VideoGamer Portugal por - Feb 6, 2022

O que andamos a ver, 6 de fevereiro, 2022

Uma das séries do momento é Pam & Tommy, título para maiores de dezoito anos que em Portugal está disponível no catálogo Disney+. Estão disponíveis os três primeiros episódios e foi precisamente isso que o Pedro Martins viu durante os últimos dias, afirmando que é um arranque que dá contexto a um dos acontecimentos que marcou a Internet da geração 56k.

O Marco Gomes teve oportunidade de assistir a A Grande Beleza, película de 2013 assinada por Paolo Sorrentino. Afirma o Marco que Sorrentino parece, ocasionalmente, “um frustrado realizador de videoclipes”, o que pode ajudar a explicar a “dinâmica compositiva esquizofrénica” do filme que esta manhã é destacado.

Voltando ao Disney+, o Filipe Urriça viu Hit-Monkey, mais uma proposta da Marvel que chegou no ano passado. Segundo o redator, “há momentos em que este humor parece ser demasiado forçado, mas na sua grande maioria a comédia encaixa bem e os sorrisos que esboçamos são genuínos”.

Pedro Martins, Pam & Tommy (Disney+)

Pam & Tommy estava destinado a ser escrutinado e a ser tema de conversa. Em Portugal, está disponível em exclusivo no catálogo Disney+ e, no momento em que este artigo é publicado, estão disponíveis os três primeiros episódios. Há sorrisos, muito sexo, e nuvens negras que se perfilam no horizonte.

É uma série que coloca no centro da sua narrativa o vídeo íntimo protagonizado por Pamela Anderson (Lily James) e Tommy Lee (Sebastian Stan), contudo, este trio de episódios é bastante mais do que isso. Ficamos a conhecer melhor as personagens e como é que a cassete acabou por ser roubada de um cofre instalado na mansão de Lee.

Rand Gauthier (Seth Rogen) é um carpinteiro que trabalha na casa do baterista dos Mötley Crüe. O excêntrico Lee e Gauthier desentendem-se na hora de continuar a remodelação e, consequentemente, na hora de receber o pagamento. O que acontece a seguir é uma história de vingança, um roubo que, por mero acaso, inclui a cassete.

É um arranque sólido porque Pam & Tommy sabe como enquadrar as cenas mais ousadas, dando-lhes quase sempre uma mesclagem com trechos ligeiros, com humor – importa não esquecer, por exemplo, uma cena em que Lee tem uma conversa com o seu pénis, eleito conselheiro do momento.

Estamos perante o advento da Internet, do quebrar de todos e quaisquer limites da privacidade. No final do terceiro episódio, sente-se que a bolha colorida do casal está prestes a rebentar. E até aqui a grande injustiça é personificada por Anderson, que é arrastada para uma situação lamacenta no apogeu da sua carreira como C.J. Parker em Marés Vivas.

Acreditando na veracidade do que nos é contado, Pam & Tommy é uma janela para o que aconteceu quando muitos de nós estávamos em plena adolescência, a Internet era rara, e os factos eram tantas vezes rumores entre aulas. Não é um documentário e não é uma proposta sem tacto, é uma mistura de drama, comédia, e o ridículo. Pam & Tommy é o equilíbrio da narração entre o desequilíbrio dos acontecimentos.

Marco Gomes, A Grande Beleza (DVD)

Linhas aqui se deitaram recentemente sobre A Juventude (2015), trazendo este e o Domingo próximo mais umas quantas para as longa-metragem de Paolo Sorrentino aquela atarraxadas, ou seja, a imediatamente anterior e posterior em sequência cronológica.

A oportunidade gorada de encadear o trio deriva da disponibilidade, ou dela a falta, dos artigos em loja, dinâmica de preços no mercado e tentativa de rentabilizar o orçamento, acabando curiosamente por integrar a colecção em tempos separados próximos.

Em sua estrutura deambulante é a obra mais reconhecida do napolitano, A Grande Beleza (2013), La Grande Bellezza, outra homenagem a Federico Fellini, perfeitamente ajustável à vida de Jep Gambardella, auto-intitulado “rei dos mundanos” gastando pela noite de Roma a reputação agremiada com “O Aparelho Humano”, seu único escrito publicado décadas antes.

Tal a imiscuição em seu agir cinematográfico da cultura pop e rituais festivos, parece ser ao mais das vezes Sorrentino um frustrado realizador de videoclipes, explicando assim a dinâmica compositiva esquizofrénica de A Grande Beleza, com o primeiro quarto temporal sobrelotado de planos por metro quadrado.

A estabilização possível no contínuo aclara ao espectador a crise de meia-idade de Gambardella e seus mais leais camaradas, esvaído o fulgor bem antes dos créditos finais num deficiente planeamento do guião, a jusante não corrigido barrando na mesa de montagem meia hora de excrescências aos cento e quarenta e dois minutos da versão final.

Filipe Urriça, Hit-Monkey (Disney+)

Quando não é a minha filha que está a monopolizar a televisão com o Disney+, aproveito para ver algumas novidades curiosas dos universos Marvel e Star Wars. Por isso, tenho visto Hit-Monkey, uma série de animação com grandes doses de violência gráfica criada pela Marvel. Embora tenha um conceito estranho, tenho gostado bastante dos seis episódios, de dez disponíveis, que já vi.

Para conteúdo presente no catálogo do serviço de streaming da Disney, Hit-Monkey é extremamente violento, comparável a Invincible da Amazon Prime Video. Apesar de ser muito violento, Hit-Monkey também se caracteriza pelo seu humor, principalmente pelos monólogos do fantasma (interpretado por Jason Sudeikis) que acompanha o macaco sedente de vingança. Há momentos em que este humor parece ser demasiado forçado, mas na sua grande maioria a comédia encaixa bem e os sorrisos que esboçamos são genuínos.

Este mamífero é um macaco-japonês, e não sofreu mutações, nem foi exposto a nenhum elemento químico que lhe conferiu poderes extraordinários. É um animal comum que está completamente cego por ver os responsáveis pela morte da sua família desmembrados, esventrados e cortados de várias formas pela sua espada samurai, ou então com a cabeça espalhada pelo chão com uma bala bem colocada no crânio.

Dado que parece uma experiência saída dos laboratórios da Disney, para ver como é que o seu público responde, tal como foi MODOK, duvido seriamente que haverá mais temporadas. Enfim, é pena que esta minha especulação seja quase uma certeza, mas vejam Hit-Monkey, vale bem a pena, quanto mais não seja para serem mais um número nas visualizações da série para esta não sofrer uma morte antecipada.

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