por - Dec 5, 2021

O que andamos a ver, 5 de dezembro, 2021

O que andamos a ver começa dezembro com parágrafos referentes a três plataformas diferentes que apresentam obras que ficam na memória por motivos bastante díspares. Podem ler parágrafos sobre uma curta de animação, sobre uma obra de Pablo Larraín, e sobre mais um colosso da Disney.

O Pedro Martins passeou pelo catálogo da Netflix até encontrar Quem és tu, Robin?, uma curta de animação que conta com o carimbo dos estúdios Aardman Animations. É “uma proposta para nos fazer sentir melhor, mais aconchegados,” escreve o diretor de conteúdos.

Continuando a passar os olhos por uma caixa composta por DVD dedicados à carreira de Pablo Larraín, o Marco Gomes escreve nesta edição da rubrica O que andamos a ver sobre Neruda, obra que estreou em 2016. É um “recreio para a mais palpável característica idiossincrática do realizador,” segundo Marco.

Finalmente, depois de na semana passada ter dedicado o seu tempo a ver Castlevania, esta manhã o Filipe Urriça versa sobre Hawkeye, mais uma proposta do universo Marvel que está disponível no catálogo Disney+. Atira o redator que “há pequenos detalhes que são muito bons em Hawkeye”.

Pedro Martins, Quem és tu, Robin? (Netflix)

Quem és tu, Robin? é uma proposta para nos fazer sentir melhor, mais aconchegados. Está a ser exibido em exclusivo na Netflix e precisa de apenas trinta e dois minutos para contar uma história que não surpreende, mas que maravilha qualquer um. O seu trunfo maior é a qualidade visual.

Um ovo cai de uma árvore, rola pelo chão e chega até uma família de ratos. Robin é o nome da personagem (vocalizada por Bronte Carmichael) e é também a espécie de pássaro que ganha a educação dos ratos. Naturalmente, entrar em casas de forma sorrateira para roubar comida está entre as práticas comuns.

Mas um pintarroxo não é um rato, pelo que há choques nessa educação. Quem és tu, Robin? presta-se claramente a curta desta quadra festiva, tanto que entre os pontos que moldam a narrativa está o assalto à estrela de uma árvore de natal para cumprimento de desejos.

Os minutos voam, mas são suficientes para que a jovem alada trave conhecimento com uma perigosa gata (vocalizada por Gillian Anderson) e para a lição final. Quem és tu, Robin? foi criado pelos estúdios Aardman Animations, que contam com um historial incrível no que a stop animation diz respeito (Wallace and Gromit continua a ser uma referência).

O detalhe presente em todos os fotogramas de Quem és tu, Robin? não deixará ninguém indiferente. É uma animação que transporta o espectador para os cenários, que se presta a paragens apenas para contemplar tudo o que está a acontecer no ecrã. No meio de tantos lançamentos novos, vejam-no, pois certamente não vão ficar desiludidos.

Marco Gomes, Neruda (DVD)

A caixa que a Alambique Filmes destinou a Pablo Larraín encerra com mais um recuo pela história de seu país, num específico ano, 1948, e sobre a mais universal das personalidades chilenas, Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, cujo pseudónimo Pablo Neruda se colou tanto à pele que mais tarde se tornaria nome legal.

Da responsabilidade para com o vulto fez Larraín o mais ambicioso filme até esse momento, Neruda (2016), cuidando em não afunilar o génio na dimensão poética ou de gladiador político, fundindo-as antes numa trama de crescente predominância ficcional sobre os factos biográficos, “uma antibiografia” como o próprio autor classificara.

Descontando o experimentalismo estilístico, é Neruda recreio para a mais palpável característica idiossincrática do realizador, a ausência de vontade de identificação com as personagens. Elas que desconhecem o bem, o mal ou qualquer tributo maniqueísta, criadas reflexo primitivo da essência humana que ao outro se faz bizarra, como a senhora que de manhã dizia gostar de comer gelados à lareira.

Óscar Peluchonneau é a quintessência dessas criaturas ou testemunho da insuficiente afirmação de Pablo Larraín neste e nos anteriores quatro filmes, com Gael García Bernal perdido no desempenho de um polícia idiota incumbido da perseguição a Neruda tendo por base o extremar de posições do presidente chileno de então, González Videla – outro retrato patético – e o Partido Comunista no país. Sabendo de antemão que Jackie (2016) e Spencer (2021) para tal não estão fadadas, sobra a curiosidade se Ema (2019) e possíveis criações vindouras do chileno no trilho autoral traduzirão finalmente potencial em competência plena.

Filipe Urriça, Hawkeye (Disney+)

Gosto de banda desenhada norte-americana, mas ao longo da minha infância e adolescência tive muito mais contacto com obras de origem francófona e é por isso que tenho um desconhecimento profundo quanto ao universo da Marvel menos conhecido como, por exemplo, este Hawkeye, ou Gavião Arqueiro como é traduzido em Portugal, que estreou recentemente na Disney+. Vi os três episódios e gostei bastante do que vi, principalmente, quando chegou à parte de perceber o que é que se passou, posteriormente, com quem tem um conhecimento quase enciclopédico da Marvel.

Clint, o Gavião Arqueiro que entrou nos filmes dos Vingadores, já pode ter a vida em família que sempre quis. Contudo, sem conseguir querer ajudar quem mais precisa, acaba por dar um mão a Kate Bishop, uma arqueira com o mesmo talento de Clint, onde quer acertar com uma flecha fá-lo sem problema algum. Fiquei a saber que esta Kate Bishop é a segunda Hawkeye que faz parte dos Young Avengers, uma curiosidade que me fez pensar para mim próprio se teremos alguma vez esta adaptação ao MCU.

Além de Kate, temos também o Swordsman, um homem muito suspeito que aparece como padrasto de Kate, assim como Maya, a vilã desta série. Aparentemente, o grupo liderado por Maya queria obter o fato e a espada de Ronin, que Clint já vestiu e empunhou. É precisamente isto que ainda não percebi, como é que há tanto interesse em dois artefactos que parecem ser tão banais – apesar da espada ter uma lâmina escondida bastante útil.

Há pequenos detalhes que são muito bons em Hawkeye, como o facto de Maya ser uma vilã surda e que usa uma prótese para a sua perna direita, a atriz que a interpreta também tem estas dificuldades, nada foi adicionado com efeitos especiais ou disfarçado com uma boa performance da atriz. Agora o que quero ver é como é que esta série se encaixará no novelo de conteúdos do MCU, nomeadamente quando parece que esteve presente um vilão de uma série de Daredevil da Netflix.

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