Este domingo, há três propostas que estão disponíveis em três plataformas diferentes. O Pedro Martins acedeu ao catálogo Disney Plus em Portugal não para ver as cintilantes produções Marvel ou as óperas espaciais que nos levam a vivenciar Guerra das Estrelas, mas para olhar 1928 nos olhos e perceber como é ver O Barco a Vapor em 2020.

O Marco Gomes, fiel à sua coleção de DVD, assistiu a Balas sobre a Broadway, película estreada originalmente em 1994. Assinado por Woody Allen, somos transportados até Nova Iorque durante 1928 - sim, curiosamente, é precisamente o ano em que O Barco a Vapor ficou disponível. “Uma crítica explícita aos artistas que o são pelos tiques e manias e não em talento,” escreve o Marco nas suas palavras sobre a obra.

Por sua vez, a terminar este artigo dominical temos os parágrafos que Filipe Urriça dedicou a Doom Patrol. Apesar de ainda estar a terminar a visualização da temporada de estreia, o redator escreve que “é uma das melhores séries inspiradas em super-heróis”. Uma retumbante recomendação, portanto, desde que tenham uma subscrição HBO Portugal válida.

Pedro Martins, O Barco a Vapor (Disney Plus)

São apenas sete minutos, mas a importância desta curta-metragem é inegável. Estamos perante a génese do Rato Mickey e sobretudo do que se afirmou como a visão excelsa de Walt Disney. Disponível no catálogo do Disney Plus, agora que o serviço está finalmente disponível em Portugal, essa visão torna-se ainda mais evidente quando percebemos que Disney coloca em O Barco a Vapor o primeiro desenho animado com som sincronizado.

Assistir a esta curta em 2020, quase cem anos após a sua estreia (que aconteceu em 1928), é testemunhar uma história simples que não escapa a alguns momentos bizarros. É uma viagem num barco em que Mickey começa ao leme, mas cedo se percebe que a liderança é disputada com o Capitão Bafo de Onça. A espinha dorsal dos sete minutos são as peripécias pela qual a mascote passa durante a curta viagem pelo rio.

Além de uma paragem para carregar uma vaca e da chegada de Minnie ao barco, há cenas musicais que pautam o ritmo - “Turkey in the Straw”, por exemplo - e que dão uma particular cadência à proposta. A forma como Mickey usa diversos animais e até mesmo como a grua “apanha” a Minnie fazem-nos olhar duas vezes para o ecrã. O uso de tabaco numa película assinada pela Disney não deixa de ser outro claro indício que estamos a testemunhar uma criação com mais de noventa anos.

Se têm uma subscrição Disney Plus, porém, vejam O Barco a Vapor. Vejam a curta, se possível, antes de se deliciarem com as propostas mais atuais dos estúdios de animação Disney ou com as colossais produções da Pixar. É importante testemunhar na primeira pessoa a evolução, saber onde praticamente tudo começou para deter melhor as portas mágicas que se abrem para a imaginação em 2020 e nos anos que se seguem.

Marco Gomes, Balas sobre a Broadway (DVD)

Acreditando ser divisória a afirmação que Woody Allen é um dos maiores nomes vivos da cultura americana, a inflamada negação é-o igualmente. Mais consensual, porventura, o reconhecimento de seu largo contributo para a sétima arte no território durante o último meio século, ou sendo mais precisos, no terço final do século XX até hoje, e o indisputado reinado no género comédia.

Nada pacífica também será a incumbência de apontar os maiorais em sua filmografia, sobrando motivos que o expliquem. À cabeça a prolífica manufatura com cinquenta e cinco registos anotados até Rifkin’s Festival (2020) -ainda sem distribuição comercial nos cinemas nacionais-, empolando a constatação a hegemonia do formato longa-metragem, sendo delas meia centena.

Por outro lado, temos a multiplicidade de propostas que lá se encontra. Descontando as poucas que se furtam vincadamente ao humor, impressiona a polivalência e flexibilidade com que Allen o explora, galgando fases, criando antípodas, fundindo estilos. Enquadramento que ameniza, mas não redime, a ausência de fulgor do período recente com filmes turísticos tendo a comédia romântica por essência.

O que aqui nos traz, Balas sobre a Broadway (1994), da tradução direta de Bullets Over Broadway, é um filme de época, anos trinta do século passado, pouco credível na intenção, sendo o juízo relativizado, e até confrontado, pelo ridículo que todo o pacote embrulha.

De facto, o grande mérito da obra é fazer estilo ligando humor idiota e inteletual de bravata em sequências ostensivamente encaixadas na trama de David Shayne, John Cusack a fracos préstimos, jovem dramaturgo em ascensão com improvável ajuda de um capanga da máfia nova-iorquina, numa crítica explícita aos artistas que o são pelos tiques e manias e não em talento.

Filipe Urriça, Doom Patrol (HBO Portugal)

Nunca vi nada minimamente parecido com Doom Patrol e apesar de ainda não ter terminado a primeira temporada, vi onze episódios dos quinze que a compõem, posso afirmar que é uma das melhores séries inspiradas em super-heróis. No caso de Doom Patrol podemos dizer que são anti-heróis, visto não estarem na definição mais clássica de super-herói.

Doom Patrol é uma série inspirada em personagens da DC Comics, onde o mais conhecido é Cyborg, que nem é das personagens mais famosas da publicação que criou Batman. Apesar de estar num mundo totalmente desconhecido, este bando de pessoas com habilidades ou poderes bizarros é fascinante. É a falta de controlo nas suas próprias habilidades que torna a série em algo único, além de ser do mais bizarro que há, considerando que há uma rua que fala, só para mencionar um dos muitos estranhos exemplos mais surpreendentes.

O último episódio que vi tentava dar um encerramento aos problemas que atormentavam Cliff um homem que só lhe resta o cérebro como parte humana. Antes de se tornar num robô, tinha uma família com vários problemas, contudo nunca se conseguiu despedir da sua filha. Atormentado, Cliff tenta fechar este episódio da sua antiga vida, para poder voltar à sua missão principal.

Porém, não é só Cliff Steele que tem sérios problemas. Larry, Crazy Jane, Cyborg e Rita também têm os seus próprios tormentos pessoais. E com um vilão como Mr. Nobody, que fala diretamente para os espectadores, será muito curioso descobrir o que ainda me os quatro episódios que me faltam ver.

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