VideoGamer Portugal por - Apr 24, 2022

O que andamos a ver, 24 de abril, 2022

Depois de ter sido conquistado pela primeira temporada de A Boneca Russa, o Pedro Martins escreve este domingo na rubrica O que andamos a ver sobre os novos episódios da criação de Natasha Lyonne, Leslye Headland e Amy Poehler. Mesmo que não tenha o mesmo feitiço de 2019, continua a ser uma boa proposta para quem procura levar o cérebro ao ginásio.

De seguida podem ler as palavras que Marco Gomes dedica à Colecção Charlot. Continuando o que começou na semana passada, o responsável pelas imagens que acompanham os artigos e as análises do VideoGamer Portugal versa agora sobre os capítulos três e quatro.

O Filipe Urriça encerra esta edição da rubrica semanal com parágrafos dedicados à curta Ciao Alberto. Como provavelmente adivinharam, está disponível no catálogo Disney+ e, segundo o redator, é uma curta capaz de fazer quem vê soltar uma lágrima “dada a emoção genuína que transmite”.

Pedro Martins, A Boneca Russa – Segunda Temporada (Netflix)

Quando a primeira temporada de Boneca Russa chegou à Netflix em 2019, muitos ficaram rendidos à criação de Natasha Lyonne, Leslye Headland e Amy Poehler – eu incluído. A série está agora de regresso com mais sete episódios, um segundo ato que tinha a árdua tarefa de continuar a excelência original.

Depois de vistos todos os episódios, Boneca Russa continua a ser uma série que vale a pena o vosso tempo, ainda que não esteja à altura dos episódios pretéritos. Dias antes do seu quadragésimo aniversário, Nadia (Natasha Lyonne) entra no metro e é transportada para 1982. Ou seja, os loopings temporais da primeira temporada deram lugar a viagens no tempo.

Este é, vale a pena relembrar, o ano em que Nadia vai nascer, pelo que estes sete episódios são um confronto entre as linhas temporais. Sem pensar muito nas consequências futuras, Nadia está investida em corrigir o passado enquanto descobre, sobretudo, novos detalhes sobre a sua mãe, Nora (Chloë Sevigny).

Depois de ter percebido que a primeira temporada foi um sucesso, a equipa criativa parece estar ainda mais confiante e disposta a riscos. A escrita da segunda temporada desprende-se completamente da lógica como a conhecemos e dedica-se a criar novos paradoxos que desafiam o que compreendemos como passado, presente e futuro.

Nota-se, contudo, que estes riscos acabam por favorecer episódios em que há situações que parecem criadas apenas para confundir os espectadores, como se estivessem a verificar quem é que tem estado a prestar atenção. Especialmente se viram e gostaram da temporada de estreia, são sete episódios que merecem a vossa atenção – e acreditem, vão precisar de lhes dedicar toda a concentração que conseguirem encontrar.

Marco Gomes, Colecção Charlot – O Génio da Comédia, 3 e 4 (DVD)

Leva o que paga. Genérica a constatação mas de evidência superior nas caixas de cinema doméstico face aos lançamentos regulares. Existe um perfil de oferta no mercado honesto de sua vulgaridade, não invalidando defraudar consumidores incautos ou, repetindo-o, acéfalos. Preço mínimo pelo mínimo esmero de conceção.

Esgueirado a mais vexatório dos exemplos, inscreve-se no segmento todavia a Colecção Charlot – O Génio da Comédia pela Carisma Entertainment Group. À cabeça do rol de queixumes o miserável aproveitamento de espaço em disco, apenas três curta-metragem de material não restaurado e extras puramente informativos.

Dos pecados relativos ao conteúdo descritivo essencial na contracapa, ausência, incorrecção e desorganização, resvala no do meio. Nota insatisfatória leva igualmente o desenho gráfico de embalagem e menus DVD.

Último ponto de análise pela relevância e necessidade de enquadramento, não convence plenamente o critério de escolha do material incluído. De dois portos seguros, a personagem Charlot e a delimitação aos quatro primeiros anos de trabalho de Charles Chaplin no cinema, fica a embirração com a largueza no hiato temporal, gorando possibilidade de entregar pacote mais arrumado.

Por implausível que pareça, nele trocou duas vezes de produtora: Keystone (1914), Essanay (1915-16), Mutual (1916-17), quando apenas no ano de contrato com a Keystone de Mack Sennett envolveu-se em trinta e seis filmes -sucumbindo dois ao tempo-, numa média ligeiramente inferior a um lançamento por semana. Contemplando dezasseis dos sessenta e três no agregado das chancelas, preferível teria sido focar-se exclusivamente nos quinze da Essanay pela proximidade de valores.

Os DVDs rodados esta semana, três e quatro de numeração, contemplam pela ordem sugerida na caixa: Charlot Maquinista (1916) Behind the Screen; Charlot Caixeiro (1916) The Floorwalker; Charlot Bombeiro (1916) The Fireman; Charlot Banhista (1915) By the Sea; O Emigrante (1917) The Immigrant; Uma Noite no Music-Hall (1915) A Night in the Show.

Filipe Urriça, Ciao Alberto (Disney+)

O ano passado houve vários filmes da Disney bastante bons, nomeadamente, Luca, que foi direto para o serviço de streaming quando foi lançado. É uma história ternurenta de um rapaz que descobre um mundo completamente novo, onde fez novos amigos, como Alberto, que esteve sempre ao lado de Luca. Tinham ambos um sonho, que envolvia passear numa Vespa pelo sul de Itália, no final do filme sabemos o destino de Luca, mas nunca nos é dito o que acontece a Alberto, que ficou na pequena aldeia à beira-mar. Ciao Alberto, uma curta-metragem assinada por McKenna Harris, responsável no departamento de animação da Pixar, explica essa situação.

Alberto continua a sua vida em Portorosso com Massimo, um forte pescador que assume uma figura paternal para o jovem. Sem grandes planos ou projetos, a única grande ambição imediata de Alberto é de impressionar Massimo. Porém, o pescador não mostra grande emoção e, por isso, Alberto não sente a aprovação que tanto procura. Alberto sente-se um falhado.

Ciao Alberto é uma excelente curta-metragem que poderá, certamente, vos fazer sentir uma gota a escorrer pelo rosto, dada a emoção genuína que transmite. São cinco minutos muito eficientes que mostram que o amor paternal não é exclusivo de quem é pai biológico, além de encaixar perfeitamente na narrativa apresentada por Luca.

É um bocado redundante aconselhar que vejam filmes ou curtas criadas pela lendária produtora da Disney. Mas caso não a conheçam, fica aqui sublinhado que vos recomendo verem esta excelente curta-metragem, não vos ocupará muito tempo ente as várias séries do momento.

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