A começar um domingo que promete temperaturas primaveris sem nunca esquecer o cuidado ainda imposto pelo desconfinamento faseado, a equipa VideoGamer Portugal oferece algum destaque a mais um trio de obras que foram passando pelos seus ecrãs ao longo dos últimos dias.

O primeiro a dar o seu parecer é Pedro Martins, que aproveitou os novos episódios de Homecoming para regressar ao exclusivo Prime Video. Dos sete que compõem a segunda temporada, viu seis episódios. Não vai conquistar novos fãs, afirma, depois de notar que as ausências de Julia Roberts e de Sam Esmail se fazem sentir.

Marco Gomes continua a patrulhar o Vimeo e este domingo escreve sobre Melancolia, filme realizado por Lars Von Trier e protagonizado por Kirsten Dunst. Tal como o Marco afirma, poderá não ser o melhor filme para estes momentos, versando sobre o final da humanidade como a conhecemos

Finalmente, o Filipe encontrou o tempo necessário para investir em Segundo Ato. Apesar de não ser a pior comédia a que já assistiu, diz o Filipe que fica longe de entrar para a lista com as suas obras favoritas, ainda que ofereça alguns sorrisos e um final emocional.

Pedro Martins, Homecoming (Prime Video)

Na passada sexta-feira, dia 22 de maio, ficou disponível no catálogo Prime Video da Amazon a segunda temporada de Homecoming, série que tem dividido opiniões. Dos sete episódios vi seis até este momento e não não há Julia Roberts como protagonista nem Sam Esmail como realizador. São ausências notadas, evidentemente, mas importa versar sobre as presenças.

A nova protagonista, interpretada por Janelle Monáe, aparece nos primeiros minutos da segunda temporada num barco. Jackie está confusa e sem memória do que lhe aconteceu, de como chegou aquele barco à deriva. São várias as reviravoltas que acontecem na explicação do caminho até aquele momento - no final do sexto episódio já sabemos o que aconteceu e como aconteceu.

Walter (Stephan James) está de regresso e tem perguntas sobre o tempo que passou no programa Homecoming. Audrey (Hong Chau) também tem um papel importantíssimo. Quem viu a primeira temporada sabe o estrondo que provocou o seu confronto com Colin (Bobby Cannavale) mesmo antes da cortina cair. Os novos episódios têm tempo para mostrar os bastidores desse confronto e como foi feita a sua preparação.

Há um salto enorme entre as duas temporadas. O arco narrativo é mais fino e não tem a pujança da conspiração e do jogo de mentiras e verdades que esteve no centro da temporada de estreia. Os factos (a tatuagem no braço e a cicatriz no rosto de Jackie, por exemplo) são explicados sem grande foco nem profundidade. É uma temporada que corre à nossa frente, até porque cada episódio anda em redor da marca dos trinta minutos.

Neste momento estou bastante interessado em saber o que os argumentistas guardaram para o episódio final. Não há muito mais a acrescentar, julgo, mas será particularmente benéfico se a posição de Leonard (Chris Cooper) na Geist e na manufatura dos rollers for mais aprofundada. Algo é certo: quem não gostou da primeira temporada, não é agora que vai ficar fã de Homecoming.

Marco Gomes, Melancolia (Vimeo)

Porventura o maior ajuntamento de pesos-pesados da “Quarentena Cinéfila” Medeia Filmes deu-se na oitava semana da iniciativa com, por ordem de exibição, um dos mais consensuais, somando apreciação de público e crítica especializada, registos de Ingmar Bergman, O Sétimo Selo (1957), o derradeiro de Kenji Mizoguchi, estreado no ano em que o autor nos deixou, Rua da Vergonha (1956) e, nem de propósito, o primeiro, em formato longa-metragem, de Jacques Tati, Há Festa na Aldeia (1949).

Tendo anteriormente este merecido destaque aquando da abordagem à integral da obra do francês em DVD, havendo intenção de à rubrica trazer ainda este ano a do japonês e já tendo visto, salvo erro mais que uma vez, a do sueco, usei do tempo para o conteúdo aqui vertido na semana transata.

Por sua vez, a mais recente semana da cortesia, tematizada pela produtora como “Três Grandes Realizadores do Cinema Europeu Contemporâneo”, elencou fitas de autores com os quais não tenho relação fácil, Melancolia (2011) de Lars Von Trier, Segredos e Mentiras (1996) de Mike Leigh e Minha Mãe (2015) de Nanni Moretti.

Descartada a do britânico por antes ter visto e não merecer amplamente segunda passagem, existe nas restantes uma coincidência umbilical, revelarem-se suas personagens centrais femininas extraordinariamente antipáticas com o espetador, algo que, atendendo à natureza das obras, mesmo sendo um dos exercícios mais competentes do italiano neste milénio, pune em demasia Minha Mãe.

Pouco recomendável em tempos depressivos, até por a humanidade não estar livre do cenário aventado da destruição do planeta pelo embate com outro astro, serve Melancolia para reforçar a ideia de, para o bem e para o mal, jogar Trier num campeonato só seu, cada vez mais incompreensível na orientação seguida.

Exemplo disso mesmo é a utilização cada vez mais recorrente de efeitos especiais e atores reconhecidos pela generalidade do público, neste caso Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland ou Charlotte Rampling, num exercício a eles pouco moldado. Ao dinamarquês não o colocará nos píncaros o tempo a passar, valorizando-lhe antes o inconformismo e subversão de percurso.

Filipe Urriça, Segundo Ato (TVCine Top)

Com pouco tempo para ver filmes acabo por escolher títulos fáceis de digerir, por isso fui para uma comédia que passou no TVCine Top, Segundo Ato. Não é o melhor filme do mundo, mas já vi comédias bem piores: Adam Sandler tem um talento especial para as fazer.

O filme tem no elenco Jennifer Lopez e Vanessa Hudgens, duas atrizes que normalmente não são sinónimo de filmes de grande qualidade. Contudo, dá para esboçar alguns sorrisos na cara e emocionar a mais insensível das pessoas na conclusão do filme.

O problema é que o filme oscila entre comédia e drama, e apresenta-se desequilibrado, inclinando para o lado da comédia, obviamente. Do que a narrativa permite recolher, deixando a comédia de lado, que falha em praticamente todos os níveis é uma história sobre crescimento pessoal a nível emocional pessoal e laboral.

O filme exibe uma personagem que luta para chegar onde quer e o seu caminho percorrido. Para atingir o sucesso pretendido é confrontada com os erros do seu passado. Uma vez ciente dos erros que cometeu, há uma inevitável introspecção para saber exatamente aquilo que quer. Conciliar sucesso profissional, uma família e uma vida amorosa não é fácil. Há, como é de esperar sacrifícios a fazer.

Segundo Ato não é nada de especial, salvando-se sobretudo a mensagem que quer transmitir. Contudo, esta mensagem pode ser difícil de passar se o filme não fizer o mínimo para nos manter interessados.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!