VideoGamer Portugal por - Jan 2, 2022

O que andamos a ver, 2 de janeiro, 2022

O que andamos a ver terminou 2021 a versar sobre duas obras inseridas na quadra festiva e uma terceira que destacava Sorrentino. A rubrica começa 2022 com dois blockbusters há muito aguardados e também sobre uma película que ilustra a fórmula dos irmãos Dardenne.

Virando-se para o catálogo da Netflix, o Pedro Martins viu as mais de duas horas do exclusivo Não Olhem Para Cima. É inegavelmente um dos filmes do momento, angariando espectadores que adoraram o que Adam McKay fez e outros que detestaram. O diretor de conteúdos gostou do que viu.

O Marco Gomes começa o ano a escrever sobre Dois Dias, Uma Noite, um filme dos já mencionados irmãos belgas Dardenne. Afirma que, mesmo desafiando a sentença, a fórmula está “esfalfada”.

Podem também ler as impressões com que Filipe Urriça ficou de O Livro de Boba Fett, a nova coqueluche do Disney+. Está “confiante que vou adorar esta nova etapa de Star Wars”, segundo é mencionado, ainda que esteja apenas disponível o episódio de estreia.

Pedro Martins, Não Olhem para Cima (Netflix)

É praticamente impossível não ficarmos assoberbados com o elenco de Não Olhem para Cima. O exclusivo Netflix – Don’t Look Up no seu título original – tem feito as delícias de muitos enquanto se transformou num ódio de estimação para quase tantos outros. Não há meio termo com a nova película de Adam McKay.

O argumento que alimenta as quase duas horas e vinte minutos do filme começa quando Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence), uma estudante de pós-graduação, e o seu professor, Dr. Randall Mindy (Leonardo DiCaprio), descobrem que um enorme cometa está em rota de colisão com a terra. A ameaça desta descoberta é a quase garantida extinção da humanidade.

Não Olhem para Cima coloca imediatamente a dupla a apresentar a sua descoberta à Presidente dos Estados Unidos da América (Meryl Streep). Não sendo levados a sério, continuam os seus esforços pela via popular – são convidados para um programa televisivo que tem como apresentadores Brie Evantee (Cate Blanchett) e Jack Bremmer (Tyler Perry).

Com o Planeta Terra ameaçado, o filme instiga nas noções que a humanidade não está preparada e que simplesmente não quer saber. Pelo caminho vai colocando o dedo na ferida, seja no que se refere às alterações climáticas ou até mesmo no combate à pandemia de COVID-19. São várias as piadas e as alfinetadas que cada um é naturalmente livre para interpretar à sua maneira.

Um claro exemplo do que McKay está a tentar fazer é a frase “baseado em possíveis eventos verdadeiros” que podemos ler no poster da obra. Para mim, o filme resulta. Curiosamente, há uma cena onde é possível ver a equipa de filmagens no próprio filme. O realizador explicou que não é um erro, tratando-se de uma decisão consciente.

Se é ou não, apenas ele e a sua equipa saberão. Não Olhem para Cima conta a história de quem nos está a tentar avisar. Não vou versar sobre o seu final, apenas mencionar que é uma conversa que vale a pena ter. E quem quiser fazer parte deste diálogo terá que o ver – seja para se apaixonar pela proposta ou não.

Marco Gomes, Dois Dias, Uma Noite (DVD)

A fórmula dos irmãos Dardenne está esfalfada. A cada filme Jean-Pierre e Luc desafiam a sentença, tentando demonstrar a validade de seu cinema social, antítese da película escapista.

Na proposta de 2014, Dois Dias e Uma Noite, da tradução direta Deux Jours, Une Nuit, os manos belgas apresentam um enquadramento narrativo aparentemente circunscrito, e mesmo que baseado em episódios reais pouco representativo, o que belisca a valia do conjunto, confrontando-nos com dilemas ético-morais vazados do mercado laboral.

Um patrão propõe a um grupo de colaboradores escolher entre um prémio de desempenho de mil euros ou a manutenção de um posto de trabalho na equipa, o de Sandra, na altura em baixa médica. Com a influência do chefe de turno a condicionar o resultado da votação, nova se agendou, tendo aquela os dois dias e uma noite do título para demover os colegas de indiretamente a despedir.

Sabendo da predileção dos realizadores em recorrer a atores não-profissionais, ou sendo-o, de anã escala mediática, intriga a escolha de Marion Cotillard para incorporar a protagonista. Restituída à essência da função sem a rede de artifícios técnicos que marcam a generalidade de suas aparições em Hollywood, e bem coadjuvada por Fabrizio Rongione, explica hora e meia de fita a transversalidade de seu talento.

Filipe Urriça, O Livro de Boba Fett (Disney+)

Estreou, finalmente, O Livro de Boba Fett, uma série dedicada à mítica personagem de Star Wars. É um caçador de recompensas que apareceu na trilogia original de George Lucas, apesar de muito pouco tempo de antena e do seu destino estar, aparentemente, traçado. Desconheço se as animações pegaram na personagem de Boba Fett, contudo, recentemente, este indivíduo misterioso regressou em The Mandalorian.

Confesso que estava muito curioso em saber o que a Disney iria fazer com Boba Fett, como só saiu um episódio, só posso afirmar que estou confiante para ver o que será exibido nas próximas quartas-feiras. Boba Fett, com a sua companheira de viagem Fennec Shand, quer-se apoderar do império criminal deixado por Jabba the Hutt, mas com uma governação com base no respeito e não no medo, pelo menos é o que nos dizem os vídeos promocionais da série.

Apesar de ainda só haver um único episódio no Disney +, com 38 minutos, é possível adivinhar que O Livro de Boba Fett manterá esta estrutura narrativa. Este foi um episódio com alguns flashbacks, onde vemos o que aconteceu a Boba Fett após ter caído no Sarlacc em Return of the Jedi, assim como todos os acontecimentos posteriores que justificam a sua sobrevivência.

O que me parece, é que estes eventos marcaram profundamente esta personagem, se vão refletir nas ações que vai tomar para reinar no trono de Jabba. E é precisamente nisto que tenho um particular interesse, saber como é que o pretérito de Boba Fett afetará as suas decisões e ações que tomará nesta nova série. Sinceramente, acho que estão aqui bons ingredientes para uma excelente série e com o historial de Jon Favreau e de Dave Filoni estou confiante que vou adorar esta nova etapa de Star Wars.

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