No último O que andamos a ver de maio, a equipa VideoGamer Portugal versa sobre duas séries e um filme. O Pedro Martins teve oportunidade de ver cinco dos dez episódios que compõem a primeira temporada de Space Force, o reencontro de Carrell com Greg Daniels. Segundo ele, a recomendação não é fácil se não forem fãs do ator.

O Marco continua investido no Vimeo e escreve-nos este domingo sobre Bom Dia, obra que está disponível desde 1959. Para quem não tem acompanhado, o Marco tem assistido à “Quarentena Cinéfila”, uma iniciativa promovida pela Medeia Filmes. Sobre Bom Dia, escreve que encerrou o acontecimento com chave de ouro.

Aproveitando a sua chegada aos canais TVCine, o Filipe Urriça escreveu sobre o episódio inaugural de The Handmaid's Tale, a muito aplaudida série baseada no livro de Margaret Atwood. Sem grande surpresa, o Filipe ficou fã e mal pode esperar pela estreia do novo episódio. Podem ler as suas impressões no final deste artigo.

Pedro Martins, Space Force (Netflix)

Julgo que um dos principais erros que se pode cometer antes de se começar a ver Space Force é esperar uma continuação de The Office. É verdade que o novo exclusivo Netflix foi criado por Greg Daniels e que Steve Carell interpreta General Mark R. Naird, o protagonista da nova série, porém, são duas propostas bastante diferentes.

São diferentes no tema, obviamente, mas também no estilo da comédia. Space Force é o nome de uma nova força espacial criada para voltar a colocar o homem na Lua. O objetivo delineado por um Presidente dos Estados Unidos da América que adora o Twitter é o ano 2024. Naird é o líder máximo da nova força, tendo desde o primeiro episódio que lidar com inúmeras peripécias pelo caminho - incluindo tentar que um chimpanzé resolva um problema crucial no Espaço.

A primeira temporada é composta por uma dezena dos episódios e, desde que estreou na passada sexta-feira, tive oportunidade de ver cinco. Praticamente todos contam com uma cadência em que é criado um problema para ser resolvido de forma atabalhoada até os créditos rolarem. Infelizmente, até este momento as piadas ainda não conseguiram estar à altura das situações.

O elenco é recheado de estrelas além de Carrel. Por exemplo, John Malkovich interpreta Dr. Adrian Mallory, homem da ciência que está sempre disposto a ajudar Naird, mesmo que os seus métodos sejam pouco claros inicialmente. Lisa Kudrow empresta o seu talento a Maggie Naird, esposa do General que passa praticamente a totalidade destes episódios na cadeia.

Space Force é uma sátira ocasionalmente mordaz da sociedade, mas mesmo sem pensar em The Office, tem nestes primeiros cinco episódios uma estreia morna, bastante morna. Não sei se vai melhorar até ao final, mas por esta amostra não é algo cuja visualização seja obrigatória, nem sequer recomendada se não forem fãs absolutos de Carrel. Aliás, é ele que faz tudo o que pode para carregar estes episódios às costas.

Marco Gomes, Bom Dia (Vimeo)

Como forma de celebrar os setenta anos da criação da União Europeia disponibilizou gratuitamente a plataforma Filmin Portugal oito fitas produzidas no continente vencedoras ou finalistas do Prémio Lux, atribuído pelo Parlamento Europeu, ou apoiadas pelo Programa Europa Criativa.  

Incapaz de a todas chegar, e anteriormente visto do lote como aqui testemunhado Toni Erdman (2016) e Cartas da Guerra (2016), não terei sido certeiro, até por comparação com aquelas, escolhendo Mediterrânea (2015) de Jonas Carpignano, O Fantasma da Sicília (2017) de Fabio Grassadonia, Antonio Piazza e Deus Existe, o Seu Nome é Petrunya (2019) de Teona Strugar Mitevska.

Menção honrosa, todavia, para a da dupla transalpina com uma premissa deveras invulgar. Partindo de factos reais, o assassinato em contornos macabros de um adolescente pela Máfia, levantam um drama simultaneamente negro e fantástico que frustra o potencial com sequências inconsistentes e arrastar do processo narrativo, abusando de momentos onde é dúbia a perceção entre vivência e imaginação das personagens.

Por sua vez, a décima e final semana da “Quarentena Cinéfila” promovida pela Medeia Filmes encerrou com chave de ouro, consagrada em exclusivo ao, porventura, mais amado dos realizadores japoneses junto da crítica especializada, Yasujiro Ozu. Da vasta filmografia escolheram-se três obras do período tardio, por ordem de exibição, A Flor do Equinócio (1958), O Fim do Outono (1960) e Bom Dia (1959).

Interpoladas cronologicamente são íntimas as duas primeiras, partilhando contexto narrativo, personagens, lugares e situações, o que, por exclusão de partes ostentando nível qualitativo homogéneo, me leva a escolher Bom Dia para destacar neste texto. Enquanto aquelas são dramas ligeiros a roçar a ficção de quotidiano, esta é uma comédia arejada, tão arejada que termina com um plano fixo de ceroulas no estendal.

Atestado mais de rigor e domínio do ofício de Ozu, porventura um dos escassos realizadores que na história do cinema teve mão plena sobre a complexidade da prática profissional, vários são os números cómicos nela presente com potencial de descambar, trabalhados com uma candura desarmante mas sem cair no vício de agradar ao espectador, como o par enamorado que fala da meteorologia sem coragem para abordar os sentimentos.

Filipe Urriça, The Handmaid's Tale (TVCine Emotion)

O que não faltam são pessoas a imaginar futuros distópicos e a recriá-los numa forma de arte, normalmente literatura ou cinema. O livro de Margaret Atwood, A História de uma Serva, publicado em 1985, foi convertido em série para a plataforma de streaming Hulu. Como está agora a ser transmitida pela TVCine Emotion decidi ver se é tão boa como já li em algumas críticas.

Margaret Atwood imaginou um futuro onde as mulheres férteis são cada vez mais raras e a sociedade regressou a uma uma governação ditatorial para impedir que este problema se agravasse. Infelizmente, as mulheres férteis são escravizadas e tratadas como um meio de reprodução para os líderes governamentais.

June, já não tem o seu nome de batismo, o seu nome depende do homem que está a servir, neste caso é Defred, que dá nome ao primeiro episódio. Elisabeth Moss, que interpreta June, mostra o seu talento de atriz de forma notável, pois tem de oscilar as suas emoções conforme com quem está a contracenar. Nos momentos em que não pode gritar ou revoltar-se, vemos que June está numa luta interna para controlar as suas emoções.

Contudo, não é só June que tem um papel de destaque. A mulher do comandante Waterford também é uma personagem curiosa em luta emocional consigo própria. Mrs. Waterford é infértil, contudo tem de participar na cerimónia de inseminação da serva do seu marido. É uma mulher rígida, que se sente afastada do seu cônjuge, e que entra em conflito emocional sempre que vê a serva.

Um mundo que passou a ser tão controlador dos seus cidadãos, estará prestes a sentir uma revolta que está a ser planeada em silêncio - é o que o primeiro episódio deixa transparecer. Mal posso esperar para ver os próximos episódios, que estreiam à segunda-feira, para poder ver como é que June vai poder voltar a ver o seu filho que lhe foi retirado quando foi capturada.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!