VideoGamer Portugal por - Mar 6, 2022

O que andamos a ver, 6 de março, 2022

A quarta temporada de Killing Eve está longe dos tempos áureos da série, é esta uma das conclusões que está presente nesta edição da rubrica O que andamos a ver. Quem o escreve é Pedro Martins, que teve oportunidade de ver os dois episódios que já estão disponíveis. Hoje estreia o terceiro e há esperança, mas muitas reticências.

Quem continuar a ler o artigo terá oportunidade de ler ainda as palavras que Marco Gomes dedica a Minha Mãe, película que recentemente passou pelo seu leitor de DVD. Nanni Moretti realiza e contribui também para o argumento de um filme que está de regresso a este espaço dominical.

E o Filipe Urriça tem esta semana o prazer de escrever sobre uma série que anda de mãos dadas com os videojogos. Depois de encantar inúmeros jogadores e de lhes esgotar temporariamente a paciência, Cuphead é agora uma série no catálogo da Netflix, precisamente o que captou a atenção do Filipe esta semana.

É um O que andamos a ver que destaca géneros e plataformas diferentes, mas também níveis de satisfação bastante díspares. Se estão a pensar ficar por casa, pode ser que estejam aqui algumas referências para futuras sessões de olhos no ecrã. Independentemente do que estiverem a ver, esperamos que seja uma agradável surpresa.

Pedro Martins, Killing Eve – Quarta Temporada (HBO Portugal)

Killing Eve conquistou uma legião de fãs e a crítica, especialmente com as duas primeiras temporadas. Agora está de regresso com a quarta e última sequência de episódios, mas os dois primeiros são uma sombra dos seus tempos áureos, sentindo-se sobretudo uma falta de foco durante este arranque.

Villanelle (Jodie Comer) juntou-se a uma igreja enquanto tenta apagar os seus pecados passados, tentando ser batizada a todo o custo e chegando mesmo a falar com uma etérea figura que é o seu guia espiritual. Eve (Sandra Oh) deixou para trás o MI6 e está praticamente entregue a si enquanto persegue os Doze.

O brilhantismo da série estava na relação entre as duas protagonistas, no imprevisível jogo do gato e do rato alicerçado pelo humor inteligente e pela violência dos tais pecados de Villanelle. O segundo episódio é consideravelmente melhor do que o primeiro, mas ainda está longe de entregar a inequívoca vontade de esperar pela continuação.

Falta-lhe emoção e tensão. Os fãs que estão com estas personagens desde 2018 merecem uma temporada final condigna, pelo que espero sinceramente que seja apenas uma estreia frouxa antes do fôlego ser reconquistado. Há uma ou duas cenas memoráveis até este momento, mas mesmo assim sente-se que falta algo para lhe dar momentum.

São episódios que apresentam alguns rostos novos, mas que praticamente se esquecem das personagens mais carismáticas, nomeadamente, Carolyn (Fiona Shaw) e Konstantin (Kim Bodnia). A dupla dá o ar da sua graça, mas é muito pouco para o estatuto que têm. Espero sinceramente que estes sejam os piores episódios da temporada e que o final dos finais faça justiça a Nelle, a Eve, e aos fãs.

Marco Gomes, Minha Mãe (DVD)

Tendo por referência apenas as longa-metragem de Nanni Moretti na última dezena de anos dificilmente suporíamos tratar-se de um dos nomes efervescentes da comédia para cinema na Europa nas décadas setenta e oitenta do século XX. De modo semelhante, por essa altura seria improvável a inclinação para o género, identificado na herança do teatro, como antagónico.

Intui-se todavia enquanto ruptura serena, pela abordagem ligeira ao drama, mas principalmente por não abdicar do espectro de emoções do quotidiano tangível, essência inspiracional de cinquenta anos de percurso no meio – a comemorar em 2023.

Minha Mãe (2015), Mia Madre, retorna a este espaço tendo a edição DVD como pretexto e com ela destaque, repartido que fora nas sínteses da “Quarentena Cinéfila”, disponibilizada pela Medeia Filmes nos dois períodos de confinamento geral do país. Passível de defeito do observador, representa superficial aporte à visualização inicial, o que em cinema é fraco augúrio para memórias na memória.

Correndo risco de repetição por não encontrar esse texto, deriva o grande elemento diferenciador de Minha Mãe da atenção aos percalços técnicos, logísticos e de socialização relativos à – se assim compreendida – ocupação profissional da protagonista. Margherita, interpretada por Margherita Buy, entre a realização de seu mais recente filme e o percurso final de vida da progenitora.

Filipe Urriça, The Cuphead Show (Netflix)

Dou sempre muito mais valor às mecânicas de um jogo, mas também não sou cínico ao ponto de ignorar o facto de uma obra ser especialmente bonita, como é o caso de Cuphead. A direção artística é fenomenal, a obra da produtora Studio MDHR replica de forma excelsa a animação dos desenhos animados dos anos trinta como Tom and Jerry e muitos outros que passaram com o cunho da Merrie Melodies ou Looney Tunes.

Assim, fui ver The Cuphead Show! na Netflix, feito pelos próprios irmãos, Chad e Jared Moldenhauer, que criaram o desafiante jogo. Sinceramente, já pelos vídeos promocionais tinha um forte pressentimento que esta série não ia ser menos do que brilhante. Porém, a minha curiosidade ficou em saber como seria a estrutura da série.

São uma dúzia de episódios que não duram muito mais do que dez minutos cada. Portanto, vê-se a primeira temporada num ápice. Felizmente, a segunda temporada já foi confirmada pela Netflix.

Outro detalhe curioso é que os episódios têm uma narrativa independente entre si, ou seja, não há uma continuação da história do primeiro episódio para o segundo é assim sucessivamente. Todos os episódios são divertidos e cómicos, não foram escassas as vezes em que soltei várias gargalhadas num único episódio.

É engraçado ver The Cuphead Show! porque fiquei momentaneamente com a sensação que o jogo foi baseado na série e não o contrário. Foi muito bom darem narrativas às várias personagens, nomeadamente aos bosses do jogo, de tão bem desenhados que estão. Se gostam de bons desenhos animados ou séries que não ocupam muito tempo da vossa vida, então têm aqui uma excelente proposta.

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