VideoGamer Portugal por - Nov 28, 2021

O que andamos a ver, 28 de novembro, 2021

A Netflix é responsável por duas entradas nesta edição da rubrica O que andamos a ver, com a terceira a ser uma proposta testemunhada em DVD. Temos pela frente considerações sobre um musical, uma série de animação inspirada no mundo dos videojogos e ainda um texto para relatar os achados em mais um filme de Pablo Larraín

Depois de na semana passada ter versado sobre os primeiros episódios de Dopesick, este domingo o Pedro Martins escreve sobre Tick, Tick … Boom!, película que está disponível em exclusivo na Netflix. Musical de Lin-Manuel Miranda sobre a vida de Jonathan Larson, estamos perante uma obra que marca, mas que poderia ter sido mais abrangente.

Logo de seguida podem ler as impressões que Marco Gomes tirou de O Clube. Escreve o responsável pelas imagens dos artigos e das análises que “O Clube parte de uma observação sobre o real, digere-o em cena através de enquadramento forçado e sucumbe em terra de ninguém, longe da aversão, longe do afeto”.

O Filipe Urriça testemunhou, também na Netflix, Castlevania. As impressões do redator são sobre a primeira temporada e quatro episódios do segundo volume, afirmando que “vejam esta série que, de certa forma, poderá mandar uma mensagem à Konami para voltar a produzir títulos de uma das séries mais influentes dos videojogos”.

Pedro Martins, Tick, Tick … Boom! (Netflix)

Tick, Tick … Boom! mostra ao espectador um trecho da vida de Jonathan Larson. Não sabia quem era antes do filme começar a ser falado, mas estamos perante o criador de vários musicais na Broadway, sobretudo conhecido por Rent. São quase duas horas para travarmos conhecimento com a estreia de Lin-Manuel Miranda como realizador.

Larson é interpretado por Andrew Garfield e é revelada a sua angústia enquanto jovem adulto quase a celebrar o seu trigésimo aniversário. A entrega de Larson ao seu trabalho é colocada em evidência, tanto na fervorosa interpretação de Garfield, como nas incontáveis quebras para números musicais improvisados.

Conheçam ou não o desfecho – eu não conhecia – a obra percorre os ecrãs em crescendo, mesmo que se saiba o sucesso colossal que foi Rent. É verdade que não é o primeiro filme a ilustrar as dificuldades de um jovem artista, mas graças a um ritmo que nunca quebra em demasia, o espectador raramente tem tempo para tirar os olhos do ecrã.

Como certamente terão lido nas notícias, Stephen Sondheim faleceu no final da semana passada e Tick, Tick … Boom! é uma involuntária homenagem à figura influente. Aqui interpretado por Bradley Whitford, Sondheim entra na vida de Larson no momento em que o compositor mais precisava. Miranda agradeceu-lhe publicamente os gestos de grandiosidade.

Em súmula, Tick, Tick … Boom! é uma boa homenagem de Miranda a um dos seus ídolos que fica na memória pelas peças musicais e por interpretações assinaláveis. Mesmo com uma longevidade nada curta, deixou-me curioso para descobrir mais sobre a vida de Jonathan Larson.

Marco Gomes, O Clube (DVD)

Não sendo único nem por associação geográfica o mais evidente, tal não retira mistério à capacidade de Pablo Larraín se movimentar entre planos antagónicos de produção, o de cinema de grandes meios para grandes públicos e peças reservadas e pessoais.

A explicação auxilia-se da máxima cada caso é um caso, e neste de duas tentativas, a largueza de espírito que permite abrir e ter gosto em percorrer novos caminhos e, faca de dois gumes, a flexão para o compromisso.

Com essa luz podemos olhar para o Grande Prémio do Júri na sexagésima quinta edição do Festival de Cinema de Berlim, O Clube (2015), El Club. Visão provocadora dos crimes cometidos por agentes da fé nas últimas décadas, passível até de ser considerado ofensivo pela ala mais conservadora da igreja católica. Atestado límpido da ousadia do chileno ao ser gerado no epicentro do fervor dessa confissão religiosa, a América Latina.

Por essa faculdade de afrontar, antes de mais, o próprio legado artístico confesso que gostava de gostar dos filmes de Larraín, novamente encontro motivos para tal suceder apenas pela metade. O Clube parte de uma observação sobre o real, digere-o em cena através de enquadramento forçado e sucumbe em terra de ninguém, longe da aversão, longe do afeto.

Filipe Urriça, Castlevania (Netflix)

Tenho sempre uma enorme curiosidade em ver adaptações de videojogos a filmes ou séries. A disponibilidade imediata dos serviços de streaming, popularizados pela Netflix, serviu para que voltasse a haver interesse em criar novas séries adaptadas de videojogos. Uma delas foi Castlevania, a emblemática série de videojogos da Konami, que foi adaptada para a série disponível na Netflix.

Vi a primeira temporada de Castlevania e quatro episódios da segunda, ou seja, vi um total de oito episódios de trinta minutos cada. Gostava de dizer que foi uma das melhores séries de animação que vi mas não foi – fica a léguas de Arcane. Contudo, quem gosta de violência gráfica vai ficar bem servido com Castlevania. Dracula é a figura mais temida pelo homem de Wallachia e jurou vingar-se de homens da Igreja que dizem estar a servir Deus, quando só estão a alimentar o seu ego com o poder que a Inquisição lhes deu.

Como é claro, esta é uma vingança irracional motivada pelo ódio que Dracula já tinha pelos humanos. E é aí que Trevor Belmont entra, dado que pertence a uma família conhecida por aniquilar entidades demoníacas. Belmont e Dracula são as personagens mais interessantes dos episódios que vi até agora. O Senhor das Trevas tem diálogos muito refletidos, já Belmont diz o óbvio com aquela ponta de humor característica de personagens que encaixam nos traços de personalidade dos anti-heróis.

Igualmente interessantes, pelo sua exuberância visual, são as cenas de combate. Quando há combates, há gore em doses generosas. Sangue, entranhas e corpos desmembrados e desfigurados pintam um cenário desolador característico da série nipónica. O grande mal de Castlevania, a meu ver, é que muitos dos episódios só servem para “encher chouriços”.

A primeira temporada parece ter sido apenas um preâmbulo do que irá acontecer nas temporada seguintes. Enfim, vejam esta série que, de certa forma, poderá mandar uma mensagem à Konami para voltar a produzir títulos de uma das séries mais influentes dos videojogos.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments