Este domingo, a equipa VideoGamer Portugal aproveita esta rubrica semanal para destacar duas séries de animação e um filme que rapidamente assumiu o estatuto de obra de culto e que, aproximadamente vinte anos depois da sua estreia, continua a ser discutido.

Pedro Martins aproveitou a sua subscrição Apple TV+ para começar a ver Central Park. Com um elenco de luxo e saída das mentes que assinaram Bob’s Burgers, o exclusivo do serviço da Apple leva os espectadores até ao parque nova-iorquino, dando-lhes uma nova perspetiva sobre este conjunto de vidas que convergem no centro verde da cidade.

O segundo texto que podem ler este domingo é assinado por Marco Gomes e versa sobre Memento, filme que ajudou Christopher Nolan a ganhar um lugar de destaque entre os realizadores de renome. Enquanto Tenet não chega, podem relembrar a incrível e memorável arquitetura temporal de Memento.

Finalmente, a terceira recomendação e a segunda série animada do artigo é Rick and Morty. Uma das referências culturais dos últimos anos, a série está disponível na Netflix e o Filipe Urriça dedicou-lhe parte da sua semana. Podem ler as palavras do Filipe sobre a criação de Justin Roiland e Dan Harmon no encerramento deste artigo.

Pedro Martins, Central Park (Apple TV+)

Vi os quatro episódios de Central Park, série animada que está disponível em exclusivo no Apple TV+. Criada por Loren Bouchard e Nora Smith, mentes de onde saiu Bob’s Burgers, e também por Josh Gad, é uma proposta que nos leva até aos meandros de Central Park, o pulmão de Nova Iorque.

A animação é cuidada e pejada de detalhes, sendo muito fácil sermos transportados para aquelas vidas enquanto somos absorvidos pelos diferentes locais no parque e nas suas redondezas. No centro da narrativa está a família Tillerman: Owen Tillerman (Leslie Odom Jr.) é o zelador do parque e vive uma existência dedicada a cuidar do local.

Aliás, a Tillerman vive dentro do parque. Paige (Kathryn Hahn) é a sua mulher e jornalista, enquanto os dois filhos do casal, Molly (Kristen Bell) e Cole (Tituss Burgess), vão descobrindo a adolescência a partir do parque. Bitsy (Stanley Tucci) é o principal antagonista. Rica e com sede de mais poder, Bitsy vive para arrasar o parque guiada pela sua ganância.

Estes quatro episódios contam histórias dotadas de humor suave, que se vai afirmando sem nunca “gritar” ao espectador. Conhecer as personagens, os amores e desamores da adolescência, a vontade e o talento para ser uma jornalista a escrever sobre histórias mais sérias e profundas, o amor e o cuidado a um local que existe para o bem-estar de quem o visita, são batimentos cardíacos que alimentam o exclusivo Apple TV+.

São também episódios marcados pela componente musical, não sendo raros os momentos em que as personagens vivem acontecimentos apresentados com uma canção e música - o que faz lembrar, por exemplo, Crazy Ex-Girlfriend. Central Park tem uma estrutura também assente na narração de Birdie (Josh Gad), algo que lhe dá estrutura e guia o espectador. Se têm uma subscrição válida, vale a pena visitarem Central Park e ficarem a conhecer estas vivências.

Marco Gomes, Memento (DVD)

Em crescendo de prevalência ao longo da história do Cinema, dela usa e abusa atualmente o subgénero thriller, de longe, entre categorias principais e suas ramificações, o que mais recorre à estrutura narrativa fragmentada em quebra-cabeças.

Se quisermos dar exemplo de sua manifestação ida ao extremo na lista figurará Memento (2000), obra que lançou à segunda longa-metragem a carreira do inglês Christopher Nolan e que, além de cerca de sessenta prémios arrebatados, trouxe duas nomeações aos Óscar, melhor argumento e melhor edição.  

Acrescendo ser tida como objeto de culto no segmento de cinema independente, dir-se-ia ironicamente que aí a porca torce o rabo, pois, como Hollywood pelo inverso sempre demonstrou, a qualidade é autónoma aos valores de produção. Sendo os de Memento bastante limitados não iliba a fragilidade de seus departamentos, raiando o amadorismo.

Ao facto não será alheio o imberbe estágio evolutivo do realizador, até porque entrechocam a inventividade de alguns recursos estilísticos com infelizes opções narrativas, pouco tacto na direção de atores ou constante arritmia no encaixe e cruzamento de sequências.

Filipe Urriça, Rick and Morty (Netflix)

Vi a primeira parte da quarta temporada, mas ainda me faltava ver a segunda, que tem sido lançada desde maio. Fico contente por ver que a obra de Justin Roland e Dan Harmon continua tão boa como sempre. 

O sexto episódio tem como título "Never Ricking Morty", é uma clara referência ao filme The NeverEnding Story, até porque a temática deste episódio é mesmo a narrativa. É um episódio bastante divertido, onde é raro conseguirmos adivinhar o que vai acontecer. O mais curioso é que vemos continuações de arcos narrativos anteriores que podiam ter feito parte da história que hoje conhecemos.

"The Vat of Acid Episode", o oitavo episódio, é brilhante e mostra o grande cientista que Rick é, como também alguém que tem sentido de humor muito peculiar. Morty tem os seus bons momentos quando usa e abusa de um aparelho do seu avô, assim como Jerry quando arruina por completo as aventuras do filho de uma forma hilariante. Sem dúvida, o melhor episódio desta nova entrega de meia dezena de episódios.

Os dois últimos episódios têm as relações de Beth com Jerry e com Rick como protagonista da narrativa. E estes dois encerram incrivelmente a quarta temporada, fazendo com que Jerry continue a ser um grande pateta, mas que faz tudo pela sua família. E Beth parece encerrar, ou pôr de lado, a sua relação com um pai despreocupado. Em suma, vale a pena ver estes cinco episódios, infelizmente acabam muito rápido. 

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!