o levou a transformar-se em Joker. A cadência dos acontecimentos é gerida com alguma mestria, incluindo alguns flashbacks e o efeito imediato que têm na vida de Arthur, como quando o seu já frágil seio familiar é estilhaçado.

Quando Arthur chega a Joker, há muito que se tornou evidente que Joaquin Phoenix é inequivocamente o grande destaque. Não importa muito se faz ou não um trabalho melhor do que Heath Ledger ou Jack Nicholson, mas sim o que este Joker consegue fazer pelo filme e, consequentemente, pelo espectador. E consegue fazer muito.

Os maneirismos que Phoenix introduz na personagem são evidentes, desde a forma como caminha, passando pela dança que vai ganhando mais e mais simbolismo, até chegar ao sorriso e à gargalhada. É uma gargalhada que tem uma explicação no argumento, sim, mas que dá uma pujança progressiva ao protagonista. É um filme que mostra uma personagem a afundar-se no mundo para erguer-se dentro da sua mente.

Há alguns exageros metafóricos, especialmente na reta final, mas mesmo assim é uma obra que merece duas horas do vosso tempo. Mesmo que não sejam fãs da personagem ou do realizador, Joker consegue colocar no ecrã um Joaquin Phoenix com uma performance memorável.

Marco Gomes, Os Fabulosos Irmãos Catita - Very Sentimental Show (DVD)

O protesto fica feito. Contendo o título um adjetivo laudatório ao susodito conjunto musical, quem sobre o substrato discorre, havendo bom-senso, impedido está de o fazer. Como sensatez não é faculdade prioritária à identidade de quem tecla estes caracteres, repete-se o elogio na apresentação d’Os fabulosos fabulosos Irmãos Catita.

Num tempo onde calcar ligeiramente o risco em temáticas sensíveis dá direito a apedrejamento público, guindam-se Os Irmãos Catita, assim como Ena Pá 2000 e Corações de Atum, os outros projetos no domínio da música transversais ao imaginário de seu líder, o multifacetado artista Manuel João Vieira, ao patamar de intocáveis pelo excesso, irreverência e ordinarice com que sempre foram reconhecidos.

Isso mesmo está patente em Os Fabulosos Irmãos Catita - Very Sentimental Show (2005), registo vídeo de um concerto no Ritz Club em 1996 demonstrando apego ao imprevisto e improviso na ideia de espetáculo total onde não faltaram números de ventríloquo, streap-tease integral e incursões por repertórios alheios como da música popular brasileira ou ligeira italiana.

Com realização de Rui Simões é a componente técnica de pungente foleirice, o que, fazendo jus à estética do referencial, não iliba a mediocridade de, à cabeça, a captação e edição de som. Para adocicar traz o disco como suplemento apanhados dos concertos no Cinearte em 1993 e Queimas das Fitas de Coimbra em 1994.

Filipe Urriça, Fleabag (Prime Video)

Esta semana assisti ao que considero ser uma das melhores séries que vi até hoje. É uma excelente comédia britânica criada, escrita e protagonizada por Phoebe Waller-Bridge, que se destacou na gala dos Emmy do ano passado e agora percebo porquê.

Fleabag é uma comédia pautada por momentos dramáticos que acompanham a vida da protagonista, ao longo da dúzia de episódios da série. Pessoalmente, como muita gente, gostava imenso que a série não se tivesse ficado pelos doze episódios, contudo acaba tão bem que não precisa de mais para se tornar memorável.

A série funciona como uma espécie de diário íntimo da atriz principal, até porque esta faz comentários para a audiência, o que é conhecido como breaking the fourth wall. Assim ficamos a conhecer detalhes da sua vida e das vidas de quem lhe é próximo.

Aqui não lugar para brejeirice ou comédia slapstick, em Fleabag rimo-nos das situações em que a personagem principal se coloca e o que faz para sair delas. A protagonista é uma ninfomaníaca e o que, ao princípio se revela cómico, não tarda para que tenha uma influência negativa na sua vida, uma porta escancarada para entrar num drama profundo.

Ainda posso dizer que ao introduzir um padre na segunda meia dúzia de episódios da segunda temporada, a série eleva a fasquia desde o primeiro episódio e mantém-se lá no alto. E quando se gosta de personagens detestáveis, é porque o argumento é excelente e muito bem escrito.

Não fico espantado de Phoebe Waller-Bridge ter vencido os prémios de Melhor Argumento e de Melhor Atriz Principal, para além de Fleabag ter ganho o prémio de Melhor Comédia, nos Emmy de 2019. Passou a ser uma das minhas séries favoritas com grande facilidade.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!