VideoGamer Portugal por - Oct 31, 2021

O que andamos a ver, 31 de outubro, 2021

Nesta edição da rubrica O que andamos a ver não há grandes sustos. Estamos numa época em que as séries e os filmes de terror estão em voga, mas ao longo deste artigo podem ler um trio de recomendações que não abordam o género do momento.

O Pedro Martins viu Fauci, um novo documentário produzido pela National Geographic que ilustra a vida de Dr. Anthony S. Fauci, o médico que se tornou um dos rostos mais visíveis no mundo contra a pandemia de COVID-19 que assolou o mundo.

Por sua vez, o Marco Gomes assistiu a Tintoretto: Um Rebelde em Veneza. Estamos perante um documentário dedicado a Tintoretto, o nome artístico de Jacopo Robusti. O Marco escreve em detalhe sobre as valências e as falências desta janela que se abre para o autor que fica associado ao maneirismo.

A terminar este O que andamos a ver temos as palavras de Filipe Urriça sobre Homicídios ao Domicílio. É a segunda vez que esta série é abordada nestes artigos dominicais e, tal como Pedro Martins na semana passada, também o Filipe ficou fã da proposta do Disney+.

Pedro Martins, Fauci (Disney+)

Quem acompanhou minimamente as notícias internacionais durante os últimos vinte meses terá certamente ouvido falar do nome Dr. Anthony S. Fauci. Odiado por alguns e amado por inúmeros, foi o rosto mais visível da resposta dos EUA à pandemia de COVID-19. Agora, a National Geographic produziu um documentário sobre o médico.

Está disponível no catálogo da Disney+ e conta com incontáveis depoimentos do protagonista, que nos conduz pela sua vida praticamente desde que começou a sua carreira no National Institute of Allergy and Infectious Diseases. É um documentário que dá também destaque à sua família, contando com depoimentos da sua filha, Jenny Fauci, e da sua mulher, Dra. Christine Grady.

Apesar de conhecer os desenvolvimentos atuais, mais concretamente, a sua relação com o antigo presidente dos EUA Donald Trump, Fauci faz um bom trabalho a ilustrar as batalhas travadas pelo médico muito antes do coronavírus, mostrando os bastidores quando o flagelo era a Sida e o Ebola.

O documentário aborda sucintamente alguns pormenores que podiam ter corrido melhor, como o facto de o Dr. Fauci ter afirmado inicialmente que não era necessário o uso de uma máscara. O protagonista explica o que aconteceu e continua a ilustrar os seus dias, as suas lutas para conquistar a opinião pública, tanto em 2020 como na década de oitenta.

Ficam em evidência as suas capacidades intelectuais e é, acima de tudo, a celebração do homem e do médico que viveu incontáveis batalhas. Ocasionalmente podia ser mais detalhado, mas é uma recomendação que nos mostra a incerteza na qual o mundo estava mergulhado, idilicamente fazendo quem o vê ter a noção que a situação está melhor, mas não está terminada.

Marco Gomes, Tintoretto: Um Rebelde em Veneza (DVD)

Dos oitenta por cento atribuídos ao período renascentista na primeira temporada de A Grande Arte no Cinema, contas boas de fazer chegado o Domingo seguinte, cabe à presente entrada o golpe de asa na escolha do mestre retratado, assumindo a segunda divisão de reconhecimento, e também por isso, o muito que a justiça dos dias passados lhe tem em débito.

Pelos pais registado Jacopo Robusti, seria o negócio familiar de tinturaria a atribuir-lhe o nome artístico, Tintoretto (1518-1594), a par de Ticiano e Veronese, e único aí nascido, um dos três grandes da pintura com carreira baseada em Veneza, à época uma das mais influentes cidades do globo terrestre pelo controlo comercial do Oriente.

Do ponto de vista plástico foi Tintoretto autor distinto nessa fatia cronológica, apresentou forte contraste no tratamento lumínico, recorrendo a pinceladas rápidas e enérgicas desvalorizou o acabamento fino e, levando Jean-Paul Sartre a catalogá-lo como o primeiro realizador de cinema na História, apresentou opções compositivas de vanguarda recorrendo a invulgar distribuição de elementos visuais e domínio perspético.

O subtítulo que encabeça estas linhas alude, porém, mais a sua atitude fora das telas. Tintoretto abusou de arrogância face ao mercado, agindo agressivamente para conquistar encomendas, e com elas visibilidade, como expresso num delicioso relato do documentário realizado por Giuseppe Domingo Romano, Tintoretto: Um Rebelde em Veneza (2019), da tradução literal de Tintoretto: Un Ribelle a Venezia, claramente um dos mais equilibrados do conjunto.

A confraria de São Roque (em Veneza) abriu concurso para uma pintura de teto no salão nobre de sua escola tendo os candidatos de apresentar um esboço preliminar para avaliação. Sabendo Tintoretto os muitos anticorpos que possuía na instituição dar-lhe-iam hipóteses residuais de sucesso, em segredo e com ajuda de um contacto interno montou uma versão final no local específico, doando posteriormente a pintura. Como os estatutos da promotora impediam recusa de doações abortou-se o processo concursal, por ínvios caminhos escolhido assim o eleito.

Filipe Urriça, Homicídios ao Domicílio (Disney+)

Fiquei tão interessado em ver Homicídios ao Domicílio a semana passada, depois de ler o texto de Pedro Martins, que hoje trago a minha opinião sobre a série do Disney+. Um dos meus géneros favoritos são os policiais e mistérios que envolvam crimes, sinceramente, a ciência forense e todo o processo de encaixar as peças de um puzzle para se descobrir quem cometeu um crime são fascinantes. É por isso que estou a fazer a completar lentamente a Coleção Vampiro reeditada pela Livros do Brasil.

O elenco está muito bem escolhido para escrita da série. Por exemplo, não acho que Selena Gomez seja uma boa atriz mas, aqui, a personagem dela está fenomenal. Mabel, a personagem de Gomez, é fria e indiferente perante os outros e é a personagem com mais piada em momentos inesperados. Já Charles, interpretado pelo icónico Steve Martin, é um ator que o público não se recorda e agora tem dificuldades em encontrar uma nova oportunidade para a sua carreira. Martin Short é quem completa o trio com a sua personagem excêntrica, Oliver, com uma carreira cheia de insucessos.

O que junta Mabel, Charles e Oliver não é só o facto de morarem no mesmo prédio, mas de adorarem ouvir podcasts, nomeadamente os da categoria murder mistery, e de o vizinho deles se ter aparentemente suicidado. No entanto, o mistério não é só esse, o que me motiva a ver isto é de descobrir os segredos que cada um esconde, principalmente os de Mabel.

A tentativa de descobrir como é que morreu o vizinho está a ser gravada em podcast e está a ser bom perceber os avanços que fazem e, sobretudo, entender como é que formam um raciocínio lógico que os leva à próxima pista. Um crime não é uma simples questão de saber quem o fez, há toda uma equação a resolver para se chegar lá, com suspeitas, motivos e inocentes. Estou a adorar esta série e acho que está a a passar ao lado de muitas pessoas que ficam fascinadas com tudo que o Netflix está a regurgitar.

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