por - Jun 20, 2021

O que andamos a ver, 20 de junho, 2021

Num domingo com uma meteorologia que desafia a noção que temos de junho, a equipa VideoGamer Portugal apresenta neste O que andamos a ver três opiniões sobre o que tem andado a testemunhar nos ecrãs dos seus dispositivos. Como é habitual, são três géneros distintos de outras tantas plataformas.

O Pedro Martins continua a explorar o catálogo da Netflix. Depois de na semana passada ter escrito sobre o imperdível Inside de Bo Burnham, agora é a vez de Passageiro Acidental ser mencionado. Um filme que nos leva até ao Espaço para levantar questões que abundam sem tirarmos os pés do chão.

A segunda opinião que podem ler este domingo chega-nos de Marco Gomes, que continua a dedicar o seu tempo a passar em revista Astaire e Rogers. Leiam o que o responsável pelas imagens encontrou em Roberta, obra de 1935.

Finalmente, a terminar esta edição da rubrica O que andamos a ver estão as palavras de Filipe Urriça. O redator continua a passear os olhos pelo conteúdo Disney+ e hoje coloca o foco em Marvel’s M.O.D.O.K., uma das séries do momento juntamente com Loki.

Pedro Martins, Passageiro Acidental (Netflix)

Há muito que Hollywood está fascinada com o Espaço, continuando a produzir uma quantidade assinalável de filmes que tendem a não correr pelo melhor aos protagonistas. Passageiro Acidental chegou ao catálogo da Netflix depois de ter sido realizado por Joe Penna e, sem grande surpresa, coloca em evidência um angustiante drama.

Além de ser fácil de compreender, o argumento não apresenta grandes áreas cinzentas. Uma equipa de exploradores espaciais realiza uma missão bem preparada e estruturada que sofre um enorme revés: é descoberto um passageiro inesperado que coloca em causa o oxigénio que deixa de chegar para que todos sobrevivam.

As implicações morais são automaticamente colocadas: o que fazer quando um coloca em risco a sobrevivência de todos? A resposta vai sendo dada ao longo de quase duas horas. Os protagonistas são interpretados por um elenco de luxo: Toni Collette é o destaque ao dar vida a Marina Barnett, a veterana da missão. Anna Kendrick, Daniel Dae Kim e Shamier Anderson fazem também um trabalho sólido.

Passageiro Acidental nem sempre consegue obter um equilíbrio entre os momentos mais agitados e tensos, e aqueles que servem para estabelecer as personagens. Não é um mau filme, mas a premissa podia ter sido melhor aproveitada se fosse dada mais profundidade à moral, à ética e às questões raciais.

Marco Gomes, Roberta (DVD)

Um dos queixumes que fiz questão desde logo assinalar na edição Mon Inter Comerz de Astaire and Rogers: 6-Film Collection prende-se com a escassa, e da escassa pouco organizada, informação de caixa. Por exemplo, a datação é omissa, levando-me a seguir a ordem sequencial dos DVDs, que, como infelizmente esperava, não se encontra emparelhada com a cronológica.

Nesse fio condutor é Roberta (1935) a terceira entrada do pacote, com lançamento original cerca de, respetivamente, década, década e meia antes das por cá passadas, algo que, mesmo não sendo estanque a história da evolução técnica no meio, se denuncia pelo monocromatismo da película.

Roberta é igualmente um desses – infelizmente – incontáveis casos onde se vale Hollywood do poder de atração do cartaz para tapar o sol com a peneira. Uma trupe musical americana contratada ao enganado para atuar em França, o legado de um nome forte da alta-costura parisiense, a tal Roberta do título, à deriva após sua morte, membros da família real russa como assalariados, uma comum cidadã americana a passar-se por princesa polaca, nenhuma cola lógica une elementos narrativos tão dissociados e o coletivo definha.

Filipe Urriça, Marvel’s M.O.D.O.K. (Disney+)

A Disney Plus tem sido um serviço de streaming que tem mostrado os seus grandes trunfos nestes últimos meses. Pessoalmente, visto que nós não temos Hulu, acho que Marvel’s M. O. D. O. K. é um desses grandes trunfos, dando-nos a conhecer um vilão da gigante norte-americana das bandas desenhadas de super-heróis. Num formato sitcom, bastante cómico, a fazer lembrar um dos melhores programas da MTV, Celebrity Death Match, tenho acompanhado semanalmente os episódios desta série.

M. O. D. O. K. é o nome desta peculiar personagem, um acrónimo que significa Mental Organism Designed Only for Killing. Apesar da sua maldade em querer dominar o mundo, este falha redondamente os seus objetivos. Logo no primeiro episódio, Modok não consegue vencer Iron Man, e dado o avultado gasto monetário para levar a cabo esta missão, a sua empresa AIM está à beira da falência. Inconformado com esta situação, Modok vai tentar recuperar a AIM e voltar à sua liderança.

Para efeitos cómicos, Modok toma, quase sempre, as piores decisões possíveis, assim como tem um ego do tamanho da sua enorme cabeça. É além de ter de enfrentar os seus problemas laborais, ainda tem uma família à qual tem de dedicar parte do seu dia. É uma vida difícil para um vilão que só quer conquistar o mundo.

Com tanto cancelamento de séries Marvel, até me admira que o Kevin Feige tenha mantido uma série como esta, porque para além de apresentar um vilão pouco conhecido, esta série é feita em stop motion, detalhes que têm uma maior probabilidade de ditar o fim da série do que a sua continuidade.

Mas enquanto esta série ainda se mantém ativa, vejam-na porque é uma excelente comédia com Patton Oswlat no papel principal, que é, sinceramente, a melhor escolha possível para interpretar uma personagem com o carácter de Modok.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments