VideoGamer Portugal por - Feb 20, 2022

O que andamos a ver, 20 de fevereiro, 2022

O que andamos a ver publicado este domingo leva-nos até dois serviços de streaming bastante diferentes e por uma nova proposta em DVD. Há uma série de ficção científica, um dos clássicos da Disney, e uma película assinada por Bruno Dumont.

O Pedro Martins viu os dois episódios de Severance que estão disponíveis na Apple TV+. É uma das melhores séries que a gigante de Cupertino colocou no seu serviço e uma das grandes estreias de 2022 até ao momento. Versa sobre a vida de escritório com uma grande dose de ficção científica – a separação das memórias pessoais e profissionais.

Por sua vez, o Marco Gomes teve oportunidade de Ma Loute, filme de Bruno Dumont que teve estreia em 2016. Com um elenco onde podemos encontrar Juliette Binoche, afirma o Marco que “é exactamente a partilha de linhas intactas do mesmo código genético que valida o surrealismo projectado ao infinito de Ma Loute”.

A encerrar esta edição, podemos ler os parágrafos de Filipe Urriça sobre Vaiana. Curiosamente, é também uma película que está disponível desde 2016, afirmando-se com argumentos muito diferentes de Ma Loute. Dispensa grandes apresentações, mas não deixem de ler a opinião do Filipe no final deste artigo.

Pedro Martins, Severance (Apple TV+)

Severance – ou Separação em português – estreou sexta-feira passada no Apple TV+ e é uma das melhores propostas que tive oportunidade de ver no serviço da gigante de Cupertino. Estão disponíveis dois episódios e é um arranque fulminante, deixando-me seguramente investido para o resto da temporada. Aliás, se continuar com este nível, poderá ser mesmo uma das séries a marcar por 2022.

Criada por Dan Erickson, é uma proposta que nos mostra o que é trabalhar nos escritórios da empresa Lumon Industries. Sem entrar em território de spoilers, importa ser destacado que os seus funcionários submeteram-se a uma cirurgia que separa as memórias de quem são no escritório e de quem são na sua vida particular.

O que acontece durante as horas profissionais, então, não tem continuação quando os funcionários se despedem do dia. Contudo, no início da temporada chega uma nova colega, Helly (Britt Lower), que não demora a ter muitas questões sobre o que lhe aconteceu.

Estes episódios servem para apresentar as personalidades das diferentes personagens lideradas por Mark Scout (Adam Scott), mas que contam no elenco com Irving (John Turturro), Dylan (Zach Cherry) e a figura máxima da empresa, pelo menos até este momento, Harmony Cobel (Patricia Arquette).

O argumento seduz, com os espectadores a perguntarem-se realmente a quem pertencem estas vidas – enquanto trabalham na Lumon e quando regressam a casa. Há revelações que marcam e que abrem o argumento que mistura ficção científica com comédia, encontrando um equilíbrio bastante saudável.

Assim que tiverem oportunidade, vejam Severance. Nem que seja pela realização – estes dois episódios foram comandados por Ben Stiller – e pela estética, vale a pena. O escritório, os longos corredores, os cubículos, tudo desprovido de vida para que as vidas das personagens possam brilhar; tudo apresentado de uma forma crua. É opressivo sua mesclagem de retro com futurista. Severance é uma enorme surpresa e uma recomendação fácil, uma das grandes estreias de 2022 até ao momento.

Marco Gomes, Ma Loute (DVD)

Das linhas então aqui deitadas fui porventura expansivamente acanhado para deixar inferir O Pequeno Quinquin (2014) como um dos filmes que mais me impressionou entre os visualizados no ano passado.

Generosa culpa tê-la-á a completa ausência de referências do trabalho de Bruno Dumont. Tentando suprir a falha logo vasculhei em nosso mercado doméstico de cinema para constatar a pobreza franciscana de uma única entrada, a agora trazida.

Ma Loute (2016), Minha Lontra na tradução literal, é nome do filho mais velho de uma família de canibais, enamorando-se com uma jovem aristocrata que posteriormente descobrirá ter, na expressão da obra, “colhões”. Distribuição equitativa de bizarria e absurdo como o disfuncional casamento no elenco, a gente inimaginável a viver perante câmaras junta conhecidos da plateia internacional: Juliette Binoche, Fabrice Luchini, Valeria Bruni Tedeschi.

Passível de escárnio por conter elementos fac-símile d’O Pequeno Quinquin, exemplos no inteiro lote de personagens retardadas, entre elas a suprema evidência na dupla de investigadores de desaparecimentos em série – tão inoperacionais como Van der Weyden e Carpentier -, é exactamente a partilha de linhas intactas do mesmo código genético que valida o surrealismo projectado ao infinito de Ma Loute.

Menção para um aspeto técnico nuclear na identidade visual dos filmes, raramente sacudido do ostracismo na matéria crítica. Afirmando galhardamente o artificialismo conferido pelo software de edição, sem abusar do recurso na procura desesperada de injectar valor plástico falidos que estão demais argumentos, apresenta a fita interessante abordagem à cor, extraindo saturação para ampliar em vibratilidade os horizontes da costa mediterrânica gaulesa.

Filipe Urriça, Vaiana (Disney+)

Para esta nova edição da nossa rubrica de fim de semana escolhi Vaiana, ou Moana para quem só conhece a versão norte-americana, pelo simples facto de nestes dias só ver televisão e Disney+ e, ultimamente, tem sido difícil ver algo que não seja um filme ou série de animação.

Sinceramente, nem me importo, porque adoro ver os filmes de animação da gigante de Burbank, sejam eles da Pixar ou da Walt Disney Animation Studios. Para já, a minha filha de três anos só tolera filmes que tenham músicas, portanto, filmes como Frozen, Encanto, Branca de Neve ou, neste caso, Vaiana. Apesar de não ter a profundidade narrativa de Encanto, Vaiana também é um muito bom filme de animação e com muitas boas músicas.

Não sei porquê, mas a personagem que a minha filha mais gostou foi o Maui. Esta personagem, que é interpretada por Dwayne Johnson, é a razão pela qual Vaiana parte à aventura. Esta personagem do The Rock tem uma música muito boa, sobretudo pelo final cómico e pela narrativa que entrega sobre a explicação de quem é Maui.

Também dou muito valor ao filme por não ser mais um conto de fadas com princesas, que se encaixam no típico estereótipo de miúdas que fazem tudo o que os pais querem e vão viver felizes para sempre com o seu príncipe encantado. É uma história onde uma jovem procura felicidade e encontra-a nas suas origens, apesar de toda a ajuda que procura a indicar no caminho oposto. Vejam Vaiana, mesmo na versão portuguesa, é um filme que se vê muito bem com os miúdos.

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