por - Jul 5, 2020

Híbrida, social e ambiciosa: a Nintendo Switch revela potencial

A casa de Quioto, chefiada por Tatsumi Kimishima, revelou finalmente a sua próxima consola: a Nintendo Switch. Ainda com praticamente cinco meses antes de ser lançada, é neste intervalo de tempo que a marca nipónica tem de retirar as dúvidas que permanecem depois deste breve vislumbre do seu conceito.

Um vídeo de três minutos bastou para a Nintendo conseguir fazer passar a sua mensagem e fazer maravilhar os seus fãs e, confesso, toda a redação do VideoGamer Portugal – o nome da consola ajuda bastante ao contrário da sua antecessora. Da sua possibilidade em ser híbrida entre portátil e doméstica, do multijogador local ser destacado pelo seu forte fator social, ou de almejar em ter jogos como Skyrim no seu catálogo – e levá-lo para qualquer lado.

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Para ser franco, a concorrência vai continuar pelo mesmo caminho, lado a lado, enquanto a Nintendo Switch vai procurar oferecer novas experiências, títulos que podem aproveitar características únicas da consola. Aqui, nada de novo. Mas, se o que nos foi mostrado no vídeo é realmente possível, a componente social, que foi a bandeira agitada fortemente pela Nintendo quando a Wii estava no seu auge, com uma abordagem diferente, levará a Switch aos vossos amigos com a portabilidade de uma 3DS e com as capacidades gráficas mais próximas de uma consola doméstica.

Será interessante, sobretudo, ver como é que as produtoras vão investir na componente multijogador, porque tal como o vídeo bem mostrou em diversas ocasiões, podemos jogar Mario Kart em ecrã dividido e NBA a quatro com dois ecrãs. Mas, claro, sem, esquecer a sua audiência veterana que acompanha a marca há largos anos, a começar com The Legend of Zelda: Breath of the Wild que será publicado na Wii U e na Switch. E é isto que torna esta marca tão interessante de seguir e ver o quê que consegue oferecer aos seus consumidores, o resto, a produção third-party, vem por acréscimo. Pois hoje afirmam vincadamente que apoiam a consola, amanhã a consola não vende e esta só tem defeitos que justificam o seu afastamento. O caso da Wii U não poderia ser um melhor exemplo.

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Contudo, apesar de continuar entusiasmado com a consola, há aspetos que gostei menos. O controlador Joy-Con tem as suas valências, principalmente, para suportar a característica híbrida que define a consola. Porém, a ausência de um D-pad clássico, substituído por quatro botões para as diferentes direções, não me deixou com uma bom presságio para uma futura utilização. E depois, há enormes interrogações que ainda pairam no ar, onde a Nintendo pode facilmente ir pela via errada, como a decisão de não incluir carregadores nas suas New 3DS.

Não falei deste exemplo por mero acaso. Algo que me colocou muitas dúvidas é a capacidade da bateria do ecrã onde se encaixam os Joy-Con. Quando vejo um jogo RPG ocidental, como Skyrim, a ser usado como exemplo para se jogar no modo portátil, penso imediatamente no disparo do consumo da bateria. Não sei qual o tempo ideal para um jogo daqueles, mas pelo menos a capacidade de aguentar entre 6 a 8 horas é uma marca razoável, não as 3 a 5 horas do GamePad da Wii U. Se este componente não tiver uma longevidade suficiente fora da base para jogar na televisão, então a Nintendo Switch perderá rapidamente a sua característica híbrida, sem conseguir levar a cabo sua visão original.

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Uma tradição da Nintendo sempre que lança uma nova consola, é de garantir compatibilidade com a anterior. Todavia, o sistema de colocação de jogos será feito através de cartuchos similares aos da 3DS, ao contrário da Wii U que é com discos. Sinceramente, com o insucesso comercial da Wii U, tenho a sensação que esta funcionalidade será posta de parte. Ou, no máximo, serão os cartuchos da portátil atual que poderão ser compatíveis. Não obstante, visto a Nintendo ter usado a Wii U para impulsionar a sua loja digital Nintendo eShop, seria boa prática permitir a retrocompatibilidade através dos títulos já adquiridos numa determinada conta. E continuar o que a Virtual Console faz de melhor: trazer o passado ao presente; o oriente ao ocidente. Mother 3 continua a ser um jogo muito pedido pelos fãs da marca.

Vejo esta consola como um passo em frente, libertando-se das tradições do passado. Jogar em dois ecrãs terminou, porém vê-se bem a vontade de querer recuperar o que a Wii alcançou com as capacidades reveladas para o multijogador. Se esta componente for adotada por uma percentagem bem grande das produtoras, ou se conseguir atrair o boom indie de títulos cooperativos que são jogados no mesmo ecrã como TowerFall Ascension, Lovers in a Dangerous Spacetime ou Mount Your Friends, então será algo verdadeiramente fenomenal.

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Não quero adotar uma postura pirrónica relativamente a esta consola e quero acreditar que um dia vou poder jogar onde eu quiser Read Dead Redemption 2, aquele jogo da Rockstar que também foi revelado em vídeo na mesma tarde, com um aspeto semelhante às suas rivais.

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