por - Jun 27, 2021

O que andamos a ver, 27 de junho, 2021

Um domingo marcado pela animação da Disney é uma boa forma de descrever as propostas que são enumeradas já de seguida. O Pedro Martins teve oportunidade de ver a mais recente produção da Pixar, que faz muito mais do que os mínimos, contando uma emocionante história de amizade em terras italianas.

O Marco Gomes é o membro da equipa que não passeou pelo catálogo do Disney, optando por assistir a Ziegfeld Follies em DVD. Obra de 1945, apresenta prestações de nomes de peso, como Gene Kelly e Judy Garland. “O destaque vai para o regente do maior número de segmentos presente na obra,” escreve o Marco.

Regressando ao Disney+, o Filipe Urriça escreveu a sua opinião sobre Raya e O Último Dragão. Podem ler a opinião do redator sobre a película de Don Hall, Carlos López Estrada, Paul Briggs e John Ripa no final deste artigo. “O filme não é mau, mas poderia ser muito melhor,” afirma o Filipe.

Pedro Martins, Luca (Disney+)

Luca é mais do que um filme de verão. A nova oferta da Pixar está disponível em exclusivo no catálogo da Disney+ e conta-nos a história de como a amizade de duas personagens, Luca (Jacob Tremblay) e Alberto (Jack Dylan Grazer), surge, cresce e é testada.

Os dois protagonistas são “monstros marinhos”, criaturas que assumem a forma humana quando estão fora de água. O filme tem trechos subaquáticos, mas decorre sobretudo numa pitoresca e piscatória vila italiana, onde a dupla decide entrar numa competição para tentar ganhar uma Vespa.

Em terra, Luca e Alberto travam amizade com Giulia (Emma Berman), uma criança humana que faz parte da equipa que terá que superar a concorrência num triatlo – natação, ciclismo e comer massa. O grande adversário é Ercole (Saverio Raimondo), personagem que nem sempre compete segundo as regras em vigor.

A Pixar coloca nos ecrãs um filme tecnicamente deslumbrante, com a vila a merecer ser uma personagem por direito próprio. E a alicerçar o centro da narrativa há os tradicionais momentos de humor, como são todos em que entra em cena Machiavelli, um gato que consegue cheirar que as crianças não são propriamente humanas.

Enrico Casarosa realiza um filme que merece ser visto. Entrem em comparações com outras películas do estúdio e naturalmente encontrarão propostas com outras valências mais vincadas, mas Luca conta uma história com coração e que não se fica pelos mínimos nem pela ligeireza. E quando terminarem o filme, não deixem de ver o pequeno documentário na secção Extras.

Marco Gomes, Ziegfeld Follies (DVD)

A bem dizer é abusiva a intitulação da caixa DVD que tem dado mote a estas linhas nas últimas edições da rúbrica. No sexteto de filmes de Astaire and Rogers: 6 – Film Collection deles um só terço tem Ginger Rogers -nome artístico de Virginia Katherine McMath- no elenco. Aliás, em nota complementar de informação refira-se que dos noventa e três trabalhos para cinema onde aparece creditada enquanto atriz, apenas numa dezena contracena com Fred Astaire.

Para suprir a falha, em Ziegfeld Follies (1945) o que não faltam são nomes de peso ao cartaz, com destaque para Gene Kelly e Judy Garland. Contudo, o destaque vai para o regente do maior número de segmentos presente na obra, Vincente Minnelli, também ele pseudónimo, de Lester Anthony Minnelli, nome incontornável entre os realizadores do género musical.

Mesmo sem premeditação deparamo-nos com um exercício irónico já que o Ziegfeld Follies do título nos remete para elaborados espetáculos de variedades na Broadway no primeiro terço do século XX, que foram cedendo plateia a uma invenção recente nesse período temporal, o cinematógrafo.

Pois bem, o cinematógrafo que ressuscitaria daqueles o principal responsável, Florenz Ziegfeld, interpretado por William Powell, para imaginar uma nova série de apresentações, num pressuposto tão diferenciado quão preguiçoso, pois, após inesperado enquadramento em animação stop motion, sem qualquer elo narrativo encadeia uma sequência de quadros de humor, canção e dança, em isolado ou fazendo-se companhia.

Filipe Urriça, Raya e O Último Dragão (Disney +)

Ultimamente tenho visto quase todas as grandes estreias do Disney +, excepto aquelas que têm o acesso premium, ou seja, que exigem um pagamento adicional. Raya e O Último Dragão foi um desses filmes que estreou em acesso premium e que mais tarde ficou disponível apenas com a subscrição ao serviço de streaming da Disney.

Por isso, vi este filme de animação, mas não consegui gostar desta obra como pensei que fosse gostar. A narrativa adivinha-se a milhas e a aventura em si não tem aquele brilho típico da casa de Mickey. Vê-se que jogaram pelo seguro mas quando apresentam uma mitologia muito própria, onde há dragões que funcionam como deuses, se não a fortificarem pode desmoronar-se a meio do filme.

Raya e O Último Dragão é, sobretudo, um filme sobre a união e a sua importância para ultrapassar dificuldades. A união é posta à prova depois de uma entidade maléfica provocar a seca em locais que eram verdejantes e cheios de recursos naturais. Esta história, com base na cultura asiática, é uma lufada de ar fresco nas histórias da Disney, mas perde muito quando não se desenvolve e somos deixados com aquilo que nos dão.

O filme não é mau, mas poderia ser muito melhor, as piadas a acertarem ao lado também não me ajudaram a gostar mais de Raya. Contudo, é um bom filme para se ver em família, desde que não vão vê-lo com expectativas demasiado altas.

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