VideoGamer Portugal por - Dec 26, 2021

O que andamos a ver, 26 de dezembro, 2021

Na última edição da rubrica O que andamos a ver de 2021 e enquanto digerimos rabanadas, aletria e companhia, esta semana a equipa VideoGamer Portugal versa sobre dois filmes que pertencem a esta quadra festiva e também sobre uma certa juventude de Sorrentino.

Depois de na semana passada ter escrito sobre um dos acontecimentos do ano na Netflix, o Pedro Martins volta-se agora para um dos acontecimentos do ano no catálogo Disney+. Escreve o diretor de conteúdos sobre Encanto, o novo filme que chegou na passada sexta-feira e que se afirma como uma obra facilmente recomendável.

O Marco Gomes continua a navegar pela sua coleção de DVD e versa este domingo sobre A Juventude, uma das obras de Paolo Sorrentino. Afirma o Marco que “como sucede em similares casos, arriscando acusação de condescendência identitária, surpreende Sorrentino no endividamento direto para com os mestres da arte de seus país”.

Finalmente, o Filipe Urriça também se deixou conquistar pelo espírito natalício e escreveu sobre 8-bit Christmas, um título que está disponível no catálogo HBO Portugal e que conta com a participação de Neil Patrick Harris.

Ficam também os votos que os nossos leitores estejam a ter as melhores quadras festivas possíveis e que a entrada em 2022 seja a chegada a um ano mais pacifico, mais saudável; um ano que seja finalmente o após desta sequência truculenta.

Pedro Martins, Encanto (Disney+)

Escrever que os filmes da Disney tem uma certa magia é um lugar comum, mas no caso de Encanto é também literal. Somos convidados a fazer parte da família Madrigal, onde cada membro tem um dom especial e a própria casa, devidamente apelidada da Casita, é um item vivo, que responde aos comandos dos membros da família.

Todos os membros têm um dom, menos um: Mirabel (Stephanie Beatriz). O arco narrativo começa quando a Abuela Alma (María Cecilia Botero) escapa a uma pilhagem quando era nova, momento que fica marcado por uma perda, mas onde lhe é concedido um milagre. Uma vela que, de geração em geração, atribui o poder aos membros da família quando atingem uma determinada idade.

Um membro tem uma enorme força, outro consegue mudar de forma, outro consegue curar e há um outro, por exemplo, que é profeta. O argumento de Encanto demonstra por que motivo Mirabel não recebeu o seu dom, mas também lida com a emergência: a Casita não está em boa forma e o fogo da já mencionada vela corre o risco de se extinguir.

Encanto chegou dia 24 de dezembro ao catálogo do Disney+, uma data estrategicamente escolhida, e afirma-se como um excelente filme e a película perfeita para este fim de semana festivo. A qualidade da animação, o uso de cores que nos conduzem até aquele mundo, está num nível que pertence à Disney.

Isabela (Diane Guerrero), por exemplo, tem o poder de manipular as flores. Começa por ser a personagem “perfeita” que se vai apercebendo que a vida pode ter imperfeições. Mas a conjugação das flores com a música (a excelente banda sonora é assinada por Lin-Manuel Miranda) é uma boa demonstração da “magia Disney”.

Em conclusão, respeitando a cultura latina e entregando uma história contida mas eficaz, Encanto é uma fácil recomendação a todos os que tiverem uma subscrição Disney+. Vejam-no e deixem-se conduzir pelo seu portento técnico que não se esquece de contar uma trama pejada de momentos encantados e encantadores.

Marco Gomes, A Juventude (DVD)

Com o reconhecimento dobrado após A Grande Beleza (2013) triunfar na categoria de melhor filme estrangeiro na edição do ano seguinte dos Óscar, não se ficou Paolo Sorrentino, reforçando em ambição expansionista o ulterior projeto, A Juventude (2015), Youth.

Para tal, não se coibiu do recurso a fórmulas estandardizadas de sucesso. Em prestígio um inatacável elenco de atores: Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Paul Dano ou Jane Fonda. E por eles justificado, ou o oposto, a adesão ao idioma mais universal no planeta.

Duas gerações, quatro personagens centrais largando pudicícia da mais subliminar das temáticas, a memória, e um paradoxo. Como sucede em similares casos, arriscando acusação de condescendência identitária, surpreende Sorrentino no endividamento direto para com os mestres da arte de seus país. Um e uma obra em concreto medindo devidas distâncias de génio, Fellini 8½ (1963).

Sugestão não premeditada, atestando novamente a codícia do realizador transalpino de cinquenta e um anos em chegar a novos públicos – e a admiração pelo ícone do futebol Diego Armando Maradona – , estreou há menos de duas semanas na plataforma Netflix sua mais recente longa-metragem, A Mão de Deus (2021).

Filipe Urriça, 8-bit Christmas (HBO Portugal)

Quando vi que 8-Bit Christmas ia estrear na HBO Portugal fiquei muito interessado em vê-lo pela temática que ia abordar e, sobretudo, por ser um filme natalício. Este é um filme que se propõe a mostrar o entusiasmo das crianças em torno dos videojogos, 8-Bit Christmas fá-lo bem, mas falha em outros elementos narrativos. Podia ser um filme que poderia vir a substituir os clássicos protagonizados por Macaulay Culkin, mas ficou bem claro que o filme da HBO não tem o mesmo carisma, nem sequer diverte tanto como Sozinho em Casa.

Jake, interpretado por Neil Patrick Harris, quer contar à sua filha como é que conseguiu ter a sua Nintendo Entertainment System. Este pai quer fazer ver à sua filha, que lhe pediu um telemóvel para o Natal, que nem tudo era dado de mão beijada no final dos anos oitenta. No fundo, pensei que fosse um filme que repercutisse algumas das mesmas emoções que tive na minha infância com os videojogos.

Ficamos com a impressão que o filme nos quer fazer passar uma moralidade qualquer, contudo esta fica perdida no limbo. Todavia, consegue imitar bem algumas das situações pelas quais Jake passou, principalmente, o grupo de amigos que tem. Apesar de não ser um amigo de Jake, havia sempre um miúdo rico na escola que conseguia ter todas as atenções por ser aquele que tinha todas as consolas e todos os jogos respetivos. Em 8-Bit Christmas este miúdo está muito bem representado, aliás quase todos os atores que, menores de idade, fazem um excelente trabalho, até um miúdo que é um mentiroso compulsivo que inventava sempre histórias para parecer o maior entre os seus pares.

Pessoalmente, acho que o filme perde a sua piada na reta final, quando não há uma resolução para o problema de Jake. O pior é que todo o filme vai crescendo em torno daquilo que Jake quer, mas não há um final que satisfaça quem vê. E por isso, a mensagem a reter é mesmo um desprezo para quem gosta de videojogos. O filme tinha coração, pelo menos comprometia-se a ser divertido, mas só consegui ficar com pena do miúdo. Vejam, porque não é um mau filme, mas há melhores filmes natalícios como Die Hard.

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