Provavelmente ainda algo confusos pela mudança da hora, a equipa VideoGamer Portugal volta a reunir-se para destacar neste espaço o que tem visto durante os últimos dias. Como é habitual, são propostas de vários géneros e com diferentes efeitos em quem as viu, tal como podem ler ao longo deste artigo.
Depois de escrever sobre a estreia de Watchmen, o Pedro Martins resolveu continuar a dedicar o seu tempo ao catálogo HBO Portugal e assistiu a seis dos oito episódios que compõem a minissérie À Procura de Alaska. Ainda não está totalmente convencido, entrando na reta final da temporada com um entusiasmo moderado.
No TVCine foi exibido recentemente O Biscate, obra francesa que o Filipe Urriça viu, condensando os seus pensamentos mais abaixo, onde escreve que é uma má comédia, pelo que tenham algumas reticências antes de o começarem a ver. Finalmente, o Marco Gomes viu Canções do Segundo Andar e escreve sobre o filme e sobre o humor nórdico no final deste artigo.
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Pedro Martins, À Procura de Alaska (HBO Portugal)
À Procura de Alaska aborda alguns temas profundos e intrínsecos à adolescência, mas tem para já falhado em resistir à tentação de os amansar com tiradas humorísticas que soam mais a rede de segurança. Produzido pela Hulu, está disponível na HBO Portugal e precisa de um final em grande para ficar na memória.
É uma minissérie composta por oito episódios e durante a última semana assisti a seis, pelo que ficam os pontos de interrogação relativos ao final. À Procura de Alaska é também a adaptação de um livro assinado por John Green, que acabaria posteriormente por escrever o fenómeno A Culpa é das Estrelas.
O cerne da história conta a experiência de Miles Halter (Charlie Plummer), que se aventura numa nova escola secundária onde conhece Chip (Denny Love), Takumi (Jay Lee) e, como não poderia deixar de ser, Alaska (Kristine Froseth). Ao longo destes episódios, essa experiência passa pela amizade, pelas relações amorosas, pela rivalidade com outro grupo e pelas partidas que vão crescendo de tom e de consequências.
Logo no final do primeiro episódio acontece um acidente de viação, com quase todos os episódios posteriores a datar quanto tempo falta para esse momento acontecer. Na prática, estamos sobretudo a compreender como é que as vidas destes amigos se foi moldando e o que levou a que tal acontecesse. Não é uma mecânica propriamente nova, mas ainda assim vai alimentando a curiosidade de quem vai vendo.
Quando se foca nos problemas mais sérios, ocasionalmente colocando no ecrã temas e situações traumáticas, À Procura de Alaska promete versar sobre adolescências incomuns. Mas esses momentos têm alguma dificuldade em encontrar uma sequência coerente e afiada, resultando melhor quando puxa a linha temporal ainda mais atrás e mostra os passados dos protagonistas. Não tem sido uma série para esquecer, mas sim uma proposta que poderia ter sido ainda mais eficaz.
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Filipe Urriça, O Biscate (TVCine 3)
Normalmente, costumo escolher bem os filmes franceses. Gosto especialmente de comédias e, depois de ter escolhido um filme às cegas, O Biscate, fiquei desiludido. Em vez de conseguir fazer-me rir, O Biscate fez-me bocejar de tédio.
A premissa narrativa é interessante, por isso fiquei surpreendido pelo humor não ter funcionado. A crise assolou a Europa, incluindo a França que, mesmo sendo uma das maiores economias do Velho Continente, sofreu com este flagelo que bem conhecemos em Portugal. A personagem principal perde o seu emprego e aceita qualquer tipo de trabalho para sobreviver, até quando lhe pedem para ser um assassino.
As tentativas de comédia aparecem quando Jacques, o assassino desempregado, revela a sua inexperiência no que toca a matar a sangue-frio. A sua entrada no mundo do crime mostra o trapalhão que é, nomeadamente quando se vê confrontado com situações constrangedoras. A comédia de situação falha por completo quando o próprio ator exagera nas reações aos falhanços da sua ação criminal.
Enfim, com O Biscate agora sei que tenho de ter a certeza daquilo que escolho. Pessoalmente, acho que pior do que um mau filme é uma má comédia.
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Marco Gomes, Canções do Segundo Andar (DVD)
Com propriedade se poderá falar de um sentido de humor nórdico, contudo, não tomando a palavra por leviana na agregação, tal dela é o espanto se, por exemplo, inserirmos o caso lusitano no conjunto de países do sul da Europa ou dos países mediterrânicos do continente, facilmente encontrando um vazio de congruência.
Ir-se-ia mais longe ao constatar que, em sua transladação para cinema, as fitas com teor de comicidade oriundas da Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Islândia respeitam um cânone cénico e visual, sempre lívidas e aparentemente austeras, engrossando, a maioria das vezes, o pelotão que da matriz do género zombeteia e coloca como o mais extremado na conciliação do produzido com intuitos artísticos ou para venda às massas.
Em boa hora decidiu a Alambique Filmes editar uma caixa DVD com a trilogia que o sueco Roy Andersson dedicou à condição humana, estímulo primordial ao argumento do espectro susodito, iniciando-se com Canções do Segundo Andar (2000), Sånger från andra våningen na língua-mãe.
As personagens que se repetem nas cenas são, em verdade, cobaias de uma estrutura narrativa fragmentada em quadros de carga simbólica e despudorada ironia. Retratos do autor sobre o desconforto que da sociedade atual extrai, mas também dos fantasmas da humanidade, neles cabendo, por exemplo, o trucidar dos direitos dos operários, a condenação do futuro das novas-gerações, a crença enquanto valor mercantil ou as chagas de quem à cultura se devota.
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