VideoGamer Portugal por - May 22, 2022

O que andamos a ver, 22 de maio, 2022

Num domingo marcado por uma meteorologia estranha, O que andamos a ver está de regresso com mais um trio de participações sobre aquilo que tem passado pelo ecrã da equipa do VideoGamer Portugal. São três exemplos que não precisam de comando nem de teclado, ainda que o grau de satisfação da equipa tenha sido bastante diferente.

O Pedro Martins dedicou o seu tempo a ver a segunda temporada de Undone, uma série imperdível que está disponível no catálogo do Prime Video. São episódios brilhantes que deixaram o diretor de conteúdos a pensar na vida, ou melhor, a contemplar as vidas.

Posteriormente podem ler as palavras de Marco Gomes sobre Fernando Lopes, mais concretamente, sobre uma proposta que inclui treze filmes curtos. É uma “iniciativa com foros de extravagância ao reunir em dois discos mais do que despernados, filmes essencialmente de encomenda cujo utilitarismo para a subsistência corrente nunca o autor se envergonhara de assumir,” segundo o Marco.

A terminar esta edição da rubrica O que andamos a ver temos as palavras de mais um exclusivo Disney+, mas este domingo não é uma curta. O redator teve oportunidade de testemunhar o arranque de Foi Assim que Aconteceu… Com o Teu Pai. Apesar de ter alguma questões sobre o que está para chegar, gostou do que viu.

Pedro Martins, Undone – Segunda Temporada (Prime Video)

Teci rasgados elogios à primeira temporada de Undone, pelo que foi com natural entusiasmo que assisti ao regresso da série ao catálogo do Prime Video como novos episódios. E a criação de Kate Purdy e Raphael Bob-Waksberg usando a técnica rotoscoping não desilude. A segunda temporada é, aliás, melhor do que a estreia em alguns detalhes.

Alma Winograd-Diaz (Rosa Salazar) está novamente no centro da trama, tal como está o seu pai, Jacob (Bob Odenkirk), a sua irmã, Becca (Angelique Cabral), e a sua mãe Camila (Constance Marie). Alma não está presa a uma existência numa única linha temporal, mas estes oito episódios conseguem continuar essa linhagem sem serem mais do mesmo.

São episódios que expandem essa habilidade de existir em versões alternativas, diluindo aquilo a que chamaríamos a vida principal. Com essa expansão, de forma brilhante, chegam-nos novos detalhes sobre a família Diaz – mais concretamente, sobre a irmã, a mãe, e a avó de Alma, mãe de Jacob.

Numa altura em que dezenas e dezenas de séries lutam pela vossa atenção, Undone é imperdível. Os episódios são curtos e passam a uma velocidade alucinante, deixando-me desde logo à espera de mais. Fica ainda notado que as performances seguras são ajudadas por um estilo visual que também torna estes momentos inesquecíveis.

É uma daquelas séries que tem algo a dizer no seu entretenimento e é muito provável que a terminem a pensar no que poderia ter sido – ou então, se estão a viver aquilo que poderia ter sido, ficando num nevoeiro quantos fragmentos de vocês existiram, existem e existirão. Quando uma proposta de cultura toca tão fundo, sabem bem que valeu o investimento do vosso tempo e atenção.

Marco Gomes, Fernando Lopes – 13 Filmes Curtos (DVD)

A dirimir argumentos entre formatos físicos para cinema doméstico os atuais baixos custos de produção e impressão do DVD asseguram virtude poucas vezes sublinhada, minimizar riscos a lançamentos de nicho. Constatação duplamente pertinente quando, com variável grau de regularidade, editoras privadas cumprem serviço de utilidade pública.

Achando-se igualmente no mercado nacional esforços às metades como a co-edição em 2019 de Fernando Lopes – 13 Filmes Curtos (1961-77) pela Midas Filmes e Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, envolvendo assim apoio do ICA, Instituto do Cinema e do Audiovisual.

Exemplo descarado por o conteúdo não ser essencial na obra de Fernando Lopes (1935-2012), nome cimeiro do Cinema Novo português -expressão também usada em movimento análogo no Brasil-, mas essencial à compreensão do agregado, na íntegra coletando o trabalho feito em curta-metragem.

Iniciativa com foros de extravagância ao reunir em dois discos mais do que despernados, filmes essencialmente de encomenda cujo utilitarismo para a subsistência corrente nunca o autor se envergonhara de assumir. Daí termos um quadro homogéneo no traço documental mas arisco nas temáticas, onde se acha, entre outras, uma peça para a Prevenção Rodoviária Portuguesa sobre a importância do semáforo, Vermelho, Amarelo e Verde (1966), evocação da primeira travessia área do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, Cruzeiro do Sul (1966) ou construção da Lisnave, Tejo – Rota do progresso (1967).

A curiosidade pura não é, todavia, atractivo mor do pacote. A dimensão processual do embate serve de inestimável ensinamento, à cabeça desde logo para formandos na área. Fernando Lopes nunca se pergunta como descalça a bota de empreitadas teoricamente pouco estimulantes, mas sim, como fazê-lo sem abdicar de valores artísticos e modernidade de visão.

Filipe Urriça, Foi Assim que Aconteceu… Com o Teu Pai (Disney+)

Foi Assim que Aconteceu é um dos grandes clássicos das sitcoms. A série de comédia raramente me cansou, mas também tenho uma fraqueza por sitcoms e são poucas as que não me conseguem convencer.

Foi Assim que Aconteceu… Com o Teu Pai inverte a premissa da narrativa, em vez de ser um pai a contar aos seus filhos como é que conheceu a mãe, aqui temos uma mãe a contar ao filho como é que conheceu o pai. Esta troca não injeta nenhuma originalidade, mas entrega-nos novas e interessantes personagens – não há nenhuma ligação entre as duas séries.

Já não há Ted, mas há Sophie, interpretada por Hillary Duff. Devo dizer que não morro de amores por esta atriz, mas há papéis que encaixam bem em certas atrizes e este é, definitivamente, um deles. Sophie é uma pessoa ingénua à procura de um amor para a vida com um conjunto de amigos que a vão ajudar ou atrapalhar a chegar ao pai dos filhos a quem está a contar esta história.

Por isso, o espectador fica curioso em tentar adivinhar se o próximo encontro será um falhanço ou o amor da sua vida. Nos dois primeiros episódios ficamos com uma boa ideia, mesmo que esta se possa demorar a concretizar.

As piadas estão essencialmente dentro dos mesmos temas: sexualidade, maturidade e relações amorosas. Por um lado é bom, é uma série perfeita para quem queria que Foi Assim que Aconteceu não acabasse. Por outro lado, foi só mudar alguns ingredientes a uma fórmula comprovada e temos a mesma série que conhecemos em 2004.

Gostei bastante do que vi, mas fico curioso para saber como é que este formato de dez episódios por temporada vai afetar a série ao contrário dos vinte que How I Met Your Mother tinha. Sinceramente, vejam que esta nova série se vê muito bem e tem apenas meia hora por episódio como eu tanto gosto.

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