O que andamos a ver
VideoGamer Portugal por - Sep 26, 2021

O que andamos a ver, 26 de setembro, 2021

Com uma série de recomendações para verem antes ou depois de exercerem o vosso direito de voto, a rubrica O que andamos a ver está de regresso com dois textos sobre produtos Netflix e uma participação sobre Basílicas.

Acompanhando os acontecimentos da Missão Inspiration4, o Pedro Martins viu os quatro episódios da série documental que está disponível na Netflix. A tripulação já regressou à Terra, mas vale a pena ver, escreve o diretor de conteúdos, sendo uma boa forma de ficar a conhecer melhor os quatro civis que foram ao Espaço.

O Marco Gomes recorreu à sua coleção DVD para escrever sobre A Basílica de S. Pedro e as Basílicas Papais de Roma. Escreve o membro da equipa nesta edição da rubrica O que andamos a ver que “claro está que a vontade de a potenciar tem impacto cavado no modo como foram projetados e executados estes filmes”.

Finalmente e regressando ao catálogo da Netflix, o Filipe Urriça tece comentários a Lupin, umas das séries que se tornou uma sensação nos últimos meses. Escreve o redator que estamos perante uma série que “é muito boa e dá-nos sempre aquela vontade de ver um novo episódio quando termina”.

Pedro Martins, Contagem Decrescente: A Missão Inspiration4 no Espaço (Netflix)

Durante os últimos dias, o nome Inspiration4 tem estado nas notícias. Quatro civis foram ao Espaço e regressaram, tendo passado três instalados na cápsula Dragon no foguetão Falcon 9. É um projeto da SpaceX e conquistou o interesse de muitos por se tratar de uma equipa sem astronautas profissionais.

Tenham ou não acompanhado os acontecimentos em direto, a documentário Contagem Decrescente: A Missão Inspiration4 no Espaço vale a pena. Está disponível em exclusivo na Netflix, onde podemos ver quatro dos cinco episódios – o último vai estrear em Portugal dia 30 de setembro.

Não só ficamos a conhecer melhor o projeto propriamente dito, como as quatro vidas que fizeram história, nomeadamente, Jared, Hayley, Chris e Sian. O processo de seleção é mencionado, mas é sobretudo um quarteto de episódios que versa sobre a preparação, tanto física como mental.

Naturalmente, há um interesse genuíno em tentar conhecer o impacto que este primeiro passo terá no “turismo espacial”, algo que a série não consegue prever. Mas é um bom documento histórico que garante algum contexto do processo.

Espero que o último episódio verse sobre o lançamento propriamente dito, que coloque no ecrã os momentos que antecederam a descolagem e também como é que os quatro tripulantes lidaram com o regresso à Terra. Vale a pena conhecer estas histórias, vale a pena viver este momento.

Marco Gomes, A Basílica de São Pedro e as Basílicas Papais de Roma (DVD)

Quando o fundamental se torna acessório. Ao contrário das anteriores a quarta entrada na coleção A Grande Arte no Cinema vai um pouco além do ‘e não digas que vais daqui!’ no conteúdo extra de disco, juntando ao costumeiro trailer o making of cuja existência se deverá em grossa medida a um descargo de consciência.

Minimiza mas não absolve. O por detrás das câmaras de A Basílica de São Pedro e as Basílicas Papais de Roma (2016), San Pietro e le Basiliche Papali di Roma 3D, resgata uma porção generosa de material excluído da edição final da obra, algum aberrantemente castrado, o que inviabiliza justificação pela necessidade de padronizar a metragem, pois, para o cúmulo não há indulgência.

Lá encontramos também amplo destaque à dimensão tecnológica de parte dos volumes, deduzida pelos títulos originais mas nestes escritos ainda por aflorar, até por estar ausente da oferta doméstica em nosso país, a possibilidade de visualização em 3D estereoscópico e resolução de imagem a 4K.

Claro está que a vontade de a potenciar tem impacto cavado no modo como foram projetados e executados estes filmes, convivendo mal com a premissa de poder ser, e no caso é, curto o trajeto entre a sumptuosidade e o espalhafato, agravado pela sobriedade reconhecida ao género documental, mais ainda abordando arte sacra, a da traça arquitetónica e exuberante recheio das quatro basílicas romanas que compõem a celebração jubilar: São Pedro, o mais venerado edifício da cristandade, São João de Latrão, a mais antiga igreja do ocidente, Santa Maria Maior, a primeira igreja do ocidente dedicada a Maria, e São Paulo Fora dos Muros.

Filipe Urriça, Lupin (Netflix)

Já há algum tempo que me interessava por ver Lupin. Julgo que tem uma premissa que cumpre o seu propósito, pois apresenta-nos um ladrão sempre um passo à frente da polícia, cuja identidade é desconhecida. O mais interessante é que este ladrão se inspirou nas histórias de Arsène Lupin escritas pelo escritor francês Maurice Leblanc e, visto que adoro ler policiais, é agora mais um autor a ter em conta para comprar seus livros e juntá-los à minha coleção.

Só conhecia Omar Sy de Amigos Improváveis e adorei a sua interpretação. Acho que há atores franceses que têm um jeito inato para comédia e Sy é um deles, apesar de esta série da Netflix não estar virada para o humor, é raro não ficarmos com um sorriso na cara quando vemos a personagem de Sy a tramar mais um golpe para roubar ou, simplesmente, enganar mais alguém.

Assane Diop, a personagem de Omar Sy, tem um propósito fixo, não quer roubar só para satisfazer um qualquer desejo de cleptomaníaco. Diop quer encontrar a verdade e expor as mentiras ao público, para limpar o nome do seu pai, que foi injustamente condenado. É um drama que faz o espectador exigir justiça seja quais forem os meios que Assane use.

Sinceramente, não sei em que moldes narrativos é que poderá existir, mas espero que haja uma nova temporada de Lupin. Os planos de Assane são tão bons que só numa série é que funcionam tão bem. Vejam esta série, é muito boa e dá-nos sempre aquela vontade de ver um novo episódio quando termina o anterior.

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