O que andamos a ver
VideoGamer Portugal por - Oct 3, 2021

O que andamos a ver, 3 de outubro, 2021

Atravessando um domingo que se apresenta como o cenário ideal para algumas horas em frente ao televisor, a equipa VideoGamer Portugal está presente com um trio de recomendações para gostos bastante distintos.

O Pedro Martins viu O Culpado, filme que está disponível em exclusivo no catálogo da Netflix. Protagonizado por Jake Gyllenhaal, escreve o diretor de conteúdos que a película fica na memória pela sua prestação e por um argumento que sabe prender a atenção do espectador, não a traindo.

Por sua vez, o Marco Gomes viu Leonardo 500. Saído da sua coleção de DVD, estamos perante uma obra que versa sobre Leonardo da Vinci. Explica o Marco que estamos perante uma “uma análise ligeira sobre a insaciabilidade de conhecimento do italiano nascido em Anchiano no ano da graça de 1452”.

Finalmente, podem ler no final deste artigo as impressões que Filipe Urriça tirou de Star Wars: Visões, a nova coqueluche do catálogo do Disney+, O redator afirma que gostou de três dos episódios que estão neste momento disponíveis, uma vez que “trazem personagens históricas e novos conceitos muito interessantes ao universo da Disney”.

Pedro Martins, O Culpado (Netflix)

O Culpado é literalmente carregado às costas pela prestação de Jake Gyllenhaal. Não apenas porque a sua performance é brilhante, mas porque é durante a maior parte deste noventa minutos o único ator em cena.

Gyllenhaal veste a pele de Joe Baylor, um polícia despromovido a atendedor de chamadas urgentes no 911. Tudo muda quando atende uma chamada de uma mulher que foi raptada. Baylor dá-lhe naturalmente toda a sua atenção, enquanto lida com a véspera de um dia importante.

Esta mulher, Emily, tem dois filhos, o que aumenta consideravelmente a tensão e o drama. O Culpado faz um excelente trabalho em prender a atenção do espectador, um exercício que faz lembrar Locke, uma vez que decorre praticamente num único cenário, com um ator que vai interagindo com as vozes que lhe vão chegando pelo telefone.

Vale a pena atestar que o final não desilude – nem mesmo o trecho que nos chega quando os créditos já estão a rolar pelo ecrã. E a escolha de ter apenas um ator em cena não cansa, uma vez que são apenas noventa minutos. Não leiam nada sobre o que vos espera e comecem a ver. É muito provável que quando se aperceberem, metade do filme já tenha passado.

Marco Gomes, Leonardo 500 (DVD)

Encerra o primeiro volume da edição DVD da temporada inicial de A Grande Arte no Cinema com a visão de Francesco Invernizzi e seus colaboradores sobre um dos mais insondáveis fenómenos nascido Homem, Leonardo di Ser Piero da Vinci, para os amigos, Leonardo da Vinci.

O proporcional fascínio envolvendo o mito atesta-se na coincidência de acompanhar este texto a estreia recente na RTP1 da série Leonardo (2021). As diatribes romanceadas daquele objeto de ficção confesso dão lugar em Leonardo 500 (2019), Leonardo Cinquecento, a uma análise ligeira sobre a insaciabilidade de conhecimento do italiano nascido em Anchiano no ano da graça de 1452.

A ideia preconizada no Renascimento de saber transcendente na relação entre Ciência, Tecnologia e Arte e sua cristalização na figura do polímata é elevada com Leonardo da Vinci à potência absoluta.

Esgueirando-se ao domínio da compreensão ordinária como um da espécie dá ao ocidente sua mais afamada pintura, Mona Lisa (1503), e simultaneamente projeta máquinas de extermínio, também este documentário não toma parte maioritariamente, e menos ainda exclusivamente, de sua produção artística, o que não invalida a tentativa de dissecar o génio também na importância que a capacidade de desenho teve na abordagem a áreas díspares como engenharia, geologia, cartografia, anatomia ou astronomia.

Filipe Urriça, Star Wars: Visões (Disney+)

Nestes últimos dias, tenho visto uma série antológica que mostra ser ainda possível trazer, oficialmente, muita criatividade ao universo criado por George Lucas. Star Wars: Visões é como Animatrix foi, ou seja, são novas ideias num conceito pré-estabelecido vindas de grandes criadores japoneses de anime, cada um com o seu próprio estilo e narrativa.

Dos nove episódios disponíveis, gostei particularmente de três, dado que trazem personagens históricas e novos conceitos muito interessantes ao universo da Disney. Devo, sobretudo, salientar que os duelos com sabres de luz são fantásticos (mesmo que às vezes tenham o exagero típico da animação japonesa) e mais violentos do que o habitual (o que é estranho por não haver uma única pinga de sangue derramada).

The Duel levar-nos a acompanhar um ronin, um samurai sem mestre, que se impõe contra as atrocidades do império dos Sith. The Village Bride, título do quarto episódio, leva-nos a perceber que a força não serve só para atacar ou defender em situações de combate, sendo algo que serve para viver em harmonia com a natureza. O episódio seguinte, The Ninth Jedi, é, possivelmente, o meu favorito. A narrativa, as personagens são muito bem construídos, mas é uma ideia nova, que poderia ser implementada oficialmente no universo Star Wars, em relação aos sabres de luz que poderia determinar a forma de se criar um Jedi ou um Sith.

Enfim, acho que, como já ouvi alguém dizer e bem num podcast, há acontecimentos maravilhosos no universo de Star Wars quando a família Skywalker não está envolvida. Star Wars: Visions é principalmente, para quem gosta da epopeia da Disney e, particularmente, para quem gosta da animação japonesa. Vejam esta antologia, porque duvido que se vá repetir.

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