VideoGamer Portugal por - Apr 3, 2022

O que andamos a ver, 3 de abril, 2022

O primeiro O que andamos a ver de abril conta com parágrafos sobre um documentário que começa bem, mas que deixa a desejar no final, segundo o Pedro Martins. Além do longo nome, Não Confies em Ninguém: Em Busca do Rei da Criptomoeda versa sobre a Quadriga CX e a estranha morte do seu fundador, Gerald Cotten.

Onde Jaz o Teu Sorriso? é a escolha do Marco Gomes, como podem ler na segunda participação do artigo. Novamente uma escolha assinada pelo realizador Pedro Costa (e por Thierry Lounas) , estamos perante um documentário que nos leva aos bastidores do cinema.

A terminar a rubrica O que andamos a ver este domingo temos as palavras de Filipe Urriça sobre mais um colosso que chegou recentemente ao catálogo da Disney+. Moon Knight foi a escolha do redator, agora que o primeiro episódio está disponível.

Pedro Martins, Não Confies em Ninguém: Em Busca do Rei da Criptomoeda (Netflix)

O documentário Não Confies em Ninguém: Em Busca do Rei da Criptomoeda expõe um caso interessante, mas tem um último terço muito pouco conclusivo. O espectador é levado por uma enorme teia de conspirações que, basicamente, são substituídas pelas explicações (mais ou menos) lógicas no final.

Estamos perante a história de Gerald Cotten, o fundador da empresa Quadriga CX. Sediada no Canadá, a Quadriga lidava com o câmbio de criptomoedas. Cotten, porém, morreu na Índia em 2018 e o dinheiro ficou inacessível, uma vez que era o próprio que tinha as palavras-passe.

Foram muitos os lesados, naturalmente – incluindo um participante no documentário que ainda está a tentar recuperar aproximadamente 400 mil dólares. Não Confies em Ninguém apresenta-nos sucintamente a história da empresa e das criptomoedas, contando com relatos de que Cotten terá simulado a sua própria morte e também que, afinal, teria sido a sua mulher, Jennifer Robertson, a orquestrar tudo e a planear a sua morte. Provas de que tal terá acontecido, contudo, nunca foram apresentadas.

Ainda que estejam presentes alguns jornalistas que lideraram as investigações aquando da morte de Cotten, depois de o ter visto, fica comigo a história que desconhecia. Nenhuma das teorias da conspiração é provada, ficando apenas claro que Jennifer foi ameaçada de morte e que chegou a viver num local desconhecido para se tentar proteger.

Pessoalmente, teria achado muito mais interessante dar mais peso e voz ao contexto em que a Quadriga CX existiu pela mão das fontes policiais e dos jornalistas. Se Cotten fingiu a sua morte ou se Jennifer o matou para ficar com o dinheiro são teorias que, aparentemente, muitos dos participantes no documentário tomaram por factos. Misturar os dois nunca foi boa ideia.

Marco Gomes, Onde Jaz o Teu Sorriso? (DVD)

Outra desventura logística na colecção doméstica de cinema. Podia jurar que do autor possuía a oferta completa actualmente no mercado português. Tirado a limpo após última passagem de Pedro Costa por este espaço, com Cavalo Dinheiro (2014) e Vitalina Varela (2019), constatei ter escapado a presente entrada.

Mas mais fossem dando-se a irritante curiosidade da trilogia “Cartas das Fontaínhas” estar disponível apenas em – dispendiosa – edição internacional, nela constando os icónicos Ossos (1997), No Quarto da Vanda (2000) e Juventude em Marcha (2006).

Seja como for, fica a falha colmatada até por Onde Jaz o teu Sorriso? (2001), Où Gît Votre Sourire Enfoui? do título original francês pelos motivos abaixo depreendidos, levantar alto o estandarte dos grandes documentários sobre Cinema, em concreto o trabalho de Danièlle Huillet e Jean-Marie Straub em Sicília! (1999), um dos poucos deles com distribuição em nosso território.

O golpe de asa reside na concentração quase integral no processo de montagem da referida obra, algo que invulgar mais se torna pelo regateio ao fotograma, como na sequência em que ajustam um corte que permita enfatizar a expressão de sorriso do ator, acontecida factualmente numa porção de segundo.

Outro factor, ainda mais decisivo, de entusiasmo transpira da própria dinâmica da dupla gaulesa, funcionando como cão e gato e só assim parecendo criar sinergia. Enquanto mastiga charutos gasta Straub o verbo na arte – que os uniu essencialmente – e vida que a acoita, enquanto Huillet num silêncio irritado corta, cola e prepara na mesa de montagem a fita para afrontar os seguintes planos.

Filipe Urriça, Moon Knight (Disney+)

Estou a gostar bastante desta nova onda de séries da Marvel do serviço de streaming da Disney. O arranque foi feito com WandaVision e a vinda de novas séries ainda não parou, nem tem intenções de abrandar. Claro que, como estamos a falar de um espaço gerido pela Disney, o conteúdo da Marvel é pautado por filmes e séries da Disney, Pixar, Star Wars e conteúdos não menos importantes da Star e da National Geographic. Para mim, isto é bom para conhecer novos heróis e anti-heróis que nasceram nas bandas desenhadas norte-americanas da Marvel, como é o caso de Moon Knight.

A personagem principal é Steven Grant, interpretada por Oscar Isaac, que tem um transtorno psicológico de tal forma grave que partilha o seu corpo com uma pessoa totalmente diferente. É como se fosse um caso extremo de bipolaridade, onde a pessoa tímida que é Steven tem no outro extremo da sua personalidade o mercenário Marc. Este consegue assumir a forma do herói (ou anti-herói, não sei bem que personagem é esta e só a vimos no final do episódio) com poderes que parecem vir dos deuses egípcios. Como adoro toda a mitologia em torno da religião greco-romana e egípcia, é possível que esta personagem seja muito interessante de explorar, dado que nunca ouvi falar de um deus da lua ou de um bicho papão na religião do povo que colocava faraós ao lado de deuses como Osíris ou Anubís.

A série Moon Knight oculta, propositadamente, as origens e a própria vida de Marc porque é ele que pode invocar os poderes de Moon Knight. Contudo, como Marc e Steven são a mesma pessoa é um pouco estranho a passagem de uma pessoa para outra quando Steven se vê em situações de perigo. Para se transformar em Marc, que no fundo é passar de um extremo de personalidade para outro, parece que Steven tem de adormecer para tal acontecer. Enfim, não digo que seja mal executado, mas é um conceito que demora a entrar e a aceitar.

Claro que para cada herói tem de existir o seu vilão. O vilão de Moon Knight é interpretado por Ethan Hawke, que faz o papel de sacerdote de uma igreja que também tem como base os deuses egípcios. Com um único episódio ainda é difícil de perceber quais são as suas intenções e motivos, mas anda à procura de Steven para lhe retirar um objeto que deseja ter em seu poder.

Este primeiro episódio não nos diz que Moon Knight é um herói que não sabe quem é, mas que ainda muito para perceber sobre o rumo que a série tomará. E este episódio de estreia é bom porque nos deixa suficientemente interessados em saber todos os mistérios que Moon Knight esconde, sobretudo como é que encaixa no esquema gigante que é o Universo Cinemático da Marvel de Kevin Feige.

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