por - Jul 4, 2021

O que andamos a ver, 4 de julho, 2021

Muito bem-vindos a mais uma edição de “O que andamos a ver” onde a equipa VideoGamer Portugal dedica algumas palavras ao que tem visto nos seus ecrãs. Como quase sempre, são três propostas de três géneros e de outras tantas plataformas diferentes.

O Pedro Martins teve finalmente oportunidade de ver Tudo Acaba Agora, obra assinada por Charlie Kaufman que está disponível no catálogo da Netflix desde 2020. Como escreve o diretor de conteúdos, é um filme que desafia e que brilha, sendo também uma proposta com um final que deixa muito entregue à interpretação de cada um.

Continuando pela sua coleção de DVD, o Marco Gomes teve oportunidade de assistir a Meias de Seda durante os últimos dias. Obra de 1957, escreve o Marco que estamos perante um filme que é “simultaneamente objeto de entretenimento e retaliação”, especialmente se tivermos em consideração que estreou durante a Guerra Fria.

Finalmente, Loki foi a obra escolhida esta semana por Filipe Urriça para O que andamos a ver. Depois de escrever sobre Raya e O Último Dragão, o redator continua pelo catálogo da Disney+ para dar destaque à série protagonizada por Tom Hiddleston.

Pedro Martins, Tudo Acaba Agora (Netflix)

Charlie Kaufman escreveu alguns dos filmes que transporto comigo. É ele o responsável pelos argumentos de Anomalisa e de O Despertar da Mente, por exemplo. Agora tive oportunidade de ver Tudo Acaba Agora, obra que não só foi escrita por Kaufman, mas também realizada. E, tal como os exemplos dados, é um filme que ficará durante tempo na minha memória.

O filme centra-se na relação de Lucy (Jessie Buckley) e de Jake (Jesse Plemons), dois namorados que começam a obra numa longa viagem de carro para visitarem os pais de Jake. Numa noite fria e marcada pela neve, somos expostos ao brilhante diálogo de Kaufman e também à voz que narra certas partes do filme da mente de Lucy. Ou assim parece.

Quando escrevo “assim parece” é porque quase tudo em Tudo Acaba Agora é uma realidade com um ponto de interrogação. Há várias cenas que deixam o espectador a pensar no que está realmente a acontecer e no que é uma ilusão, um trabalho da mente de Lucy e da imaginação de quem vê.

O meu maior problema com o filme é o seu final. Os últimos trinta minutos são estas questões ainda mais vincadas e raramente explicadas ou simplificadas. E o final propriamente dito tem a mestria (e um pouco da frustração) de nos fazer questionar tudo o que aconteceu até então, deixando uma abertura para a interpretação de cada um.

As performances do elenco de luxo fazem-lhe jus, ou seja, são mesmo de luxo. Além da dupla de protagonistas, os pais de Jake são interpretados por Toni Collette e por David Thewlis. Plemons e Collette são quem brilha mais intensamente, seja com as nuances ou com murros na mesa.

Tudo Acaba Agora é uma obra que recomendo, sendo um filme com mais de duas horas que mostra Kaufman sem medo de arriscar (e isto é dizer muito se tivermos em consideração os seus filmes anteriores). É desconfortável e desafiante, é frustrante e brilhante, é uma proposta que não deixará ninguém indiferente. Está disponível em exclusivo na Netflix desde o ano passado.

Marco Gomes, Meias de Seda (DVD)

Em plena Guerra Fria quando foi estreado, poder-se-á considerar Meias de Seda (1957), Silk Stockings, como simultaneamente objeto de entretenimento e retaliação. O humor de Hollywood, porém, consegue muitas vezes ir além da lógica formal e prestar-se à mais fina ironia quando seu realizador, Rouben Mamoulian, naquele que seria o último filme da carreira, provinha da Geórgia, na altura parte integrante da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS.

Baseado em Ninotchka (1939) de Ernst Lubitsch com Greta Garbo é Meias de Seda comédia musical onde duas pessoas de culturas conflituantes se apaixonam em, e também por, Paris. Ele Steve Canfield, Fred Astaire, um produtor cinematográfico americano a incubar sua próxima película de alcance mediático mundial, ela, Ninotchka Yoschenko, Cyd Charisse, representante do estado soviético e impoluta defensora dos ideais socialistas, incunbida de fazer regressar a Moscovo quatro seus camaradas,entre eles Peter Boroff, respeitado compositor russo a trabalhar na banda sonora da susodita produção.

As canções do filme, que por uma vez é também a do filme dentro do filme, elevam-no a patamar incomparavelmente superior ao dos restantes do conjunto, maioritária chancela de um tal Cole Porter e justificação aceite para o decréscimo de importância dos números de dança.

Sobre o último deles fica uma curiosidade que ajuda a explicar a forma sagaz como Hollywood aborda as flutuações de interesse do mercado, gravado muito tempo após as restantes cenas para acomodar a fulminante emergência do Rock’n Roll nos gostos musicais, antes de mais, norte-americanos.

Filipe Urriça, Loki (Disney+)

Depois de ter visto WandaVision, The Falcon and the Winter Soldier e de estar a acompanhar Marvel’s M. O. D. O. K., desta vez, sempre que posso, vejo Loki. Ainda só vi três episódios, pelo que apenas me falta um para estar a par de todos os episódios. E tal como todas as outras séries que têm sido lançadas no serviço de streaming da Disney, esta é mais uma série que instiga a minha curiosidade.

Loki é, provavelmente, uma das personagens menos desenvolvidas do universo cinemático da Marvel, por isso, fico satisfeito quando vejo que as mentes criativas da Marvel Studios estão a usar o Disney + como um pequeno laboratório para as suas experiências. Assim, a pouco e pouco estamos a assistir ao crescimento gradual da próxima fase do MCU e como é que estes eventos estarão, possivelmente, todos interligados.

Loki – a série – coloca o Deus da mentira e das ilusões a tentar arranjar os seus erros, que provocaram grandes distúrbios na linha temporal. Aparentemente, há quem se preocupe e queira manter a ordem deste conceito do tempo, para que a linha se mantenha intacta e sem ramificações, provocadas por ações como as de Loki. Contudo, a minha curiosidade, perante esta série, é de perceber como é que estará integrada nos grandes eventos dos próximos filmes e séries da Marvel.

Apesar do interesse narrativo que a série nos dá, convém que esta seja decente para nos manter motivados a regressar todas as quartas-feiras. Apesar de ter falhado quase todos os episódios no dia de lançamento, Loki é bastante bom. Loki entrega-nos sobretudo interações entre personagens, onde Owen Wilson é um dos mais conhecidos atores a interpretar uma nova personagem na história do irmão de Thor. E a química entre Hiddleston e Wilson é muito forte, o que contribui para a entrega de grandes diálogos entre Loki e Mobius.

Enfim, vejam esta série se gostam de entretenimento com super-heróis ou os seus vilões, porque mesmo que não seja o melhor trabalho da Marvel Studios para a Disney +, Loki reforça o quão boa é a personagem que carrega. É pena que esta seja uma série bastante curta que só contará com seis episódios, ou seja, faltam mais dois para a série terminar.

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