Enquanto continuamos a trabalhar a partir de casa, esta semana a equipa VideoGamer Portugal parou brevemente de dedicar tempo aos mais recentes videojogos para destacar outro tipo de entretenimento que foi passando pela divisão. Como tem sido habitual nestas últimas semanas, são recomendações para continuarem resguardados por casa, um esforço que diz respeito a todos.

Dando uso ao catálogo Netflix, Pedro Martins resolveu ver a temporada de estreia de Feel Good. São apenas seis episódios com menos de trinta minutos cada. Valem a pena, valem bem a pena, segundo o membro da equipa. Entre sorrisos e momentos sérios, é uma série que rapidamente se torna obrigatória.

Nos parágrafos que assina este domingo, Marco Gomes tece considerações a Amigos Amigos, Telemóveis à Parte. Película assinada por Paolo Genovese, somos convidados a assistir a um jantar onde um grupo de amigos toma uma decisão: colocar os telemóveis à frente de todos e partilhar as mensagens e as chamadas que foram recebendo. Os segredos não demoram a chegar à tona.

Finalmente, o Filipe Urriça acedeu ao Prime Video para ver The Boys. Muito se tem escrito sobre a série, particularmente nas redes sociais, e agora o Filipe resolveu finalmente comprovar se o burburinho era justificado. Como é que se lida com super-heróis que abusam dos seus poderes? The Boys - e o Filipe - explicam.

Pedro Martins, Feel Good (Netflix)

Os seis episódios que compõem a temporada de estreia de Feel Good terminam num ápice. Sim, têm uma longevidade curta, mas terminam rapidamente porque o espectador está completamente investido na série. É uma mistura de comédia, romance, e drama que sabe perfeitamente como encaixar as peças, não escapando à dureza dos sentimentos.

Criada por Mae Martin, a espinha da série é a relação de Mae, a personagem, com a sua nova namorada, George (Charlotte Ritchie). Mae - que é interpretada por Mae Martin, é uma standup comedian canadiana que está a viver em Londres, tendo também que lidar com os pais Malcolm (Adrian Lukis) e Linda (Lisa Kudrow) quase sempre à distância.

A forma como Mae e George se apaixonam e lutam com os problemas da relação, mas também a pressão de George contar aos seus amigos que tem uma namorada, tudo dá ímpeto aos momentos de comédia, que resultam quase sempre como momentos de libertação para a tensão e o drama acumulados.

Transversal a tudo isto é o facto de Mae ter problemas de consumo de drogas no seu passado. Está em reabilitação, mas a série demonstra por diversas vezes que a tentação de uma recaída está quase sempre presente. Estes ingredientes todos permitem que os episódios se movam rapidamente, mas entrando em câmara lenta nos momentos mais marcantes.

Há várias memórias que ficam, tanto criadas pelo argumento como pelas prestações. Mae é magnética, sim, mas vale a pena destacar a prestação de Lisa Kudrow, que edifica uma mãe distante e ainda com dificuldades em lidar com o passado da sua filha e, consequentemente, com o seu. O final deixa a porta aberta a uma segunda temporada e, sinceramente, espero que tal aconteça. Estas personagens e Mae Martin, a criadora, parece ainda terem muito a dizer.

Marco Gomes, Amigos Amigos, Telemóveis à Parte (DVD)

Dessas contas descartando Fellini 8 ½ por ser de outro campeonato, e cuja justificação para se incluir no pacote, como antes se havia referido, se sustentou na novidade da versão restaurada, não deixará saudades a caixa referente à décima primeira edição da Festa do Cinema Italiano.

A contribuir também para o indesejado pecúlio está a obra que a encerra, exemplificado a partir de uma prática já pitoresca, localizar sem pés nem cabeça títulos forasteiros. Do original Perfetti Sconosciuti, que no Brasil ganhou a tradução literal de Perfeitos Desconhecidos, aqui ficou Amigos Amigos, Telemóveis à Parte (2016), ou como um drama ligeiro se vende enquanto comédia.

O paradoxo que aí advém é ter este os melhores pedaços de texto humorístico na pesagem com os representantes do género que a este espaço trouxe nas duas últimas semanas, sintoma de um cuidado suplementar com o guião, mas, principalmente em aspirar a algo mais do que entreter o espectador em hora e meia, ou no caso, uma hora e trinta e seis minutos.

Porém, há sempre um longe da eloquência qualitativa, a versão de Paolo Genovese aos jogos de confiança em relações sociais de proximidade -temática em crescendo de importância no meio a partir do último quartel do século findo - é excessivamente bipolar, deitando por terra quanto de bom promete ao usar dispositivos telenovelescos como a conveniência situacional ou prodigalidade de momentos de fricção.

Filipe Urriça, The Boys (Amazon Prime Video)

The Boys é uma das melhores séries do catálogo da Amazon Prime Video e já passou algum tempo desde que vi uma série tão boa. The Boys pode ter oito episódios, mas vai direto ao ponto a que chegar: mostrar o lado negro de super-heróis idolatrados como autênticos deuses.

O argumento de Eric Kripke mostra o pior que há nos super-heróis, que se tornaram a mais poderosa indústria do mundo que nos é dado a conhecer. Há abuso de poder (político e das suas habilidades especiais) e uma constante sensação que qualquer atitude tomada por eles não tem nenhuma consequência.

Há um certo paralelismo com os Avengers da Marvel que não é por acaso. Quem vê sente que Homelander, Translucent e A-Train poderiam muito bem ser membros de uma equipa como os Avengers. Todavia, tem que se reconhecer que estes heróis não deixam de ser humanos, e qualquer humano não é feito só de virtudes.

O argumento desta série também é sustentado por excelentes interpretações de Karl Urban, Jack Quaid e, sobretudo, Antony Starr no papel de Homelander. É uma série crua, que põe em destaque o pior da humanidade. Não há espaço para grandes situações heróicas, mas há momentos cómicos tão bons para aliviar a tensão dos conflitos entre os super-heróis e quem os quer julgados da mesma forma que um simples humano.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!