Com mais um domingo a dar o ar da sua graça, a equipa VideoGamer Portugal tem então oportunidade para comentar algum do conteúdo que lhe foi passando pelos ecrãs. A atualização sobre os videojogos que nos têm ocupado o tempo esta semana pode ser lida aqui, sendo que este artigo é referente ao entretenimento onde não temos participação ativa.

O primeiro a escrever os seus parágrafos esta semana é Pedro Martins, que comenta os primeiros seis episódios da série Love Life. Não é perfeita, mas permite testemunhar alguns desenvolvimentos amorosos, passando em revista como as pessoas entram e saem das vidas das outras. Nunca chega a ser profundo, mas oferece alguns momentos inspirados.

Posteriormente, o Marco Gomes atesta a qualidade de Vale de Amor, obra que teve recentemente oportunidade de ver em DVD. Escreve o responsável pelas imagens que ilustram os artigos e as análise no site que estamos perante um “contínuo heterodoxo de situações, umas vezes corriqueiras, outras insólitas, surreais até”.

Para terminar esta edição da rubrica podem ler o que o Filipe Urriça pensa de O Último a Sair. Sim, a série protagonizada por Bruno Nogueira que se tornou um clássico intemporal. Disponível no RTP Play, permite ver como a vida era diferente há apenas tão poucos anos; como a vida nos permitia ver e estudar uma paródia acutilante dos Reality Shows.

Pedro Martins, Love Life (HBO Portugal)

Esta semana tive finalmente oportunidade de começar a ver Love Life na HBO Portugal. Série protagonizada por Anna Kendrick, que interpreta Darby, é um olhar não muito concentrado sobre a forma como as pessoas se relacionam e como tentam - ou não - manter essas ligações amorosas, sim, mas também relações de amizade e até familiares.

Na sua essência, cada episódio é dedicado a uma das pessoas que se relacionou com Darby, ou seja, que sublinhou o amor e a forma como este se expressou na sua vida. Sobretudo são namorados, sim, mas durante estes seis episódios há também um marido e um olhar sobre o passado da protagonista enquanto adolescente.

Vale a pena ver, não sendo particularmente enfadonha ou gritante. Contudo, para já não há um aprofundar do tema. O mais próximo que esteve é numa visita a uma psicóloga. Amores que regressam do passado, amores que falham no presente, amores que prometem um futuro que nunca chegará.

Pode ser vista como uma condensação da vida, mas neste carrossel de entidades pouco sobra de cada uma, mesmo das que têm um papel recorrente. Faz o suficiente, mas poderia ser mais desafiante se colocasse no ecrã a psique humana sem ligeireza. Os efeitos colaterais da perda são mais do que um salto temporal no nosso ecrã.

Marco Gomes, Vale de Amor (DVD)

Milhares o tiveram como enquadramento cénico, embora, diria que 90% deles num único e formulaico género, Western. Ainda assim, não deixa de ser feito tão relevante quão curioso que uma das mais diferenciadas películas rodadas no deserto americano seja a produção franco-belga Vale de Amor (2015), da tradução literal Valley of Love.

O facto adquire foros mais rocambolescos, aí se começando a explicar o divórcio da crítica especializada, e provavelmente do público geral, com a décima segunda longa-metragem de Guillaume Nicloux, por a localização geográfica, no caso concreto Vale da Morte no estado da Califórnia, não casar pacificamente com o argumento.

As personagens, respondendo pelo nome próprio de seus atores, dois dos mais reputados da representação gaulesa para cinema atual, Isabelle Huppert e Gérard Depardieu, parecem sempre desterrados, num contínuo heterodoxo de situações, umas vezes corriqueiras, outras insólitas, surreais até.

O sentido desconjuntado do exercício sendo palpável é-lhe também o estilo, não deixando de ser admirável na força imperceptível que imprime tanto a drama como a comédia, entre o mundano e o espiritual, para contar a estória de dois pais separados procurando cumprir o desejo manuscrito do filho antes de se suicidar.

O Último a Sair (RTP Play)

Instalei esta semana a aplicação RTP Play no meu telemóvel para ver o que é que as Destemidas tinham de tão ofensivo. Bem, era mais uma vez a estupidez humana no seu melhor, visto se terem dado ao trabalho de contactar o provedor da televisão pública para remover aquele programa que tinha apenas conteúdo informativo e histórico sobre grandes mulheres. Já que a aplicação estava instalada, mantive-a, porque vi que a série completa do Último a Sair estava disponível.

Não me lembrava muito bem do programa em si, mas sabia o que estava a satirizar. Para quem não conhece, o Último a Sair é um programa satírico dos Reality Shows, como o Big Brother ou o Secret Story. Escrito por Bruno Nogueira e João Quadros, o Último a Sair exagera exponencialmente todos os estereótipos dos participantes, assim como todas situações caricatas clássicas protagonizadas por quem vai a este tipo de programa.

Ainda só vi os dois primeiros episódios, mas estão bem carregados de humor. O pobre apresentador, Miguel Guilherme, é sempre tratado por Teresa ou Júlia. Marco Borges, o famoso ex-concorrente do primeiro Big Brother, foi expulso por agressão cinco minutos após ter entrado. Enfim, é um chorrilho de emoções que nos fazem rir às gargalhadas.

Além de ver este programa nas próximas semanas, também vou ver Odisseia, também assinado por Bruno Nogueira. A aplicação da RTP é muito boa e tem muitos programas que deviam ser vistos por quem consome entretenimento audiovisual, talvez em vez de estarem a ver agricultores ou o novo Big Brother.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!