por - Oct 24, 2021

O que andamos a ver, 24 de outubro, 2021

Este domingo, a nova edição da rubrica O que andamos a ver oferece considerações sobre duas séries que estão disponíveis em exclusivo no catálogo do Disney+, e ainda vários parágrafos sobre Michelangelo.

A primeira colaboração chega-nos de Pedro Martins, que viu e ficou fã de Homicídios ao Domicílio. Um trio de vizinhos tenta resolver de forma amadora um homicídio enquanto grava os progressos feitos num podcast. O resultado são dez episódios com uma escrita inteligente, performances incríveis, e muitos sorrisos.

O Marco Gomes foi o único membro da equipa que não acedeu ao Disney+ durante os últimos dias. Ficou-se pela sua coleção de DVD e este domingo agraciou O que andamos a ver com considerações sobre Michelangelo – Infinito, depois de já o ter feito com Rafael e Leonardo da Vinci.

E o Filipe Urriça dedicou parte da sua semana a Reservation Dogs, testemunhando os três episódios que já estão disponíveis. Afirma o redator que “apesar de estar catalogado como uma comédia, Reservation Dogs tem mais drama do que momentos propriamente hilariantes”.

Pedro Martins, Homicídios ao Domicílio (Disney+)

Não esperava gostar tanto de Homicídios ao Domicílio como gostei. Depois de ter visto os oito episódios que estavam disponíveis no momento, foi com grande entusiasmo que testemunhei os dois últimos adicionados recentemente ao catálogo do Disney+ em Portugal.

Terminada que está então a temporada de estreia, é uma recomendação clara e evidente. Charles-Haden Savage (Steve Martin, que também criou a série), Oliver Putnam (Martin Short) e Mabel Mora (Selena Gomez) vivem num condomínio de luxo em Nova Iorque. Há um homicídio e é o trio que procede à sua instigação amadora.

Essa investigação é documentada num podcast. Os três são fãs e fanáticos dos podcasts que resolvem homicídios – pensem em Serial e ficam com uma ideia clara – e vão documentando os achados. Homicídios ao Domicílio brilha ao ser um thriller cheio de voltas e reviravoltas, ainda mais porque é dotado de um sentido de humor inquestionável.

Short e Martin são amigos de longa data e as piadas que trocam entre si são um reflexo e uma extensão dessa amizade, com Gomez a encaixar como uma luva neste trio, sendo tantas vezes a mediadora e a voz da razão. A série faz um excelente trabalho também a edificar os passados das personagens, o que adensa ainda mais o mistério no presente.

Não só alguns episódios são inventivos, como o final não desilude, encerrando com chave de ouro a primeira temporada e abrindo imediatamente a porta à continuação. Por aqui já se contam os dias até à estreia da segunda temporada de Homicídios ao Domicílio, e julgo que muitos de vocês ficarão exatamente na mesma situação quando a dezena de episódios ficar para trás.

Marco Gomes, Michelangelo – Infinito (DVD)

Tardou. Na antepenúltima entrada da primeira temporada de A Grande Arte no Cinema fecha-se finalmente o círculo dos três magníficos da arte renascentista. Depois de Rafael, Leonardo da Vinci, também Michelangelo, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (1475-1564), tem direito ao devido.

A impressão da obra que o italiano nascido em Caprese deixa no imaginário coletivo é particularmente embusteira. A sua praia foi a escultura, e à humanidade nela legou ícones como Pietà, David ou Moisés, mas a troca do cinzel pelos pincéis nos frescos do teto e parede do altar da Capela Sistina acabou por lhe conferir o grosso da mitologia.

Da equipa responsável por Caravaggio – A Alma e o Sangue (2018), embora com outro timoneiro, Emanuele Imbucci, o que afere a dimensão corporativa destas produções, sem surpresa regressa -pela ordem na coleção, alheia à cronologia de lançamentos- Michelangelo – Infinito (2017) à regra do documentário onde o entretenimento é quem mais ordena.

Um grau superior de uniformidade o distancia, porém, dos semelhantes aqui trazidos, mesmo operando a seu desfavor em algumas passagens enfadonhas, concentrando o processo narrativo da vida do artista em apenas quatro eixos, o desempenho de Enrico Lo Verso como ator que encarna suas angústias, esperanças e reflexões, o de Ivano Marescotti no do amigo e biógrafo Giorgio Vasari, algumas -poucas-representações de acontecimentos vivenciais marcantes e o destaque, entre arrojados movimentos de câmara e efeitos especiais computorizados, a suas mais relevantes empreitadas.

Filipe Urriça, Reservation Dogs (Disney+)

Depois de terminar a segunda temporada de Ted Lasso tinha de encontrar algo que substituísse aquela excelente série, algo que considero praticamente impossível de tão boa que é a série da gigante de Cupertino. Entre as várias recomendações que ouvi, houve uma que me deixou curioso, Reservation Dogs, um trabalho de Taika Waititi – realizador do fantástico Jojo Rabbit e de Thor: Ragnarok.

Quando não faço a mínima ideia do que trata uma nova série que quero começar a ver pesquiso. Fiquei com ainda mais curiosidade em conhecer Reservation Dogs ao saber que praticamente todo o elenco e equipa de produção são americanos indígenas ou, pelo menos, de descendência indígena. Assim, a narrativa centra-se num grupo de miúdos de uma reserva rural do Oklahoma que tem o sonho de se mudar para a Califórnia, após um amigo deles se ter suicidado.

Dos três episódios disponíveis no Disney +, é difícil perceber que rumo é que a série tomará. No entanto, percebe-se que ir para a Califórnia é mais que um desejo, é quase uma necessidade de saírem de uma terra cheia de problemas onde têm de lidar com gangues de adolescentes que lhes fazem a vida negra. Este quarteto de miúdos terá de pensar muito bem como arranjar dinheiro para poderem concretizar o seu sonho e, porventura, deixar a vida de delinquência que levam, porque já se aperceberam que os seus pequenos roubos têm consequências graves.

Apesar de estar catalogado como uma comédia, Reservation Dogs tem mais drama do que momentos propriamente hilariantes. A série não esconde este facto e faz dela a sua força motriz para nos contar uma história comovente. Sinceramente, apesar de não saber como é que isto se vai desenvolver, acho que deviam arriscar e ver esta série.

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