Mesmo com a chuva a prometer dar algumas tréguas este domingo depois de vários dias de presença assídua, a equipa VideoGamer Portugal apresenta três recomendações de filmes baseadas no que andou a ver durante os últimos dias, caso prefiram marcar as saídas de casa para outro fim de semana.

O primeiro texto que podem ler é assinado por Pedro Martins. Sexta-feira chegou ao catálogo da Netflix Diamante Bruto e o diretor de conteúdos não deixou escapar a oportunidade de ver uma das obras mais celebradas dos últimos meses. Como poderão ler, é bastante fácil compreender tamanhos elogios feitos desde que a película estreou.

Posteriormente, o Marco Gomes deu folga à sua coleção de DVD e foi ao cinema. O filme que o levou a tomar essa decisão tem Bruno Aleixo como protagonista. Fã confesso do humor de Pedro Santo e João Moreira, o responsável pelas imagens do VideoGamer Portugal não saiu da sala de cinema completamente rendido à nova proposta.

Finalmente temos a proposta de Filipe Urriça. Continuando a aproveitar as propostas dos canais TVCine, o redator dedicou alguns dos seus minutos esta semana a Johnny English. Personagem que marcou a carreira de Rowan Atkinson‎ após o fenómeno Mr. Bean, podem ler as considerações do Filipe no final deste artigo.

Pedro Martins, Diamante Bruto (Netflix)

A causar bastante burburinho desde que chegou às salas, Diamante Bruto - ou Uncut Gems na versão original - chegou há dias ao catálogo da Netflix. É uma obra de fácil recomendação, não dando tréguas ao espectador e não perdendo tempo a dar-lhe grande contexto para as ações que decorrem ao longo destas duas horas.

Howard Ratner (Adam Sandler) tem uma pequena joalharia em Manhattan, Nova Iorque. Entre o tempo dedicado à sua família e aos negócios, parece que quase tudo corre mal a Ratner, incluindo uma aposta que lhe ia mudar a vida. Deve dinheiro a várias frentes e vive motivado por uma opala que é encontrada numa mina na Etiópia na breve introdução que arranca a obra.

Assinado pelos irmãos Josh e Benny Safdie, Diamante Bruto é uma expressão crua e sem filtros de vidas que lutam para se manter à tona. Ninguém é perfeito, ninguém tem dias fáceis enquanto tentam equilibrar vários pratos. Como se o filme fosse um íman, o espectador é atraído para esta frenética e caótica ilustração das vidas nova-iorquinas.

Sandler é um caso curioso: muitos criticam o actor e os filmes em que participa, mas são também muitos os que vêem quase tudo o que faz. Em Diamante Bruto, uma obra muito longe do seu registo habitual, o ator tem uma prestação memorável. São muitos os planos feitos e são muitos os planos desfeitos. Assistir a tudo é uma das viagens cinematográficas que marcou o meu arranque de 2020 - e o final faz qualquer um estremecer.

Marco Gomes, O Filme do Bruno Aleixo (Cinema)

Do modestíssimo berço em 2008, dez vídeos de meio minuto na internet, tornou-se a personagem de Bruno Aleixo, e o universo à sua volta criado, num fenómeno de culto capaz de galgar fronteiras, atingindo razoável disseminação no Brasil, principalmente em suas metrópoles, São Paulo e Rio de Janeiro.

Caso de estudo de humor votado a nicho conseguindo abrangência na diferenciação, verdade seja dita, uma dúzia de anos volvida continua a proposta a ser única no panorama lusitano do riso, baseando-se essencialmente no espaço quotidiano do cidadão comum e não em acontecimentos que de mediatismo pontuam a sociedade.

Característica idiossincrática que o é pelo que tem da vida dos autores, Pedro Santo, João Moreira, e dos que lhes estão próximos, a começar na circunscrição geográfica, Coimbra e arrabaldes, ao mais das vezes assemelhando-se à construção de um imaginário coletivo tendo por alicerce a piada privada.

Por engenhoso que lhes tenha parecido como responderia a personagem ao desafio de Luís Urbano, produtor da O Som e a Fúria, em a levar para o grande ecrã, não deixa de ser O Filme do Bruno Aleixo (2019) exemplo de premissa demasiado conveniente, acabando na previsível troca de ideias com os camaradas, Homem do Bussaco, Renato Alexandre e Busto, sobre qual a orientação da película, e ainda mais previsível oportunidade de sátira ao género cinematográfico.

Como Aleixo a quem fora dado três meses para apresentar um guião da obra e deixa para o último dia a entrega de uma ideia, sente-se não terem Santo e Moreira acautelado a preceito a transição de formatos, falhando em manter consistente e estimulante hora e meia de metragem. Mesmo com apontamentos inspirados, é tanto maior a desilusão conquanto deveria o filme ser corolário de seu talento e esforço.

Filipe Urriça, Johnny English Volta a Atacar (TVCine)

Rowan Atkinson é uma mestre da comédia expressiva, mas acaba por ser conhecido apenas por um ou dois papéis que desempenhou ao longo da sua carreira. Mr. Bean é a personagem que associamos imediatamente a este ator e, por muito que Johnny English seja uma personagem diferente, continuam a verem-se traços de Mr. Bean neste filme de agentes secretos.

Este não é um filme prodigioso no que toca à comédia, mas não são raras as vezes que nos podemos rir com situações caricatas que envolvem o agente secreto britânico. Contudo, também são muitas as vezes em que as situações criadas para a comédia são exageradas e forçadas.

Os filmes de comédia têm essa fragilidade, ou têm uma comédia mais leve que se focam em dramas ou não funcionam como deveriam. Infelizmente, Johnny English Volta a Atacar tem tendência a estar mais próximo deste segundo ponto. Não recomendo este filme para todos, mas se gostam do humor interpretado por Atkinson esta é a escolha certa.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!