VideoGamer Portugal por - Nov 7, 2021

O que andamos a ver, 7 de novembro, 2021

Na primeira edição da rubrica O que andamos a ver de novembro, a equipa VideoGamer Portugal apresenta um trio de propostas que estão disponíveis noutras tantas plataformas. Duas são centradas em obras de animação e a terceira revela mais detalhes sobre a vida e a obra de Van Gogh.

Depois de escrever sobre propostas presentes no Disney+, o Pedro Martins visitou a Netflix Portugal para testemunhar o arranque de Maya e os Três Guerreiros. O diretor de conteúdo viu os primeiros quatro episódios da série de Jorge R. Gutiérrez e mal pode esperar para ver o resto.

Posteriormente, podem ler os parágrafos dedicados por Marco Gomes a Van Gogh: Entre o Trigo e o Céu, nome de uma exposição dedicada à vida e obra de van Gogh em Vicenza.

O Filipe Urriça entrega a este O que andamos as suas considerações sobre uma curta disponível no catálogo do Disney+. Mito: Mais Além de “Frozen” é, segundo o redator, “um bom exemplo que comprova que ainda há ideias muito interessantes por explorar nos mundos e universos que criam”.

Pedro Martins, Maya e os Três Guerreiros (Netflix)

Maya e os Três Guerreiros é uma série de animação com um arranque interessante. Disponível em exclusivo no catálogo da Netflix, conta-nos a história de Maya (Zoe Saldaña), que começa esta aventura quando está prestes a celebrar o seu décimo quinto aniversário e a ser coroada princesa do reino de Teca.

Tive oportunidade de ver quatro dos nove episódios disponíveis, ficando claro que Maya não quer a vida que lhe está prestes a ser atribuída por outros, mas sim as aventuras que os seus três irmãos têm vivido. Não demora muito até que a sua grande jornada comece.

Quando Lord Mictlan (Alfred Molina), aqui eleito deus da guerra, revela que a quer sacrificar por uma questão de poder, Maya luta contra este destino – e a destruição do seu reino – e parte numa jornada para recrutar três grandes guerreiros.

Nestes quatro episódios, o arco narrativo não prima pela originalidade, mas sim pela qualidade da animação e da escrita. Com isto, Maya e os Três Guerreiros conquistou-me de maneira a que esteja interessado em experienciar a totalidade dos episódios, esperando surpresas e ficando pelo sentido excelso de aventura.

Sabemos que a proposta de Jorge R. Gutiérrez terá apenas estes episódios, pelo que não há o risco de o arco narrativo se prolongar em exagero por diversas temporadas. Os momentos experienciados até agora colocam a série como uma recomendação para miúdos e também para graúdos. É perfeita para dar um novo ritmo ao vosso domingo.

Marco Gomes, Van Gogh: Entre o Trigo e o Céu (DVD)

Desconhecendo a sustentação académica, nenhuma provavelmente, foi divulgado há cerca de dois meses um levantamento sobre qual o artista plástico mais reconhecido em cada país, continente e no globo terrestre. Num paradoxo romântico nada anormal em arte o máximo das escolhas recaiu num autor solitário em vida e totalmente anónimo quando aos trinta e sete anos cometeu suicídio.

Se o visado da anterior frase é destapado logo no título, não vos fieis, nele o apêndice é matreiro. “Entre o Trigo e o Céu” foi o nome dado a uma exposição antológica sobre a vida e obra de Vincent van Gogh (1853-1890) na cidade italiana de Vicenza, da qual dá parte o documentário realizado por Giovanni Piscaglia. Esse é um dos elementos que a justifica, mas longe de ser a essência de Van Gogh: Entre o Trigo e o Céu (2018), uma estória de arrebatamento entre uma dama burguesa e um espírito e a imortalidade por aquele a ambos concedida.

Helene Kröller-Müller foi uma das primeiras a tirar o génio neerlandês da escuridão, passando a ser a coqueluche de sua empreitada colecionista em obras de arte. O museu Kröller-Müller, situado em zona de floresta no maior parque nacional dos Países Baixos, alberga o segundo maior acervo de trabalhos do autor, sensivelmente noventa pinturas e cento e oitenta e cinco desenhos, ultrapassado apenas pelo do Museu Van Gogh em Amesterdão.

Esta décima entrada na coleção fecha o segundo volume da edição portuguesa em DVD e com ele a temporada inicial de A Grande Arte no Cinema. Com o valor agregado das obras contidas nas duas caixas a ter distribuição qualitativa díspar, com vantagem inequívoca para a ainda em análise, cumpre-se outro paradoxo nestas linhas.

O triunfo do projeto reside maioritariamente nos capítulos menos conseguidos, promovida a destemperança sensorial em detrimento da regrada entrega dos factos foram seus promotores capazes de aliciar espectadores em número pornográfico para o género onde se insere. Por si só, feito a merecer admiração.

Filipe Urriça, Mito: Mais Além de “Frozen” (Disney+)

Os meus dias têm sido passados a ver Frozen quase sete dias por semana, agora que a minha filha mais velha está mais atenta e consegue ver um filme do início ao fim sem se distrair, é o que eu faço com a minha subscrição Disney +. Até gosto bem de Frozen, apesar de estar a começar a ficar saturado de ouvir “Let it go”, por isso decidi ver uma das várias curtas que estão disponíveis no serviço de streaming da Disney.

Escolhi a curta-metragem que tinha uma apresentação com características que não me faziam associá-la a Frozen, vi Mito: Mais Além de Frozen. Está marcada por uma duração de doze minutos mas cerca de metade foram dedicados a explicar o conceito desta curta. Não é habitual fazerem este tipo de apresentações, mas neste caso faz sentido, porque este projeto foi concebido para a realidade virtual e os que os animadores da Disney fizeram foi explicar porquê e como é que adaptaram para ser visto num ecrã plano.

Essencialmente, isto explica algumas das pontas soltas de Frozen 2, a sequela que ainda não vi, por isso se soubesse não tinha visto isto. Contudo, não é um filme expositivo, ainda há espaço para termos de fazer alguma interpretação, porque este conto não é inteiramente narrado. Aqui o grande espetáculo é o trabalho audiovisual, nomeadamente a forma como usaram a conjugação de cores para dar fluxo e dinamismo à história que queriam contar.

Não me arrependi de ver esta proposta, apesar de agora saber o que poderá acontecer na sequela que irei, inevitavelmente, ver. Estas curtas a Disney permite aos seus produtores expressarem livremente a sua criatividade e Mito: Mais Além de Frozen é um bom exemplo que comprova que ainda há ideias muito interessantes por explorar nos mundos e universos que criam.

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