VideoGamer Portugal por - Mar 20, 2022

O que andamos a ver, 20 de março, 2022

O que andamos a ver é publicado nesta manhã dominical para destacar um trio de filmes. Começando pela escolha de Pedro Martins, somos levados até Dune – ou Duna em português -, um épico de ficção científica escrito por Frank Herbert e recentemente adaptado a filme pelo experiente Denis Villeneuve.

O Marco Gomes teve oportunidade de ver A Fossa. Realizado por Wang Bing, é um documentário que ilustra o terror num dos campos de Mao no final dos anos cinquenta. A fossa é “o local onde seriam atirados trabalhadores com comportamento daninho segundo a direção do campo”.

A terminar O que andamos a ver este domingo temos as palavras de Filipe Urriça sobre um dos filmes do momento. Turning Red chega-nos das mentes da Pixar e encontrou um fã no Filipe. Uma viagem até 2002 que vale bem a pena ser vista, segundo o redator.

Pedro Martins, Dune (HBO Max)

Dune é uma enorme ópera espacial, tanto no espectáculo como nos minutos que precisa para contar a sua trama. O filme realizado por Denis Villeneuve dedica-se a ilustrar os acontecimentos que marcaram a primeira parte do livro homónimo assinado por Frank Herbert. É uma proposta que resulta melhor se tiverem sempre presente a noção que é apenas a primeira parte.

Somos levados até centenas de anos no futuro, quando Paul Atreides (Timothée Chalamet) está prestes a embarcar numa jornada que o levará até à sua nova casa num planeta deserto conhecido como Arrakis. Paul pertence a uma família nobre que é composta também pelo pai, Duke Leto (Oscar Isaac), e pela mãe, Lady Jessica (Rebecca Ferguson).

Ficam na memória as visões que Paul tem do futuro e as cenas épicas. Apesar de o filme ser longo, com aproximadamente duas horas e meia de duração, é praticamente impossível não ficar com a sensação que assistimos à preparação da segunda parte. É algo que pode ser frustrante para os espectadores que querem um final mais conclusivo.

Contudo, é também um filme em que Villeneuve consegue reinventar o interesse do espectador, guiando-o por um argumento aberto, que inclui incontáveis enigmas, muitos dos quais por resolver. Por exemplo, Chani, a personagem interpretada por Zendaya, que tem muito, mas mesmo muito, pouco tempo no ecrã.

Se gostam de ficção científica profunda, podem vê-lo na HBO Max. Mas preparem-se para ficar a contar os dias até à chegada da continuação. Depois de realizar os consagrados Blade Runner 2049 e O Primeiro Encontro, Villeneuve tinha uma tarefa hercúlea em mãos. E não desiludiu.

Marco Gomes, A Fossa (DVD)

Quem dá o que tem a mais não é obrigado. Superada a vintena de registos de Wang Bing como realizador, empacotou deles uma dupla a Midas Filmes na caixa lançada em mercado lusitano no ano da graça de 2016.

Se a fonte me não deixa mentir, o primeiro entrado na rubrica é única exceção ao currículo de um dos mais conceituados documentaristas chineses vivos. A Fossa (2010), The Ditch, sendo peça de ficção destapa a essência autoral nos acontecimentos reais que a inspiraram.

Nos idos cinquenta do século passado o governo de Pequim desterrou opositores ao regime, ou como tal denunciados, para um campo de trabalhos forçados situado no Deserto de Gobi. Além das agruras do ecossistema, desumanas condições de vida entregariam o repouso eterno de muitos às campas de areia.

A Fossa, referindo o local onde seriam atirados trabalhadores com comportamento daninho segundo a direção do campo, é um relato poderoso e chocante sobre os excessos doutrinários, não obstante dever ele mesmo ser mais enxuto de sequências onde opera a linearidade crítica.

Filipe Urriça, Turning Red – Estranhamente Vermelho (Disney+)

Ainda bem que Turning Red – Estranhamente Vermelho chegou ao serviço de streaming da Disney, já estava a ficar cansado de ver e ouvir Encanto. Até estava com receio da minha filha mais velha não ficasse fã deste filme Pixar (a minha mais nova fez um ano há pouco tempo, por isso ainda não liga muito a filmes, mas gosta bastante das músicas de Vaiana e Encanto), porque não costumam ter músicas ao longo do filme.

Como já se esperava de uma obra criada pela casa fundada por Steve Jobs, o foco de Turning Red são as emoções, desta vez a de uma jovem de origem asiática que está a entrar na adolescência. Mei é uma rapariga de treze anos com um excelente rendimento académico e com uma relação muito próxima com a mãe – talvez demasiado próxima.

A mãe de Mei é o que chamamos de mãe-galinha de tão preocupada que é com a sua filha, como é óbvio não lhe dá muitas liberdades e precisamente nesta altura que uma jovem como começa a pedir para sair com os amigos.

A família da protagonista sofre de uma maldição e quando sentem emoções fortes transformam-se num enorme panda-vermelho. Pela primeira vez na sua vida, Mei sofre esta transformação e como é normal fica assustada até conseguir perceber que tem de controlar as suas emoções para poder voltar ao normal. E é esta mudança para panda-vermelho que evidencia a má relação que, afinal, tem com a sua mãe.

Sinceramente, este é mais um filme muito bem conseguido pela Pixar. Turning Red representa muito bem o que é ser adolescente, algo que os adultos têm tendência a esquecer, principalmente quem os educa. Portanto, quem ainda não o viu deve vê-lo, até porque se passa em 2002, altura em que os jovens usavam os Nokia 3310 e brincavam com os Tamagotchi.

Pode ser insignificante mas achei muito bem terem colocado alguns miúdos diabéticos no filme, vê-se claramente que estão a usar sensores nos braços. Vejam Turning Red – Estranhamente Vermelho vale a pena.

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