Este domingo, a equipa VideoGamer Portugal aposta em recomendações que vão de uma série documental a uma quarentena cinéfila, passando por uma segunda opinião sobre WandaVision, inquestionavelmente a série que neste momento está a dar popularidade ao Disney+.

O Pedro Martins viu o primeiro episódio de Allen V. Farrow, série que está a ser transmitida em exclusivo na HBO Portugal. São quatro episódios, mas o segundo apenas ficará disponível amanhã. No centro está Dylan Farrow e as alegações de abuso sexual contra Woody Allen. É uma estreia angustiante que não deixa ninguém indiferente.

De seguida podem ler a opinião do Marco Gomes sobre a Quarentena Cinéfila a que assistiu na Plataforma Medeia Filmes. Ficam os rasgados elogios à diversidade da programação e a Asas, que para o Marco é o grande destaque.

Finalmente é a vez do Filipe Urriça escrever sobre WandaVision, série que já tinha sido destacada nesta rubrica por Pedro Martins no mês passado. Podem ler a opinião do Filipe sobre os oito primeiros episódios a terminar este artigo dominical.

Pedro Martins, Allen V. Farrow (HBO Portugal)

Allen V. Farrow é uma série documental que ilustra as alegações de abuso sexual. Woody Allen terá, alegadamente, abusado sexualmente da sua filha adotiva Dylan Farrow em 1992. No momento em que este artigo é publicado, está disponível o primeiro de quatro episódios.

O documentário conta com a participação de Dylan, da sua mãe Mia Farrow, dos irmãos Ronan Farrow e Fletcher Farrow, assim como de amigos da família, entre outros. Naturalmente, é um episódio de estreia carregado de emoções fortes, de acusações graves; marcado também por um acesso aos bastidores de uma família de estrelas a que faltavam pilares basilares.

Ainda é cedo para quantificar o que Allen V. Farrow vale enquanto documentário, até porque este episódio dedica algum do seu tempo a apresentar Woody e Mia. Contudo, os minutos que são dedicados a Dylan na primeira pessoa não deixam ninguém indiferente. Importa não esquecer que Allen continuou a trabalhar muito depois destas alegações terem sido feitas.

Além disso, nos momentos finais, o destaque é dado a Soon-Yi Previn, filha adotiva de Mia. O documentário relata com bastante detalhe as fotografias que Mia encontrou de Previn, fotografias que foram tiradas por Woody. A história mostra-nos que Woody Allen acabou mesmo por celebrar o casamento com Soon-Yi Previn.

A grande questão é como é que os restantes episódios vão guiar o relato dos acontecimentos, algo que promete ser especialmente emocional e cru quando as câmaras estiverem apontadas ao discurso direto de Dylan. Se tiverem uma subscrição HBO, vejam-no e fiquem a conhecer um caso que abalou a esfera social há anos e que volta a colocar perguntas que nunca foram respondidas.

Marco Gomes, Quarentena Cinéfila - 11 Fevereiro a 01 Março (Plataforma Medeia Filmes)

A segunda fase da segunda temporada da Quarentena Cinéfila promovida pela Medeia Filmes com colaboração Leopardo Filmes conduz-nos até ao início de Março com uma mão cheia de propostas, disponíveis à vez num período de quatro dias, no primeiro dos quais a partir das 12h e no último até essa hora, assim sucessivamente.

De forma curiosa, tal como aconteceu na primeira fase, abdiquei da obra de abertura, Eu e Tu (2012), Io e Te, de Bernardo Bertolucci, por antes a ter visto, e, a bem dizer, não ter criado impacto merecedor de segunda visualização.  

Globalmente não tem primado a iniciativa pela qualidade na representação do cinema lusitano, A Uma Hora Incerta (2015) faz disso prova como mais fraca película da temporada até ao momento.

Carlos Saboga pode ser um argumentista satisfatório, função onde é mais reconhecido, devendo deixar a de realizador para quem nela seja competente. Avaliando apenas a sinopse narrativa dir-se-ia ter muito para dar certo, levada à prática mostrou-se ruinosa, sobrando em segmentos de puro amadorismo.

