VideoGamer Portugal por - Feb 27, 2022

O que andamos a ver, 27 de fevereiro, 2022

O que andamos a ver despede-se de fevereiro com o regresso a uma série que tem marcado o catálogo da HBO e com palavras sobre dois filmes, um no Disney+ e outro em DVD. Conheçam as opiniões mais recentes da equipa VideoGamer Portugal.

As primeiras palavras que podem ler este domingo chegam-nos de Pedro Martins, que durante a última semana regressou ao mundo de Euphoria. Mais concretamente, viu os primeiros três episódios da segunda temporada e constata que a criação de Sam Levinson não está propriamente interessada em fazer novos amigos.

Por sua vez, o Marco Gomes dedicou parte do seu tempo a Encontro Silencioso, película assinada por Miguel Clara Vasconcelos. Estamos perante uma proposta que versa sobre as praxes académicas, mas afirma que o melhor conteúdo incluído neste disco são mesmo os extras.

Finalmente, um clássico. O Filipe Urriça, continuando apaixonado pelo catálogo do Disney+, viu A Branca de Neve e os Sete Anões. Ainda que algumas animações sejam arcaicas, afirma o redator que “é incrível o bom aspeto que esta película de desenhos animados ainda tem”.

Pedro Martins, Euphoria – Segunda Temporada (HBO Portugal)

Há muito que Euphoria se tornou motivo de conversa. As drogas, o sexo, a violência e a adolescência marcaram a temporada de estreia na HBO. Na semana passada regressei a este universo criado por Sam Levinson e vi os três primeiros episódios da segunda temporada que terminará hoje nos EUA,  amanhã em Portugal.

Não demora quase nada para que tudo o que marcou a primeira de estreia volte ao ecrã. Com um argumento naturalmente centrado em Rue (Zendaya), somos convidados a assistir à sua relação com Jules (Hunter Schafer), que agora é também marcada por um terceiro elemento, Elliot (Dominic Fike).

São episódios também marcados por Fezco (Angus Cloud) que, aliás, é o destaque dos primeiros minutos – o espectador fica a conhecer a sua infância e os diversos acontecimentos que ajudaram a enformar a sua predisposição para atividades ilegais. Mais concretamente, o papel que a sua avó teve na sua vida e na do seu irmão, Ash (Javon Walton).

Quem não gostou dos episódios anteriores, vai detestar o arranque da segunda temporada. A violência está ainda mais crua, incluindo uma cena brutal entre Fezco e Nate (Jacob Elordi), a nudez está ainda mais explícita, o consumo de drogas ganha ainda mais relevância. Quem tinha saudades destas vidas, contudo, terá aqui vários motivos para matar saudades.

Não sei onde os restantes episódios vão levar quem assiste, mas Rue parece jogar com cartas viciadas, tanto nos demónios do seu vício, como no jogo do amor – Jules e Elliot prometem ter ainda muito a dizer. Euphoria não narra relações herméticas, ocasionalmente tão focada nos excessos que se esquece dos mínimos humanos. Talvez o resto da temporada dê mais músculo aos falhanços e às conquistas, cá estarei para ver.

Marco Gomes, Encontro Silencioso (DVD)

Aviso prévio de preconceito. Dos treze registos de Miguel Clara Vasconcelos no currículo um apenas é de formato estendido, Encontro Silencioso (2017), obrigando a erguer-se filmaço para agremiar atenção quando a temática subjacente me desperta – sem peias na língua – asco.

Argumentarão alguns ser a opinião pública condicionada relativamente à pertinência da praxe académica por infelizes casos pontuais destacados na comunicação social. Perpassa a sensação, ao invés, serem aqueles número residual de um universo que por sistema omite vítimas de injúria física e/ou psicológica.

Vindo de cima o exemplo é no do sumo representante da comissão de praxe, Dux Veteranorum, mimetizado na película na figura de Boris, que se evidencia o estado das coisas nessa hierarquia ritualizada. Alheio a mérito, excelência ou capacidade de superação, o requisito essencial para atribuição do posto é o maior número de inscrições entre cursandos em cada instituição de ensino superior.

Bastava o pé atrás, dispensando-se a fragilidade do ensejo. Sobre avulsas linhas de diálogo preâmbulo e processo narrativo impotentes são de esconder alinhavado ponto. Até por comparação com a satisfatória exploração da gramática visual do cinema, pouco marcante se afirma a direção de fotografia.

Porventura o mais satírico comentário sobre a edição caseira de Encontro Silencioso é simultaneamente introvertido elogio ao autor, estando o melhor do disco na secção extras, as curtas-metragens Triângulo Dourado (2014) e Vila do Conde Espraiada (2015).

Filipe Urriça, A Branca de Neve e os Sete Anões (Disney+)

Estes últimos meses, o meu consumo de entretenimento audiovisual, no que toca a séries e filmes (é cada vez menos frequente visitar o YouTube e o Twitch, salvo raras exceções), tem sido exclusivamente no Disney+. Na plataforma de streaming da casa de Mickey há cada vez mais argumentos para lá ficar, dadas as novidades que são lançadas com alguma frequência.

No entanto, não nos podemos esquecer do historial que esta casa de filmes de animação tem. Por isso, vi a mais antiga longa-metragem de animação da Disney, exibida em 1937 (ainda não tinha começado a Segunda Guerra Mundial), A Branca de Neve e os Sete Anões.

É incrível o bom aspeto que esta película de desenhos animados ainda tem, embora se vejam algumas animações um bocado arcaicas. O filme serve, sobretudo, como montra para exibir a boa arte que se fazia há mais de oito décadas.

Em termos narrativos, esta longa-metragem é muito básica, todavia o grande trunfo está na caracterização das personagens, nomeadamente dos anões e das situações em que eles se colocam. Naturalmente, os anões são muito cómicos e são o principal motivo pelo qual as pessoas gostam de rever este clássico fantástico.

Mas o que é bom ver em A Branca de Neve e os Sete Anões no Disney + é o acesso aos seis pequenos documentários sobre a produção da primeira longa-metragem da casa do Mickey. Sinceramente, gostei bastante de explorar estes pequenos extras dos bastidores da criação de uma histórica obra da sétima arte.

Outro destaque da exibição desta película no Disney+ foi o recordar a emblemática música “Eu vou”, cantada pelos sete anões, depois de acabarem mais uma dia de árduo trabalho. Enfim, se não conhecem o filme A Branca de Neve e os Sete Anões vão vê-lo, está no Disney+ à distância de alguns cliques.

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