Na última edição de março, a rubrica que mostra o que a equipa VideoGamer Portugal tem andado a ver, o Pedro Martins versa sobre arte. Ou melhor, sobre um documentário que versa sobre a falsificação de várias peças. Made You Look: A True Story About Fake Art está disponível na Netflix e abre uma janela sobre a fragilidade de um negócio que envolve milhões e milhões de euros.

O Marco Gomes voltou à sua coleção de DVD para assistir a As Bailarinas, película assinada por Bertrand Blier. Escreve o responsável pelas imagens do site que “a simultaneidade brejeira e provocadora com que aborda a sexualidade e violência acirra o interesse do espectador por entre desventuras nem sempre estimulantes para o escorreito desenvolvimento narrativo”.

E a terminar o artigo temos a opinião de Filipe Urriça, que este domingo contempla aquilo que uma série de curtas consegue fazer pelo espectador. Acedendo ao catálogo do Disney+, o redator teve oportunidade de ver Pipocas Pixar, uma série de curta-metragens assinadas pela produtora de incontáveis clássicos de animação.

Pedro Martins, Made You Look: A True Story About Fake Art (Netflix Portugal)

Não precisam ter um extenso conhecimento no mundo da arte para assistirem a Made You Look: A True Story About Fake Art, um documentário que está disponível no catálogo da Netflix Portugal. É um retrato, acima de tudo, de como este universo está vulnerável a peças falsas e de como galerias, vendedores e colecionadores podem enganar e ser enganados.

Realizado por Barry Avrich, Made You Look centra-se no caso que abalou os Estados Unidos da América nos anos 2000, colocando os holofotes sobre Ann Freedman, diretora da galeria Knoedler Gallery em Nova Iorque. Foram obras de Rothko, Pollock e Kooning que chegaram a oitenta milhões de dólares, foram obras falsas destes artistas que fizeram estalar o verniz na esfera que se julga polida e de elite.

O documentário tem tempo para entrevistar extensamente Freedman, construindo um perfil que permite ao espectador tirar as suas próprias conclusões sobre se estamos perante alguém que vendeu obras falsas para benefício próprio ou se foi enganada, tal como as pessoas que compraram as peças. São também minutos que contam com as opiniões de especialistas e de jornalistas que acompanharam o caso, havendo ainda um trecho que investiga a pessoa que falsificou os quadros.

Quando Made You Look chega ao fim, ficamos acima de tudo com uma nova visão deste mundo e uma constatação: se estes quadros falsificados foram identificados, quantos não serão os que ainda estão em circulação? Navegando pelas várias ramificações deste esquema, vejam-os para alargarem os horizontes do vosso conhecimento ou para serem testemunhas de uma implosão ao longo de noventa minutos.

Marco Gomes, As Bailarinas (DVD)

Mesmo tendo pouco para inferir do convívio direto com a estirpe, faz desconfiar a propaganda mediática da existência de superação qualitativa e/ou anseio artístico nas comédias de humor idiota.

Ao reintroduzir no mercado nacional As Bailarinas (1974), Les Valseuses, em versão restaurada, fez uso a Leopardo Filmes de adendas promocionais como “filme de culto” ou “o filme que chocou a década de 70”. Rebatendo os excessos da cunhagem afirmarão os responsáveis da distribuidora/editora estar essa mais longe da publicidade que da verdade.

Segunda longa-metragem na carreira de Bertrand Blier, apresenta-nos a Jean-Claude e Pierrot, respectivamente Gérard Depardieu e Patrick Dewaere, delinquentes à deriva, nunca convencendo a busca por conquistas de leito ou golpes menores para fundos correntes como fundamento sólido de suas acções, desdizendo-o o Carpe Diem do segmento final.

A simultaneidade brejeira e provocadora com que aborda a sexualidade e violência acirra o interesse do espectador por entre desventuras nem sempre estimulantes para o escorreito desenvolvimento narrativo. Dessa pulsão inconsistente, fomentada por patamares divergentes de humor, cede o sorrir ao gargalhar em ressonância.

Filipe Urriça, Pipocas Pixar (Disney+)

Ando na aplicação do Disney+ a ver quais são as grandes novidades, embora a maior importância e interesse do seu catálogo esteja em produções clássicas da sua história. É óbvio que há Soul e WandaVision, que está a decorrer O Falcão e o Soldado do Inverno e que virá Luca (sem custos adicionais, ao contrário de Raya e o Último Dragão). Por esta altura, tenho a certeza que muitos subscritores do serviço de streaming da Disney já foram ver clássicos da animação como Dumbo, Peter Pan ou Alice no País das Maravilhas. Pessoalmente, ando a percorrer o catálogo da Pixar, nomeadamente as suas curtas.

Esta semana, vi um conjunto de curtas ainda mais contidas do que normalmente é uma curta-metragem. Pipocas Pixar não podia ter um melhor nome. São dez curtas que exploram a personalidade de personagens já estabelecidas dos seus mundos, como Carros, Toy Story ou o recente Soul. Vi todas as curtas, que totalizam vinte e um minutos, que individualmente variam de um a quatro minutos e que não são vocalizadas. Contudo, há duas curtas que são a exceção à regra e são vocalizadas.

É fantástico ver como é que algo tão curto pode conter tanta emoção. Talvez se deva ao facto destas personagens já serem conhecidas por quem as vê. Se preferirem ver curtas-metragens mais compostas, podem sempre ver as Sparkshots da Pixar ou irem às coleções de curtas e procurarem por Bao, uma das melhores que vi até hoje. Sinceramente, não é só o tempo de duração que define uma curta-metragem, a mensagem e sentimentos que transmite são igualmente importantes. Vejam-nas, não se vão arrepender e se isto não for de vosso agrado, não desperdiçarão muito tempo da vossa vida. 
 

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!