por - Jul 25, 2021

O que andamos a ver, 25 de julho, 2021

Neste domingo, a equipa VideoGamer Portugal volta a escrever sobre o entretenimento que não requer um comando ou um teclado para versar sobre dois filmes e uma série. Como podem constatar ao longo deste artigo, são três propostas bastante díspares.

O Pedro Martins teve oportunidade de assistir aos dois episódios de The White Lotus que já estão disponíveis no catálogo da HBO Portugal – o terceiro chega amanhã, dia 26 de julho. Apesar de ainda estar a dar os primeiros passos, a nova criação de Mike White é desde já facilmente recomendável.

Por sua vez, o Marco Gomes deu uma oportunidade a O Estranho Caso de Angélica, película assinada por Manoel de Oliveira que estreou em 2010. Escreve o Marco que “o frouxo magnetismo de Isaac sobre o espetador esvazia um dos mais distintos filmes do período tardio de Manoel de Oliveira”.

A terminar o artigo podem encontrar as palavras que Filipe Urriça dirigiu a Filhos e Enteados, que recentemente passou pelo canal CineMundo. “O que mais me interessou antes de ver o filme é de estar John C. Riley a partilhar o protagonismo com Will Ferrell,” escreveu o redator sobre a obra, depois de na semana passada ter destacado Viúva Negra.

Pedro Martins, The White Lotus (HBO Portugal)

Não esperava que The White Lotus fosse tão bom. É verdade que tinha visto algumas críticas no Metacritic, contudo, a nova criação de Mike White capta a atenção de quem vê de uma forma entusiasta, com cada episódio a transparecer a sensação de que tem metade da sua duração verdadeira.

A temporada começa com alguém morto. Não sabemos quem é, sendo possível ver que há um corpo na morgue. E começa também com as diferentes famílias a chegarem a um hotel paradisíaco que dá nome à série. Não demora muito, porém, a que o comentário social seja exposto, nunca mais saindo do pensamento de quem vê.

Por exemplo, temos um casal que acaba de dar o nó, Rachel (Alexandra Daddario) e Shane (Jake Lacy). As personalidades chocam, com o marido a ter dinheiro familiar e um ego com que julga ser capaz de comprar o mundo. Há também a CEO Nicole Mossbacher (Connie Britton) e Mark (Steve Zahn). Mark é paranóico sobre as doenças e vive zeladoramente inspirado para passar bons momentos com os seus filhos, Olivia (Sydney Sweeney) e Quinn (Fred Hechinger).

O elenco é equilibrado e ideal para mostrar a quem vê que não, nem tudo está bem no paraíso. Por exemplo, Quinn tem a natureza à sua espera e vive com o nariz colado no telemóvel e na Switch, sendo recompensado com uma dança de uma baleia quando, farto da sua irmã, resolve ir dormir na praia.

Em The White Lotus quase tudo tem um significado além das primeira impressões, mas é uma série que nunca chegou a ser cansativa. Por exemplo, reparem no magnetismo da performance de Murray Bartlett, que empresta o seu talento a Armond, o responsável máximo pelo hotel. Se tiverem uma subscrição HBO, deem-lhe uma oportunidade que por aqui já se contam os minutos para a chegada do terceiro episódio.

Marco Gomes, O Estranho Caso de Angélica (DVD)

Negligenciando o que de permeio fica, classificam-se os realizadores de cinema quanto ao corpo de atores com que trabalham em duas facções, da descontinuidade, vestindo consecutivamente caras novas a seus protagonistas, da continuidade, com um grupo quase estanque de colaboradores.

Numa carreira de mais de oitenta e cinco anos com várias fases criativas, e um período longo de catorze anos durante o Estado Novo sem produzir, ainda assim, sempre enfiaremos Oliveira na segunda categoria, a ele colando nomes como Leonor Silveira, Luís Miguel Cintra, Diogo Dória ou Michel Piccoli.

Contas à merceeiro, porém, na adição ao minuto entre a imagem sensibilizada em película e o que dela escapa aos cortes na montagem, será Ricardo Trêpa o mais costumeiro de seus atores. A distinção muito deve a filmes rodados em torno de seu papel, que não de seu desempenho, num ofício onde o esforço claramente não compensa a pouca arte.

O frouxo magnetismo de Isaac sobre o espetador esvazia um dos mais distintos filmes do período tardio de Manoel de Oliveira, O Estranho Caso de Angélica (2010). Cinquenta e oito anos transformaram um argumento original do autor num conto além-vida, onde o abismo de realidade do fotógrafo por recreação e seu doentio afeto ao retrato, mental e pictórico, de um cadáver invocam a ancestralidade dos rituais humanos e do próprio meio artístico, na emulação de quadros cénicos e artifícios técnico-formais das primeiras três décadas do cinema mudo.

Filipe Urriça, Filhos e Enteados (CineMundo)

Pessoalmente, acho que Will Ferrell é um mau comediante, mas, em raras ocasiões, consegue ser um bom ator. Apesar de saber que Filhos e Enteados, que passou recentemente no CineMundo, é uma comédia onde Ferrell tem um dos papéis principais, arrisquei ver. O que mais me interessou antes de ver o filme é de estar John C. Riley a partilhar o protagonismo com Will Ferrell, um ator com muito mais carisma e talento do que Ferrell.

A premissa do filme é muito interessante, principalmente para as gerações mais recentes, visto que coloca Ferrell e Riley como dois adultos, na casa dos quarenta anos, que vivem com os seus pais – um vive com a mãe e o outro com o pai. Pode-se achar que é vergonhoso ter-se um filho de maioridade que não faz nada da vida e que vive à custa dos pais, é difícil estar numa situação destas, mas tudo depende do contexto que levam as pessoas a estarem nesta situação. Obviamente, o filme pega nesta realidade, que ainda hoje atinge muitos jovens, para criar um autêntico exagero das vidas destas duas personagens que já deviam estar no mercado de trabalho e a criar uma família.

Os seus respectivos pais juntam-se, tornando as personagens de Ferrell e Riley como meios-irmãos. E é o choque das suas personalidades que faz com que torne o filme interessante. São dois filhos mimados que pedem tudo aos pais e, por exemplo, passam o dia fechado a jogar videojogos, quando podiam estar lá fora a lutar pela vida.

Quando fui ver o filme, ia com os receios que tinha por Will Ferrell estar a protagonizá-lo, contudo gostei mais do filme do que pensava. Não é o melhor filme de Ferrell, mas vê-se bem e há momentos de humor genuíno. No entanto, há também situações em que a comédia exagera em demasia e acaba por perder o efeito cómico que deveria ter.

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