Este domingo há três novas propostas que foram vistas pela equipa VideoGamer Portugal, uma das quais fazendo a ponte entre documentário e videojogos. Como é habitual, são parágrafos sobre obras díspares entre si, esperando que os nossos leitores estejam a ver algo que os satisfaça durante o fim de semana.

O Pedro Martins teve oportunidade de assistir aos primeiros episódios de High Score, documentário que chegou à Netflix para nos mostrar a história dos videojogos. Escreve o diretor de conteúdos que é um olhar interessante sobre os primeiros passos da indústria, ainda que não verse com inquestionável profundidade sobre um tema específico.

Se continuarem a ler o artigo terão oportunidade de ler a opinião de Marco Gomes sobre Frida, filme que sem grande surpresa conta-nos mais sobre Frida Kahlo. O Filipe Urriça encerra o artigo este domingo, dando-nos a sua opinião sobre uma guerra feita por eternas rivais: a Coca-Cola e a Pepsi-Cola.

Pedro Martins, High Score: A História dos Videojogos (Netflix Portugal)

A história dos videojogos continua a ser uma fonte inesgotável de relatos e a Netflix está a contar alguns. Com High Score: A História dos Videojogos temos acesso a meia dúzia de episódios que colocam em evidência figuras, plataformas e títulos que tiveram naturalmente um papel de destaque na génese da indústria, muitos dos quais ainda a ecoar vibrantemente em 2020.

Durante os últimos dias tive oportunidade de assistir aos três primeiros episódios, aprendendo factos sobre, por exemplo, os funcionários da Nintendo que atendiam chamadas de jogadores que precisavam de ajuda “antes do YouTube”, tal como novos detalhes sobre a criação de Space Invaders e Final Fantasy. Outro dos destaques nestes episódios de estreia é a competição antes dos eSports serem uma realidade.

Os episódios são narrados por Charles Martinet, a voz de Mario, e o documentário versa também sobre o início do canalizador, assim como Final Fantasy ajudou a definir os Role Playing Games depois de Ultima e de Dungeons and Dragons. É curioso que algumas das histórias sejam ligeiras e apresentadas para apelar ao público geral, enquanto outras contam com figuras que nem todos conhecem, como Yoshitaka Amano.

Apesar de para já não entrar profundamente em nenhuma área específica, vale a pena ver. É um arranque focado no início desta história, pelo que não sei se a temporada de estreia do documentário terá tempo para chegar às consolas atuais. Quando a indústria onde os requisitos das versões PC dos títulos não param de aumentar se prepara para dar as boas-vindas à PlayStation 5 e à Xbox Series X, é bom ficar a conhecer um pouco melhor o que chamou a atenção de tantos com muito menos.

Marco Gomes, Frida (DVD)

Existindo hoje felizmente um reconhecimento mais igualitário de género, é desanimadora a rarefação de artistas plásticas consagradas pela história e menos ainda as perfiladas no acervo da cultura geral. Nas exceções encontramos Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, a excêntrica mexicana conhecida apenas pelos nomes do meio, Frida Kahlo.

Tendo-a visto entrecortada em televisão há anos valentes, deu o formato DVD possibilidade de integralmente aceder à adaptação em 2002 para cinema de Julie Taymor sobre Frida - A Biografia, livro de Hayden Herrera editado originalmente em 1983. Desconhecendo a abrangência da versão impressa, dos quarenta e sete anos de vida da pintora (1907-1954) leva-nos o filme da adolescência à finitude corpórea.

Objeto ciclotímico, nele cabe a liberdade de quadros imaginativos simbólicos sobre as mais marcantes passagens em seu percurso pessoal e enquadramento de alguns trabalhos, assim como maleitas herdadas da condição de cinema acessível às massas, delas a já crónica tentativa de enfiar o Rossio na Rua da Betesga, ou seja, expandir o campo narrativo até se fraturar em consistência e coerência na insuficiente duração de fita para o desiderato.

Também por isso mas não só, falha na primordial condição dos ensejos biográficos, contextualizar pragmaticamente a vivência e obra do visado dando uma visão afunilada do espectro temático da autora e reduzindo à anedota a efervescência criativa local à época, essa que ao México na área deu os mais reconhecidos nomes como, para além da própria e seu marido, Diego Rivera, David Siqueiros, María Izquierdo ou José Orozco.

Filipe Urriça, Cola Wars (TVCine Edition)

Deparei-me com Cola Wars por mero acaso quando estava a fazer zapping pelos canais da minha televisão. O documentário aborda um tema muito interessante que às vezes vemos na indústria dos videojogos com os fabricantes de consolas, mas a uma escala bastante menor: uma guerra entre marcas. Neste caso em específico, é a guerra que houve entre os dois produtores de refrigerantes mais conhecidos do mundo a Coca-Cola e a Pepsi-Cola.

Tudo começou quando a Pepsi-Cola decidiu arrancar com uma forma arrojada de marketing, o Pepsi Challenge, onde fazia uma prova às cegas aos seus consumidores entre uma Coca-Cola e uma Pepsi. No final, quem provava decidia qual foi a bebida que gostou mais, A ou B, e era-lhes revelada a marca. Houve bastante surpresa quando muitos descobriram que preferiram Pepsi à Coca-Cola. Ver este documentário é como ver uma longa aula de marketing.

Ao longo dos anos a Pepsi nunca alcançou os números de vendas da The Coca-Cola Company, mas fez mossa em muitas ocasiões. Foi curioso ver que Michael Jackson fez parte da estratégia da Pepsi para começar a fazer publicidade com estrelas da música dos anos oitenta. A Coca-Cola nunca desceu do seu trono, mas sentiu-se muitas vezes ameaçada pelos avanços da sua concorrente.

O documentário é muito bom na medida em que inclui diversos convidados a serem entrevistados. Estas pessoas foram executivos de uma das empresas, ou de ambas, que ocuparam cargos de grande importância dando a sua opinião de um ponto de vista de marketing. É surpreendente ver os erros que cada uma das empresas cometeu por simples teimosia. Enfim, Cola Wars é um documentário que recomendo vivamente, é uma catalogação cronológica da história dos Estados Unidos sob uma perspetiva de marketing empresarial, que tem muito mais a ver com as pessoas do que com os executivos.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!