A Formula 1 está prestes a estrear uma nova temporada - as luzes vermelhas do Grande Prémio do Bahrain vão apagar-se no próximo domingo - pelo que Pedro Martins atentou na estreia da terceira temporada de A Emoção de um Grande Prémio na Netflix. São dez episódios e o diretor de conteúdos viu nove desde a passada sexta-feira, um claro indício da representação em formato binging do desporto motorizado.

O Marco Gomes continuou a ver a Quarentena Cinéfila na Plataforma Medeia Filmes. Como podem ver na segunda recomendação este domingo, o responsável pelas imagens encontrou muito para escrever, o que resultou em algo próximo de um ensaio. São várias obras disponíveis entre os dias 1 e 18 de março que passaram pelo escrutínio do Marco.

Finalmente, o último destaque é O Falcão e o Soldado do Inverno, provavelmente o maior blockbuster presente neste artigo. Está disponível o primeiro episódio no catálogo Disney+ e se quiserem ficar a saber a opinião do Filipe Urriça sobre o mesmo, apenas têm que aceder à reta final desta edição d’o que andamos a ver.

Pedro Martins, Formula 1: A Emoção de um Grande Prémio (Netflix)

Não é a primeira vez que escrevo sobre Formula 1: A Emoção de um Grande Prémio neste espaço, contudo, a série documental da Netflix regressou na passada sexta-feira com a sua terceira temporada. Dos dez episódios, vi nove durante as últimas horas, o que é um claro indicador das garras afiadas com que esta proposta agarra o espectador.

Estamos perante os bastidores do desporto motorizado que em 2020 teve uma temporada condicionada, diferente. O calendário foi suspenso e quando regressou apresentou alterações, incluindo mais do que uma prova no mesmo circuito. A Emoção de um Grande Prémio adaptou-se, mas não perdeu a missão de relatar o que as câmaras não mostraram durante os acontecimentos em direto.

Aliás, estes episódios são, mais do que nunca, marcados pelo drama dos bastidores. Transferências como Sebastian Vettel da Ferrari para a Aston Martin, Carlos Sainz da McLaren para a Ferrari, ou a passagem de Sergio Pérez para a Red Bull fizeram correr muita tinta e estão bem retratadas no documentário. Ou, por exemplo, a paupérrima temporada da Haas e o seu desfecho, incluindo as conversas de Günther Steiner com Gene Haas - algumas das quais, bastante penosas.

A Emoção de um Grande Prémio dá destaque natural ao coronavírus, ao seu aparecimento e como pairou sobre o Grande Prémio da Austrália. Era algo expectável, mas faz com que o arranque da nova temporada seja o seu pior momento. Lento e versando sobre algo que não está relacionado com as corridas, pilotos ou equipas, faz com que os nove episódios ganhem progressivamente força.

E claro, há um episódio ancorado no acidente de Romain Grosjean. Um dos momentos que marcou a temporada, temos acesso a imagens e entrevistas exclusivas. Foram momentos dramáticos que não perdem força mesmo quando sabemos o seu desfecho. Aliás, este episódio faz com que a gravidade da situação seja compreendida melhor com relatos de quem lidou de perto e na primeira pessoa com a enorme bola de fogo que fez muitos temer o pior.

Resumidamente, se são fãs de Formula 1, A Emoção de um Grande Prémio torna-se uma recomendação fácil. Com a temporada 2021 prestes a começar no Bahrain, é a continuação da boa tradição de preparar os acontecimentos que ninguém consegue ainda prever. Mesmo que tenham a temporada pretérita bem delineada na memória, há novos ângulos, novos depoimentos, novas facetas deste drama sobre rodas, tantas vezes justificado e tantas vezes exagerado.

Marco Gomes, Quarentena Cinéfila - 1 a 18 Março (Plataforma Medeia Filmes)

Renovada a parceria Medeia Filmes/Leopardo Filmes para uma quarta fase -assim chamada pelos promotores- da segunda temporada Quarentena Cinéfila, fica aqui entretanto o rescaldo das obras apresentadas na anterior.

O Território (1981), The Territory, de Raúl Ruiz remete para o “período luso” de Wim Wenders, com obras produzidas por Paulo Branco e rodadas em nosso país, recorrendo a atores maioritariamente estrangeiros expressando-se em inglês, que com elas estes partilha.

À sensação de desterro emanada acresce o chileno a bizarria na visão cáustica, e historicamente simbólica, das fronteiras da subjugação no ser humano, redundando num pertinente exercício reflexivo mas, essencialmente pela desfaçatez com que aparenta ser planeado, nada empático ao espectador.

O mandamento fundamental de quem em Portugal traduz títulos estrangeiros de cinema é exorcizar qualquer ambiguidade, e eis que do poético L’empire de la Perfection ficamos com John McEnroe: O Domínio da Perfeição (2018).

Mesmo que a meio pensemos ir ao engano num documentário sobre o realizador de filmes técnicos de ténis Gil de Kermadec, consegue Julien Faraut bater a bola ainda dentro de campo, utilizando-o para escalpelizar e contextualizar essa figura mitológica, menos até por razões exclusivamente desportivas, ou não como a obra se esforça por demonstrar, que foi John McEnroe.

Como extra à programação inicial, comemorando o Dia Internacional da Mulher, oito de Março, tivemos O Astrágalo (2015), L’Astragale, de Brigitte Sy, adaptação sem grande chama do romance homónimo de Albertine Sarrazin, ele mesmo baseado na curta e trágica passagem da escritora pelo mundo dos vivos.

À semelhança da segunda fase da iniciativa com Asas (1966), a mais interessante das propostas desta vem da produção soviética dos anos sessenta do século passado, ambas incluídas na caixa DVD, Dos Anos 60 à Perestroika, com edição física Leopardo Filmes.

Realizada por Marlen Khutsiev, bebe Chuva de Julho (1967), Iyulskiy Dozhd, da grande influência provocada pelos mais notórios movimentos modernistas em cinema, Nouvelle Vague francesa, e antes dela Neo-Realismo italiano, em especial na relação próxima com o trabalho de Michelangelo Antonioni. Olhar inquieto sobre o papel da mulher numa sociedade aquartelada entre os dogmas comportamentais e a lenta erosão do regime político ao capitalismo.

O islandês Grímur Hákonarson insere Carneiros (2015), Hrútar, na quota de mercado para espectadores com menor formação cinéfila sem se obrigar ao populismo gratuito do segmento, montando uma estória simples de forma simples, a pacificação de irmãos desavindos pelo amor a uma raça autóctone de ovelhas (e carneiros) em perigo de extinção.

Invocado agora em linha reta. O namoro com o trabalho de Wim Wenders nem sempre se faz de palpitações arrebatadas, porventura seu maior encanto pela heterogeneidade de percurso. Movimento em Falso (1975), Falsche Bewegung, é meio-meio, o sentido excessivamente hermético e pouco natural do desenvolvimento narrativo justifica-se na aridez temática do cinema germânico à época, outra forma de chamar o vazio como tópico cimeiro de abordagem, nessa moribunda busca de Wilhelm pelo fluir da escrita.

Filipe Urriça, O Falcão e o Soldado do Inverno (Disney+)

Avengers: Endgame foi um evento de grandes dimensões para os heróis da Marvel e este é momento perfeito para nos entregarem novas histórias de personagens que não tiveram o mesmo tempo de antena do que os heróis mais notáveis. A Disney começou com WandaVision, agora entrega-nos O Falcão e o Soldado do Inverno no seu serviço de streaming, onde coloca Sam Wilson e Bucky Barnes numa realidade após os importantes acontecimentos de Endgame.

Ver o primeiro episódio da nova série da Marvel Studios é ter um vislumbre para os grandes filmes que estão a ser realizados. O próprio título, Nova Realidade Mundial, é bastante apropriado. Estes dois heróis que lutaram lado a lado com os Vingadores procuram paz com a sua nova vida. Encontrar esta paz implica uma mudança de atitudes e agir de forma a que consigam alcançar esta paz interior que tanto querem.

Com isto não quero dizer que o episódio é totalmente calmo, aliás abre com uma cena digna de um filme Missão Impossível, mas não esperem ver ação desenfreada. Aqui os heróis da Marvel olham para eles próprios e para os seus amigos e familiares mais próximos para lidar com um futuro que parece improvável. No final deste primeiro episódio vemos para onde é que a série se vai dirigir e o que será, possivelmente, o objetivo comum de Sam e Bucky.

Não se pode avaliar uma série num único episódio, mas esta nova série do Disney + dá-nos bons motivos para regressarmos semanalmente e ver o que poderão ser os grandes eventos aos quais vamos poder assistir nos próximos filmes. As minhas grandes curiosidades são com os Eternals, Shang-Chi e Doctor Strange. 

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!