VideoGamer Portugal por - Nov 21, 2021

O que andamos a ver, 21 de novembro, 2021

Neste domingo, a rubrica O que andamos a ver leva-nos até ao catálogo do Disney+, que recentemente foi o palco das celebrações do “Disney+ Day”, e pelos acontecimentos que marcam um DVD. Contudo, os destaques desta semana versam sobre géneros bem distintos.

O primeiro texto que podem ler chega-nos do Pedro Martins, que durante esta semana viu os três episódios de Dopesick que estão disponíveis no catálogo do Disney+. Inspirada em acontecimentos reais, a criação de Danny Strong versa sobre o OxyContin e é devastadora. O diretor de conteúdos recomenda-a, tenham ou não conhecimento da crise de opioides na América.

De seguida podem ler as ilações do Marco Gomes sobre Não, uma película assinada por Pablo Larraín que estreou originalmente em 2012. Depois de versar sobre Post Mortem, também de Larraín, na semana passada, desta vez o Marco afirma sobre o novo filme que é “um exercício de perspetiva enviesada na leitura de acontecimentos históricos”.

Regressando ao catálogo do serviço da Disney, o Filipe Urriça destaca o blockbuster Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. O redator afirma que “mesmo que continue com uma estrutura muito similar às produções da Marvel Studios”, a obra realizada por Destin Daniel Cretton “é um bom filme”.

Pedro Martins, Dopesick (Disney+)

Estão neste momento disponíveis três episódios de Dopesick no catálogo do Disney+ e, enquanto os via, fui-me forçando a lembrar que estamos a ver acontecimentos inspirados numa situação verdadeira. Esta é a história da Purdue Pharma e da chegada ao mercado do opioide OxyContin.

Liderada pelo médico Samuel Finnix (Michael Keaton), a série criada por Danny Strong leva o espectador até uma América rural onde a maioria dos empregos está exposta à dor – a principal atividade é a exploração mineira. Do outro lado, somos convidados aos bastidores da família Sackler, dona da Purdue, e ao arranque da investigação da D.E.A., que naturalmente não deixa escapar o facto da FDA ter autorizado um rótulo especial para o OxyContin.

O resultado na série ilustra o resultado real, ou seja, médicos a serem incentivados a receitar o medicamento, pacientes com dores crónicas a ficarem viciados em algo que chegou a ser vendido com a promessa que menos de 1% dos pacientes ficariam dependentes. Não ajudou que a farmacêutica tenham puxado e puxado dosagens mais elevadas.

Dopesick é um drama que prende o espectador desde o episódio de estreia, independentemente de conhecerem ou não o caso. Não é um ponto negativo, mas os constantes saltos cronológicos, ainda que compreensíveis, podiam ser menos frequentes durante estes três episódios. O próximo episódio chega quarta-feira e lá estarei. Uma recomendação relacionada é este episódio de John Oliver.

Marco Gomes, Não (DVD)

Pablo Larraín anda a deitar abaixo regimes políticos em seu país. Post Mortem (2010), aqui visado na semana passada, acompanhou a transição violenta do social-democrata Salvador Allende pelos ideais de extrema-direita de Augusto Pinochet. Por sua vez Não (2012), tradução direta de No, retrata lateralmente o afundar do ditador e sucessão pelo democrata-cristão Patricio Aylwin.

Mais um exercício de perspetiva enviesada na leitura de acontecimentos históricos, uma das imagens de marca do realizador chileno. Concretamente, a refrega propagandística no plebiscito nacional do Chile de 1988. Sendo mais picuinhas, no conteúdo televisivo de quinze minutos em cada tempo de antena entregue às duas fações, Sim (por mais oito anos de mandato de Pinochet) e Não, acabando vitoriosa com 55,99% dos votantes.

Sendo incomum o filme político fora do espectro documental, mais além vai a ficção baseada em factos reais de Larraín ao suspender consecutivamente a própria essência para entregar um estudo de caso em marketing e publicidade. Dote admirável desperdiçado em parte na inconvicta fundição de drama pessoal, intriga política e génese do produto criativo na mobilização de massas.

Filipe Urriça, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (Disney+)

Para estar a par de tudo que tem sido lançado no Marvel Cinematic Universe só me falta ver Eternals, porque esta semana vi Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. Vi o filme com o herói do kung-fu no Disney+, quando saiu no evento digital “Disney+ Day”, dia em que saíram propostas muito interessantes, como Dopesick, que já foi visto pelo meu diretor de conteúdos, Pedro Martins.

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é um bom filme, mesmo que continue com uma estrutura muito similar às produções da Marvel Studios. É um filme onde há muitas cenas de pancadaria que, por vezes, parecem ter sido coreografadas pelo lendário ator de lutas cómicas, Jackie Chan, dado que a personagem principal combate a fazer acrobacias com um sorriso estampado no rosto.

Apesar de Simu Liu ter uma muito boa interpretação como Shang-Chi, é a personagem de Awkwafina, Katy, que rouba a maioria das cenas. Katy não diz só o que pensa com imensa piada, também tem um bom papel ao lado de Shang-Chi – e não, não é a típica donzela desesperada que o seu cavaleiro venha para a salvar.

Também há a destacar as excelentes cenas de luta, onde parece que estamos quase a ver um episódio de Dragon Ball Z. Enfim, está aqui um filme que diverte, pautado com o típico humor da Marvel, assim como nos deixa curiosos para perceber quais são os grandes eventos que vêm aí para desafiar os nossos heróis.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments