Este domingo, a equipa VideoGamer Portugal volta a destacar três novas propostas como sugestões para um dia que promete convidar a longas estadias debaixo de um céu com um candeeiro. Chegou outubro e com o avançar do calendário chegam também os domingos de dolce far niente.

Durante os últimos dias, o Pedro Martins teve oportunidade de assistir a Apollo: O Caminho para a Lua, documentário que conta com o selo National Geographic e que agora está disponível no Disney+. Vale a pena ver, atesta o diretor de conteúdos, para que fiquem a conhecer melhor o programa da NASA que é muito mais do que o celebrado Apollo 11.

O Marco Gomes continua a conhecer melhor a obra de Woody Allen, este domingo escrevendo sobre Wild Man Blues, documentário assinado por Barbara Kopple “não é de mas sobre Woody Allen”. Segundo o Marco, é uma proposta que nos permite compreender “o berço” das obras do realizador.

Na Netflix, o Filipe Urriça encontrou Dragon Quest: Your Story, obra que dilui a linha entre filme e videojogo. Não só tem a recomendação do redator, como é uma obra que o deixou a recuperar o fôlego depois do final emocionante. Está presente o ritmo, a emoção e até o elenco de personagens que alicerçam uma sugestão que, segundo o Filipe, fará as delícias dos espectadores, especialmente se forem jogadores.

Pedro Martins, Apollo: O Caminho para a Lua (Disney+)

Publicado originalmente para celebrar o quinquagésimo aniversário da alunagem, Apollo: O Caminho para a Lua apresenta-se como uma fascinante viagem pelo programa Apollo. Disponível no Disney+ graças à inclusão do catálogo National Geographic, estamos perante um documentário que tem como fonte oitocentas horas de áudio, quinhentas horas de filme e mais de dez mil fotografias. Tudo numa proposta com aproximadamente noventa minutos.

É importante compreender o que se passou com os diferentes Apollo, antes e depois do incontornável Apollo 11. A cautelosa progressão do programa está bem presente, com o realizador Tom Jennings a começar esta jornada com os três astronautas que foram mortos pelo fogo que deflagrou no Apollo 1, mesmo antes do lançamento.

São minutos que passam a correr, não apenas graças à estrutura do documentário, mas também à inclusão de depoimentos marcantes, do uso de áudio e vídeo do Controlo da Missão e até do interior dos foguetões. A NASA esteve concentrada em colocar o homem na Lua, mas incluiu também várias ferramentas - câmaras - para que a televisão fosse incluída, permitindo que quem continuou com os pés assentes na terra tivesse oportunidade de acompanhar os acontecimentos.

O Caminho para a Lua continua depois do Apollo 11, documentando a excruciante viagem do Apollo 13, por exemplo, e o diminuir do interesse público no programa espacial, juntamente com quebras acentuadas no investimento governamental. Termina com os olhos colocados no futuro e com palavras de encorajamento proferidas há décadas: cuidem uns dos outros e cuidem deste frágil planeta.

Numa altura em que várias gerações vivem fascinadas sustendo a respiração enquanto esperam por novidades da NASA, SpaceX e Blue Origin, vale bem a pena ver, ouvir e conhecer o passado; vale bem a pena descobrir que não, não houve apenas três ou quatro Apollo: foram dezassete e praticamente todos merecem a atenção em 2020, compreendendo o passado para melhor estarmos entusiasmados com o futuro.

Marco Gomes, Wild Man Blues - Um Retrato de Woody Allen (DVD)

Como se poderá extrapolar do título, a proposta desta semana não é de mas sobre Woody Allen através do documentário que Barbara Kopple estreou em 1997. Desconhecendo existir entre ambos maior afinidade que a de conterrâneos de Nova Iorque, e mesmo havendo, como o conteúdo da própria obra faz evidência existe subjacente na iniciativa um sortilégio da ironia.

Isto porque, pese várias honrarias internas, destacando quatro Óscares e três Globos de Ouro, fez a reputação em grossa medida da estima granjeada na Europa, continuando a ser autor periférico em sua pátria.

A abordagem de Kopple em Wild Man Blues é formato cada vez mais insistente no objeto documental fílmico relativo a criadores multifacetados, recorrendo a vertentes menos conhecidas do labor artístico como guia da personalidade, terreno de inspiração e enquadramento vivencial.

No caso, a de instrumentista de Jazz, num estilo reminiscente ao embrião do género em Nova Orleães conhecido por Dixieland, captando a obra a primeira tournée pela Europa - em datas ulteriores passando por Lisboa- do coletivo de músicos formado em redor de seu clarinete.

Naquele rodopio de viagens de avião, estadias em hotéis, conferências de imprensa, homenagens municipais, concertos esgotados, atestamos o fervor do Velho Continente para com o americano - surpreendendo em escala e devoção quem estas linhas escreve -, mas acima de tudo, compreendemos o berço dos filmes escritos, realizados, e quando se aplica, interpretados por Woody Allen na língua destrancada e mordaz às ocorrências do dia-a-dia.

Filipe Urriça, Dragon Quest: Your Story (Netflix)

Estou a escrever este texto minutos depois de ter visto Dragon Quest: Your Story e ainda estou a recuperar do golpe emocional do encerramento deste filme. Filmes baseados em videojogos, graças a Uwe Boll, não têm a melhor fama, no entanto, nestes últimos anos, têm havido obras cada vez melhores.Fica já a recomendação na terceira frase deste texto, vejam Dragon Quest: Your Story no Netflix, vale bem a pena, sobretudo se forem jogadores que adoram jogos JRPG.

Curiosamente, nunca joguei Dragon Quest V: Hand of the Heavenly Bride, jogo no qual o filme que vi se baseia. Mas acredito que se tivesse sido reeditado na Nintendo 3DS que o teria, muito provavelmente, jogado. No filme da Netflix está lá todo o ritmo dos JRPG da Square Enix, uma viagem que se faz pela emoção da narrativa e mesmo sem estarmos a vivê-la ao ritmo de um videojogo que demora dezenas de horas a ser concluído. A emoção está lá toda, mesmo sem contar com o final arrebatador que encerra este filme japonês.

Luca é o protagonista desta história, um rapaz destinado a grandes feitos. O filme pode parecer banal de tão cliché que é esta descrição, porém o crescimento desta personagem deixa-nos rendidos às suas aventuras. Salvar o mundo é tema recorrente nos RPG, de uma forma geral, contudo não é uma jornada solitária, é algo que é enriquecido pelo envolvimento da família e dos amigos que apoiam sempre o herói. Your Story não se esquece que é necessário salientar esta parte e não nos deixa mal servidos com o elenco de personagens.

Sinceramente, gostava de poder falar do cair do pano de Dragon Quest: Your Story, todavia poderia estragar a grande surpresa guardada no filme. Que emocionará, certamente, alguns jogadores que passaram a sua infância junto de uma Super Nintendo ou uma Nintendo DS a viver as mais variadas histórias vindas do oriente. Assim, nunca é demais relembrar que devem ver este filme de 2019 na Netflix.

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