por - Aug 22, 2021

O que andamos a ver, 22 de agosto, 2021

Bem-vindos a mais uma edição da rubrica semanal onde a equipa VideoGamer Portugal dá destaque ao entretenimento que lhe tem passado pelos ecrãs e que não pertence ao domínio dos videojogos.

O Pedro Martins escreve agora sobre a segunda temporada de Modern Love. Viu sete dos oito episódios e afirma o diretor de conteúdos que há qualidade em alguns deles, mas que nem todas as histórias são contadas de forma inequívoca. Leiam os artigos e os ensaios primeiro, afirma.

De seguida podem ler as impressões de Marco Gomes sobre Botticelli – Inferno, que versa sobre como o pintor dedicou mais de uma década da sua vida a ilustrar o inferno. Botticelli viu nas descrições de Dante a sua inspiração.

Finalmente, o Filipe Urriça versa sobre Cobra Kai, um exclusivo Netflix. O redator está completamente embrenhado nos acontecimentos e versa sobre a terceira temporada. Podem ler as suas impressões a terminar este artigo dominical.

Pedro Martins, Modern Love (Prime Video)

Modern Love está de regresso para a sua segunda temporada no Prime Video. É uma nova fornada de episódios inspirados nos ensaios homónimos publicados no The New York Times. Dos oito episódios, escrevo estes parágrafos depois de ter assistido a sete.

Importa destacar que estamos naturalmente perante uma série antológica, o que acaba por se traduzir numa qualidade heterogénea. Por exemplo, no primeiro episódio liderado por Minnie Driver somos presenteados pelo amor que vive nas memórias, mas no terceiro episódio, carregado por Kit Harington, há o amor no presente graças a uma viagem de comboio pré-pandemia e com um final aberto.

Como série, estas diferentes manifestações de amor e de querer acabam por, infelizmente, tropeçar na forma como captam a atenção do espectador. A realização é mais ou menos inspirada, tal como são as prestações, muitas vezes recorrendo a um elenco juvenil para os diferentes trechos flashback.

Como são curtos, os episódios nunca se traduzem num favor que se faz à vontade. E há que notar que, tal como na vida real, muitos dos episódios não têm um final feliz embrenhado em fogo de artifício. Melhor que a série, contudo, são os artigos e os ensaios – tanto no seu formato original, como no formato “Tiny Love Stories”.

Marco Gomes, Botticelli – Inferno (DVD)

Comparada à bolsa de valores dos artistas ao longo da História, é Wall Street uma pasmaceira. Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi, Sandro Botticelli para amigos e admiradores, viveu entre 1445 e 1510, sessenta e cinco anos onde alcançou a glória para morrer na irrelevância. Três séculos após o óbito reganhou o estatuto de um dos pintores essenciais da Renascença.

Expressão de beleza e graciosidade em tela, delas testemunho nas obras-primas A Primavera (1482) e O Nascimento de Vénus (1483), não sem pasmo foi ele que a família Médici contratou para ilustrar o calvário das almas nos trinta e quatro cantos de um dos mais influentes escritos da humanidade, Divina Comédia (1304-1321) de Dante Alighieri.

Das cento e duas páginas estimadas do códice original sobreviveram noventa e duas até nossos dias, dessas pertence a grande maioria à coleção do Kupferstichkabinett, Museu de Impressões e Desenhos, em Berlim e as restantes, entre elas a mais icónica do conjunto, “Mapa do Inferno”, à coleção da Biblioteca Apostólica Vaticana, como o nome indica, situada no Vaticano.

O número dois da coleção A Grande Arte no Cinema, Botticelli – Inferno (2016), inicia-se exatamente com o processo de digitalização deste material para disponibilizar ulteriormente em rede. O público em geral, mas, principalmente especialistas de arte em todo mundo passam assim a ter acesso a conteúdo retirado de exposição física, aumentando a probabilidade de surgirem novos caminhos de investigação para o mais ignoto dos legados de Botticelli.

Filipe Urriça, Cobra Kai (Netflix)

O conceito de Cobra Kai está muito bem pensado, continuar uma narrativa numa série, décadas depois dos eventos dos filmes, faz todo o sentido. Em Karaté Kid – conhecido por cá como O Momento da Verdade – nasceu uma grande rivalidade e é interessante ver como é que esta se manteve passados todos estes anos.

Daniel, o rapaz que foi treinado por Mr. Miyagi, é agora um homem com a vida bem delineada, já Johnny, o aluno de Kreese, está com dificuldades em conseguir ter uma vida equilibrada e dinheiro para poder pagar a renda da sua casa. São vidas muito diferentes, mas ainda muito marcadas pelo passado que vimos nos filmes. Eventualmente, ambos os protagonistas vão voltar ao karaté.

Fiquei muito curioso em saber como é que a segunda e terceira temporadas se iam desenvolver, visto que a primeira tem uma premissa muito similar ao primeiro filme da saga. Em Cobra Kai querem fazer com que o karaté seja visto como uma forma de estar na vida, mas tudo depende de quem o ensina, está tudo nas mãos de um bom sensei criar boas pessoas que passam pelo seu dojo.

Como é óbvio, aqui são os adolescentes que recorrem ao karaté para resolver os seus problemas. Criam-se amigos e inimigos mas, sobretudo, relações que vão influenciar o desenvolvimento de Daniel e Johnny. No final da terceira temporada ficamos com indícios daquilo que será a quarta temporada, indícios que são muito interessantes visto que Kreese regressou em força e Miyagi Do está completamente renovado e com novos alunos.

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