É muito provável que já tenham ouvido falar de Citizen Kane, mesmo que nunca tenham visto a obra de Orson Welles. Esta semana, o Pedro Martins não viu novamente o filme que foi apresentado a muitos jogadores quando The Last of Us foi publicado, mas sim Mank, filme de David Fincher sobre Herman J. Mankiewicz, nome que esteve na origem do argumento do filme de Welles.

Continuando a passar em revista a sua coleção de DVD, o Marco Gomes volta a destacar o cinema francês. Mais concretamente, os episódios sete e oito da coleção Viagens Pelo Cinema Francês. São os últimos episódios e o Marco atesta que dá destaque a nomes menos conhecidos como Louis Valray, Pierre Chenal, Henri Calef e Gilles Grangier, assim como a realizadoras como Jacqueline Aubry, Agnès Varda e Nelly Kaplan.

E finalmente podem ler as palavras que Filipe Urriça dedica a Parasitas. É verdade que o filme realizado por Bong Joon Ho não precisa de grandes apresentações, sendo uma das grandes obras a marcarem a sétima arte nos últimos anos. A estratificação social é colocada à frente de todos, com cada um a retirar algo do filme que levou também muitos a comerem ramen.

Pedro Martins, Mank (Netflix)

Citizen Kane, que em português foi traduzido para O Mundo a Seus Pés, é uma película incontornável. Mesmo quem nunca viu a obra de Orson Welles, certamente já ouviu falar de um dos filmes mais aclamados de sempre. E uma boa parte desses elogios é feita à escrita. Esta semana vi Mank, filme de David Fincher que dá destaque ao talento e à vida de Herman J. Mankiewicz.

Mankiewicz (Gary Oldman) foi convidado por Welles para escrever Citizen Kane e o filme leva-nos até esse processo, iluminando o homem, o processo da escrita e a vida que viveu até chegar a esse primeiro esboço - conhecido então como “American”, tal como os planos de Fincher fazem questão de mostrar. Aliás, a imagem de destaque deste artigo é precisamente focada na capa desse manuscrito.

Quem espera, contudo, um curso intensivo sobre escrita ficará desiludido. São mais de duas horas, sim, mas a principal tranche do filme é dedicada às pessoas que entraram e saíram da vida de Mankiewicz. Mank, o filme, conta com incontáveis cenas em formato flashback para revelar o seu passado. Estão devidamente identificadas, mas não deixa de ser um filme algo exigente: estamos a ver o passado do passado num filme que mostra os bastidores de outro filme.

Sem grande surpresa, quem tiver visto Citizen Kane consegue espremer mais de Mank, mas não deixa de ser um bom filme sobre a Hollywood dos anos trinta. E Mankiewicz é um homem retratado com diversos exageros, tanto no álcool como no tabaco. E o álcool levou-o por diversas vezes a situações que danificaram a sua carreira.

Julgo que poderia ser algo mais curto e, pessoalmente, nunca me chegou a agarrar como Fight Club. Não é um mau filme e conta com performances que merecem destaque. O maior pertence a Oldman, que dá dimensão à personagem e ao homem que interpreta. Vi e gostei bastante de Citizen Kane e, mesmo com a noção que não estamos perante um documentário, é bom saber um pouco mais da sua génese.

E se quiserem saber profundamente o que se passou, leiam o ensaio “Raising Kane”, que está publicado na The New Yorker desde 1971.

Marco Gomes, Viagens Pelo Cinema Francês - Episódios 7 e 8 (DVD)

O terceiro DVD da edição Midas Filmes de Viagens Pelo Cinema Francês contém a dupla de episódios que encerra a série.

O sétimo faz jus à intitulação, “Os desconhecidos”, lançando à baila nomes pouco ressonantes como Louis Valray, Pierre Chenal, Henri Calef e Gilles Grangier. Simultaneamente faz um apanhado de realizadoras que ajudaram a quebrar o preconceito e estigmatização de género, realçando o talento e coragem de Jacqueline Aubry, Agnès Varda e Nelly Kaplan, respetivamente belga e argentina com carreira feita em França.

Começando por mencionar Eric Rohmer e Alain Resnais, a verdade é que o episódio oitavo, “Os meus anos 60”, se dedica em grosso modo a autores marginais no movimento Nouvelle Vague ou a ele paralelos, Pierre Granier-Deferre, Jacques Deray, Michel Deville, Jacques Rouffio, José Giovanni e Yves Boisset.

Os derradeiros minutos dedicou-os Bertrand Tavernier a uma síntese do que gostaria ter abordado, ficando a ideia de ser um número redondo de episódios, atingindo a dezena, mais ajustado à programação do autor, já para não falar de uma segunda temporada ida além do espartilho temporal de meio século.  

Com um paradoxo encerro traindo o parágrafo inicial destes textos sobre Viagens Pelo Cinema Francês. A realidade cultural que acolhe improvável edição no somatório dos vários canais de difusão -distribuição em sala, mercado doméstico, programação televisiva, circuito de cineclubes, Cinemateca Portuguesa, streaming- nunca deu a ver o grosso das obras nela referenciadas.

Às lacunas de nossa oferta cultural acresce o muito que ainda há a desbravar no berço da sétima arte e um aviso de qual nenhuma cinematografia fica isenta -diversos foram os casos em que Tavernier aludiu a obras sem registo disponível para amostra-, a história da arte é a história da preservação da memória, sem investimento e empenho na demanda muitos capítulos ser-lhe-ão apagados.

Filipe Urriça, Parasitas (TVCine+)

Já que tenho acesso ao TVCine +, que é basicamente o catálogo dos quatro canais TVCine num só local, aproveitei para ver o que havia na secção Cinéfilos e encontrei um filme que tive sempre muita curiosidade em ver, a obra do sul-coreano Bong Joon Ho. Obviamente que este interesse em ver Parasitas, um filme estrangeiro, foi porque ganhou o Óscar de Melhor Filme, algo que é raro acontecer.

Depois de ver o filme fiquei satisfeito por saber que ainda se fazem boas películas cinematográficas sem se gastar os milhões de dólares dos grandes premiados. Antes de ver o filme só sabia um detalhe, mais concretamente, que era uma crítica à sociedade e às suas classes.

A película acompanha uma família pobre, que faz o que pode para manter a casa que tem, quando vê uma oportunidade de se poder aproveitar da família Park, para assim formarem uma dependência mútua. A meio do filme esta dependência fica em perigo e sucedem-se uns acontecimentos que expõe a fragilidade da sociedade.

Este filme não é só rico na temática, pois também tem atores que dão uma interpretação fantástica. Parasitas não é só uma narrativa de ficção, podia muito bem ser uma história verídica. 

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