Na primeira edição da rubrica O que andamos a ver de junho, a equipa VideoGamer Portugal tem mais três propostas bastantes diferentes para as vossas sessões de entretenimento. O Pedro Martins aproveitou para ver Good Time, filme realizado pelos irmãos Safdie antes do sucesso que foi Diamante Bruto.

Por sua vez, o Marco Gomes trocou o Vimeo pelo YouTube e assistiu a Sob Águas Claras e Inocentes, uma curta metragem assinada por Emiliano Cunha. São menos de vinte minutos para contar as últimas horas vividas por alguém que está numa cidade adversa. O Marco conta-vos os detalhes mais abaixo.

O Filipe Urriça aproveitou o catálogo dos canais TVCine para escrever alguns parágrafos sobre Astérix: O Segredo da Poção Mágica. Podem ler a sua opinião no final deste artigo dominical, contudo, fica desde já mencionado que a narrativa, a mensagem passada e a façanha técnica da película conquistaram o Filipe.

Pedro Martins, Good Time (Netflix)

Antes do excelente Diamante Bruto, a dupla de realizadores Benny e Josh Safdie trabalharam em Good Time. O filme está disponível na Netflix e, uma vez que Diamante Bruto me arrebatou completamente, durante os últimos dias tive oportunidade de o visualizar. É curto, frenético, e excelente.

Good Time conta a história de dois irmãos, Connie Nikas (Robert Pattinson) e Nick Nikas (Benny Safdie) que realizam um assalto que corre mal. Como resultado, Nick é preso, envolve-se numa luta e é enviado para o hospital. Connie tenta arranjar inúmeras formas para resgatar o seu irmão.

É um arco narrativo relativamente simples, contudo, os métodos encontrados por Connie não só dão uma velocidade alucinante à película, como conquistam a atenção total do espectador. Há violência, drogas, muitas traições, e uma vertiginosa descida ao abismo, constantemente piorando uma situação que é má desde os minutos iniciais.

Muito deste ritmo executado pelos irmãos Safdie está presente em Diamante Bruto, contudo, Good Time merece ser visto apenas e só pelas suas valências. Pattinson tem uma performance notável, mostrando as diferentes facetas de uma personagem que nunca se esquece que está a fazer tudo isto por amor ao seu irmão.

Marco Gomes, Sob Águas Claras e Inocentes (YouTube)

A procura do deslumbramento implica risco. Mesmo que o único malefício deste seja a desilusão larga quota da humanidade prefere nele não investir. Os restantes acharão ser razoável preço a pagar por algo raro, e por isso, impagável.

Perante o artigo noticioso no Portal Cinema de que a produtora Ausgang, sediada em Porto Alegre, Brasil, disponibilizara em seu canal YouTube para visualização gratuita cinco obras do catálogo, duas longa e três curta-metragem, pensei: -Nunca ouvi falar. Vamos a isso!

Debutando nas de alargada duração, foi violento o primeiro embate com Porto dos Mortos (2010) de Davi de Oliveira Pinheiro, cinema fantástico série B ou uma enorme trapalhada onde o difícil é achar-lhe valia.

Desvios (2016) de Pedro Guindani apresenta-se num patamar superior de competência face ao registo do parágrafo acima, mal feito fora, tropeçando num paradoxo, à medida que a personagem central vai perdendo o norte acompanha-o o próprio filme. O epílogo é já destilada vulgaridade.

Nada de fazer cair o queixo, mas, salva-se a honra do convento pelas curta-metragem, Another Empty Space (2015) do reincidente Davi de Oliveira Pinheiro, Sob Águas Claras e Inocentes (2016) e Endotermia, ambas de Emiliano Cunha. Serviu também o exercício para relembrar que o formato rasteirinho galga muitas das vezes as constrições narrativas pela abordagem concetual.

Acima das outras duas demonstra-o Sob Águas Claras e Inocentes através de um coto de tempo transversal a várias identidades em ritual de despedida, culminando no que antevemos, ou no que o interlúdio de animação nos dá a ver, ser um suicídio por afogamento. Falta-lhe aprimorar o verbo para se guindar ao nível da ideia e execução técnica.

Filipe Urriça, Astérix: O Segredo da Poção Mágica (TVCine Top)

Adoro as histórias de Albert Uderzo e René Goscinny e é por isso que continuo a ler as aventuras em banda desenhada, assim como ver os filmes de animação. Felizmente, com Astérix: O Domínio dos Deuses acertaram em cheio na animação que partilha similaridades com os filmes da Pixar e em O Segredo da Poção Mágica voltaram a usar este estilo.

Quem conhece as bandas desenhadas sabe que Astérix não é a única personagem principal, Obélix também tem um grande protagonismo. O grande amigo de Astérix é conhecido pela forma como adquiriu a sua constituição física, não foi só por devorar javalis vorazmente, mas por ter caído no caldeirão de Panoramix, cheio da sua famosa Poção Mágica.

A Poção Mágica, do druída da aldeia gaulesa, é o segredo mais bem guardado de toda a Gália, tal como a razão pela qual a aldeia de Vitalsatisfatix ainda consegue resistir à invasão romana. Quando um druída cai não é bom sinal, por isso Panoramix está à procura de alguém que o possa substituir e sobretudo, confiar-lhe o segredo da poção mágica.

A narrativa está cheia de humor subtil e a mensagem do filme é que a experiência da vida pode e deve passar à geração mais nova, sem permanecer apenas entre os anciãos. O antagonista é um velho inimigo de Panoramix bastante interessante, não só pela história que carrega mas pela relação que já teve com Panoramix. Espero que continuem a serem produzidos estes filmes com este estilo artístico, porque além de bem desenhados exprimem bem o humor típico da banda desenhada.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!