Em pleno dia da mãe, a rubrica onde a equipa VideoGamer Portugal se reúne para comentar as séries e filmes a que tem assistido está de regresso com algumas recomendações. Se acharem que há algo para verem em família, melhor ainda.

Rendido à descrição de Tales from the Loop, o Pedro Martins reativou a sua subscrição Prime Video para assistir à série de ficção científica. Vistos cinco dos oito episódios, é uma recomendação graças a episódios com coração, reviravoltas marcantes, e uma plasticidade retro-futurista. São histórias que vale a pena ficar a conhecer.

Por sua vez, o Marco continua a passear pelo catálogo do Vimeo. Este domingo, o responsável pelas imagens que acompanham os artigos e as análises do site escreve sobre Veneno. Esta obra de 1951 assinada por Sacha Guitry e apresenta os seus argumentos como uma comédia negra. O Marco escreve que faz lembrar, ainda que amiúde, a série Alfred Hitchcock Apresenta.

A terminar o artigo este domingo está a participação de Filipe Urriça. Terceiro texto, terceiro género destacado. O redator optou por aceder ao catálogo da Netflix para assistir a É Tudo uma Porcaria! O espectador é transportado até Oregon, Estados Unidos da América, em 1996, onde fica a conhecer as aventuras e desventuras de um grupo de estudantes. O Filipe conta-vos se vale o vosso tempo.

Pedro Martins, Tales from the Loop (Prime Video)

Tales from the Loop tem sido uma agradável surpresa. Série de ficção científica inspirada no livro de ilustração de Simon Stålenhag, afirma-se pelas diferentes emoções que evoca e pela plasticidade que mistura o passado e o futuro. Vi cinco dos oito episódios que compõem a primeira temporada no Prime Video e será certamente para terminar.

Levando os espectadores até à pacata cidade de Mercer, no centro está o Mercer Center For Experimental Physics, um local clandestino que trabalha para o governo. Os habitantes estão de alguma forma ligados a este instituto que provoca situações praticamente inexplicáveis nas suas vidas e, consequentemente, em Mercer.  

É uma série com coração, contando histórias entre pais e filhos, amigos, namorados que vivem histórias de amor, não se escusando a lidar com a morte e com os seus efeitos colaterais. O espectador é confrontado com a paragem do tempo, realidades paralelas, mas também com questões mais filosóficas, como o valor da existência como unidade: o que vale o espírito confinando ao corpo que lhe dá identidade?

Inspirada no livro de ilustrações assinado por Simon Stålenhag, Tales from the Loop tem na sua plasticidade um dos seus pontos mais fortes. Tecnologia que faz lembrar o que vimos em Lost, robots que são uma amálgama retro e futurista, uma arquitetura que nos faz retroceder algumas décadas onde acontecem eventos que parecem transportar dezenas de anos para o futuro.

Não é uma série de antologia, mas cada episódio foca-se num pequeno grupo de personagens, contando as suas histórias. Alguns episódios à frente, é possível que esses protagonistas regressem para um pequeno papel nas histórias dos outros. É um método que resulta, obrigando-nos a prestar atenção a tudo e a todos. Como seria expectável, nem todos os episódios têm a mesma excelência, mas vale a pena ver, pois estamos com ficção científica deslumbrante, com substância.

Marco Gomes, Veneno (Vimeo)

Prosseguiu a “Quarentena Cinéfila” da Medeia Filmes com uma semana paradoxal, nela cabendo o melhor e pior da iniciativa. Segue a explicação. Ao lote de obras inicialmente convocadas para o período, Roma, Cidade Aberta (1944), obra-prima de Roberto Rossellini, e duas de autores russos de culto, Nostalgia (1983) de Andrey Tarkovsky e Fausto (2011) de Aleksandr Sokurov, juntou-se-lhes de forma imprevista outro trio.

Antes assim não fora, devendo-se o motivo ao falecimento precoce, aos quarenta e seis anos, do ator português Filipe Duarte, homenageando-o assim a distribuidora com a mostra de três filmes de seu catálogo onde participara, Só por Acaso (2003) de Rita Nunes, A Outra Margem (2007) de Luís Filipe Rocha e Entre os Dedos (2008) da dupla Tiago Guedes, Frederico Serra.

A sexta e última entrega completa - recorde-se ser cada bloco de películas exibido de Terça a Terça da semana posterior - foi dedicado ao cinema clássico francês com, por ordem de exibição, um Jean Renoir em modo entretenimento total, French Can-Can (1955), um drama de Jacques Becker, Aquela Loira (1952), e a comédia negra Veneno (1951) de Sacha Guitry.       

Sendo invulgar é-o do primeiro momento com um preâmbulo onde o realizador, querendo parecer informal, nos apresenta os creditados, do ator cimeiro ao menos graduado dos eletricistas. Escrito com fino sarcasmo e irreverência lembra-nos amiúde, não por isso, pelo estilo e contenção no espectro de acontecimentos, a série Alfred Hitchcock Apresenta (1955-65), desembocando num crescendo, e nada aclimatado com o restante registo, de humor desbragado.

Filipe Urriça, É Tudo uma Porcaria (Netflix)

É Tudo uma Porcaria! é uma muito boa série que usa a nostalgia como forma de apelar os espectadores. Felizmente, há mais para além da nostalgia para quem viveu a sua adolescência nos anos noventa.

O drama juvenil tem mais para contar do que os típicos problemas clichés da adolescência de filmes e séries. Estabeleceu-se um excelente elenco com uma boa história para contar, quanto mais não seja pela sua originalidade.

A adolescência é uma altura problemática da vida, a escola pode ser um local cruel, há a descoberta da sexualidade, e as eventuais discussões familiares. É Tudo uma Porcaria!, título da série em Portugal, faz com que nem tudo seja uma comédia, com que tudo tenha o seu peso dramático e emocional.

A comédia serve sobretudo para equilibrar a balança destes momentos; ri-me, mas sem esquecer a devida importância dada aos jovens que têm apenas um pai ou uma mãe. É por isso que É Tudo uma Porcaria! é uma série recomendável, não é só pela nostalgia dos anos noventa, é por terem juntado um grupo de jovens e de adultos, momentos dramáticos e cómicos, sem esconder, ou fazerem de conta que não existiam, temas como a homosexualidade, ou clubes de audiovisual e de teatro.

É Tudo uma Porcaria! não é só um título dado a uma muito boa série, é o sentimento que perdura naquela faixa etária quando o mínimo pormenor corre mal.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!