Um filme (aludido) sobre um filme sobre um filme. Utilizando a estrutura narrativa fragmentada e temporalmente enviesada do thriller psicológico, se bem que mais ligeiro dele não foge Monte Hellman com seu Road to Nowhere (2010), “Sem Destino” de subtítulo ganho em Portugal.

Não defrauda na categoria de objeto cinematográfico inusitado, e revela seus fogachos de inspiração, padecendo todavia de duas maleitas dizimando a produção independente americana, ter-se curto em identidade e densidade.

O documentário é o género cinematográfico a que menos assenta a carapuça, todo ele um ecossistema. E ainda assim, salvo aves raras que sempre as há, de fácil identificação o código genético da fauna.

Boom for Real (2017) de Sara Driver, com direito também a subtítulo nestas bandas, A Adolescência Tardia de Jean-Michel Basquiat, pertence estruturalmente ao padrão mas com a particularidade de dividir o enfoque no tópico expetável, a vida do artista americano susodito que aos vinte e sete anos morreria precocemente, e o peso invulgar de seu contexto vivencial, a Nova Iorque da depressão financeira, convulsões sociais e efervescência criativa dos sessenta e setenta do século passado.

Excelsa a diversidade oferecida na programação, até do prisma cronológico enquanto testemunho, mais irónico que credível, do tempo passado. Assim é com Asas (1966), Krylya no original russo, de Larisa Shepitko, um conto sobre o limbo existencial que em Nadezhda Petrukhina, directora de uma escola técnica fiel ao regime estalinista, se manifesta no choque entre o saudosismo da carreira de aviadora militar e a pouca realização pessoal e profissional do momento presente. Com o devido respeito pelas restantes, a larga distância a melhor obra do lote.

Filipe Urriça, WandaVision (Disney+)

No meu agregado familiar decidimos comprar uma subscrição anual de Disney+, mesmo antes deste ficar mais caro por ter recebido conteúdos da Star. Não foi necessário tentar usar a minha capacidade de persuasão para convencer a minha família a aderir ao serviço de streaming do gigante do entretenimento, só os desenhos animados nostálgicos foram suficientes para quererem aderir ao Disney+. Pessoalmente, as novidades da Marvel foram o grande catalisador para querer subscrever ao Disney+, sobretudo a série que dá continuação ao Universo Cinemático da Marvel, WandaVision.

Esta série, que está quase a terminar, coloca Wanda Maximoff e Vision, dois membros dos vingadores, no centro da narrativa. A primeira pergunta que me fiz foi em relação à presença de Vision na série, visto que morreu às mãos de Thanos em Endgame, pois este ser só existe graças à mind Stone, um das seis Infinity Stones. Porém, o que me intrigou mais, quando comecei a ver WandaVision, é o facto de ter sido apresentado com um aspeto monocromático, como se fosse uma sitcom dos anos sessenta. No início, isto pareceu-me bastante estranho, mas depois de ter visto o oitavo episódio já percebo o que a Marvel quis transmitir.

WandaVision é uma homenagem às sitcom, um género que, por acaso, aprecio muito. Uma das homenagens mais evidentes é a Bewitched, série que acompanhei na minha infância, sobretudo quando passou a ser filmado a cores. Contudo, a série da Marvel Studios também tem referências mais contemporâneas, como por exemplo, Modern Family (que também está no catálogo do Disney+). E é nestas homenagens e referências que a Marvel esconde um mistério, tentar desvendá-lo é parte da experiência e é por isso que o formato clássico de episódios semanais encaixa bem nesta série. Assim podemos ler teorias e hipóteses e argumentar nas redes sociais aquilo que a série esconde.

Por mim, a Disney e a Marvel podem continuar a alimentar o serviço de streaming com conteúdos do Universo Cinemático da Marvel, principalmente se derem palco a personagens menos conhecidas como a Scarlet Witch. Felizmente, para este ano já estão planeados The Falcon and the Winter Soldier e Loki, mas estou curioso para ver como é que a plataforma vai servir de palco a series, à imagem daquelas que estiveram na Netflix, como Jessica Jones ou Daredevil.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!